22 de jul de 2016

O Festival Músicas do Mundo em Sines



O Festival Músicas do Mundo em Sines
de 22 a 30 de Julho

"Segue-me à Capela" abre o festival, hoje às 19h00 em Porto Covo

Abre hoje, sexta-feira ao fim do dia, na Praça da República, no Porto Covo, Sines, com a actuação do grupo português ”Segue-me à Capela”, aquele que é, certamente, o mais importante festival de world music realizado no nosso país, vencedor do prémio de melhor alinhamento artístico dos Iberian Festival Awards 2015.

Falamos do Festival Músicas do Mundo, de que acontece a 18ª edição, entre 22 a 30 de Julho de 2016, tendo como palco os centros históricos e as praias de Sines e Porto Covo.



Da Ásia chega-nos Nine Treasures, banda de folk metal entre a tradição da Mongólia Interior e a modernidade de Pequim, enquanto de Madagáscar, figura maior de raiz tradicional: Danyèl Waro, renovador do maloya. Da África do Sul, Mo Laudi, DJ que tem divulgado o afro-house em Londres e Paris.

Da África atlântica as propostas são diversas: de Angola, Paulo Flores, o rei do semba, e DJ Satelite, grande impulsionador da música angolana na cena internacional., enquanto da R. D.do Congo (com ligações a Lisboa) emerge Konono n.º 1 meets Batida com o concerto que transpõe o recente disco homónimo; também do Congo, o festival recebe Mbongwana Star, Bilili; do Gana a “voz de ouro do highlife”, Pat Thomas, acompanhado pela Kwashibu Area Band ou Karyna Gomes a voz urbano da música da Guiné-Bissau, e Moh! Kouyaté, um “griot” moderno da Guiné-Conacri; do Mali a banda Bamba Wassoulou Groove, um cruzamento da região de Wassoulou com o rock e da Mauritânia estreia-se Noura Mint Seymali, que cruza a tradição magrebina com a electricidade psicadélica. Das Ilhas Canárias chega Germán López, especialista no “timple”, instrumento de cordas da família do cavaquinho, enquanto Cabo Verde envia o resultado, luso-cabo-verdiano, do encontro entre o quarteto do saxofonista Carlos Martins e a cantora Jenifer Solidade.



Do mar Mediterrânio vem mo tunisino Imed Alibi e o rocker argelino Mehdi Haddab ou o egípcio Egipto Islam Chipsy & E.E.K, o libanês Bachar Mar-Khalifé, o diálogo entre Arménia e Turquia por Vardan Hovanissian & Emre Gültekin e a tradição polifónica georgiana com, Alaverdi.

Do leste chega o ucraniano das Dakh Daughters e o folk da Estónia: Trad.Attack!

Da Noruega 1982 e do Reino Unido o britânico Billy Bragg, grande cantor político europeu e o The Unthanks, expoente da folk contemporânea ou The Comet is Coming entre o jazz e a electrónica.

Fumaça Preta um luso-venezuelano e três ingleses: um cocktail tropical psicadélico, de Amesterdão.

O afro-reggae da Wesli Band, do músico haitiano radicado no Canadá. Dos EUA chega a fusão entre jazz e hip hop com David Murray e Saul Williams.

A Colômbia três propostas contemporâneas: a percussão reciclada de Alibombo, os sons psicadélicos de Los Pirañas e as vibrações afrocaribenhas de Systema Solar.

A delegação brasileira é composta pelo hip hop e o funk de BNegão & Seletores de Frequência, o rock com toques de MPB da Graveola e as inspirações afrobeat da orquestra Bixiga 70.

Presente também a argentina Juana Molina figura maior da música alternativa latino-americana.



Depois desta rápida volta ao mundo aportamos à ocidental praia lusitana de onde partiu o Gama:

Desde projectos fundados na tradição musical – Segue-me à Capela - que abre o festival – a  Criatura, Retimbrar e Sebastião Antunes & Quadrilha – e músicos a solo com veia experimental – Norberto Lobo e Filho da Mãe. A música alternativa, Jibóia e a jigsaw & The Great Moonshiners Band, a tribal dance dos OliveTreeDance e os blues de Hearts and Bones são os representantes portugueses.



De 22 a 30 de Julho as Músicas do Mundo ancoram em Sines.

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Eduardo M. Raposo
eduardoepablo@gmail.com

18 de jul de 2016

Parabéns, Roque!

Finalmente as prometidas fotos a assinalar o 8º aniversário do meu querido Roque, data emblemática que marca o início do solstício de Verão! 

... e que desde 2008 tem um significado muito mais importante!






Parabéns, Roque!

pelo teu oitavo aniversário!

28 de jun de 2016

“A Poesia é a Voz da Minha Alma”

Já passou um mês sobre esta data.
Todavia, porque foi um dia memorável, não quero deixar de o assinalar aqui nesta espaço de partilha mas onde não chega o mediatismo e uma certa exacerbada exposição que o face possibilita. Deixamos aqui um texto que corresponde, no essencial, ao publicado na recente edição de Junho do Jornal Folha de Montemor.



A Poesia é a Voz da Minha Alma
de
José Carrilho Raposo

Um Poeta repentista na diáspora

O poeta popular repentista José Carrilho Raposo acaba de lançar o seu primeiro livro de poesia,A Poesia é a Voz da Minha Alma”, uma edição de autor que teve o apoio da Câmara Municipal de Palmela, do Centro de Estudos Documentais do Alentejo-Memória Colectiva e Cidadania (CEDA) e da Junta de Freguesia de Pinhal Novo. A sessão de lançamento teve lugar dia 26 de Maio, no Auditório da Biblioteca Municipal de Pinhal Novo, onde usaram da palavra o Presidente da Câmara Municipal, Álvaro Amaro, o Presidente da Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Manuel Lagarto, o coordenador da edição, Presidente do CEDA e filho do autor, Eduardo M. Raposo, a Bibliotecária, Isolina Jarro - que apresentou e moderou a sessão – e ainda a poetisa Maria Vitória Afonso.
O coordenador do projecto fez o historial do projecto, as dificuldades superadas, agradecendo os apoios, nomeadamente aos irmãos Carlos e Ricardo – este ocupou-se da logística gastronómica - e o Amigo João Santos que paginou o livro, revelando-se um apoio decisivo para a edição nestes timings, bem como outras presenças e frisando, tal como o Presidente Álvaro Amaro, a importância de se ter reavido este feriado (do Corpo de Deus) roubado pelo anterior governo.













Seguiram-se os Jograis do Alentejo – Ana Neto, EMR, José Carita e Luisa Gonçalves que apresentaram pequeno excerto do espectáculo “Jograis do Alentejo cantam o Amor e o Vinho na nossa Poesia Lírica – séculos XI / XXI. Com interpretação cantada de “Senhora partem tão tristes” (João Roiz de Castelo Branco) e dita de “Credo” (Natália Correia) e “Conversão do primeiro canto d’Os Lusíadas (…) Vestidos do humano em o de-vinho por uns caprichosos actores” – Manuel do Vale, Bartolomeu Varela, Luís Mendes de Vasconcelos e Manuel Luís (séc. XVI), tendo iniciado com um poema do livro, uma bonita elegia aos animais “Tenho uma cadela preta e um gato branco” por Ana Neto.









 
Álvaro Amaro fez uma excelente apresentação, falou do autor que conhece desde sempre e de muitos momentos em que estiveram ambos no mesmo lado da barricada,  destacando o itinerário de uma vida que o livro patenteia, onde o Amor é uma marca que permanece: “O Amor à vida, à mulher, à família, à comunidade, às pessoas, aos idosos” e da postura disponível para participar no associativismo, nas lutas sociais, inclusive nas edições e tertúlias de poesia iniciadas no Pinhal Novo quando ele, Álvaro, era o Presidente da Junta, sublinhando que fizesse frio ou chovesse, quando outros com mais mobilidade ficavam em casa o José Raposo estava presente.
José Carrilho Raposo – que participou na tertúlia de poesia popular nas III Jornadas Literárias - emocionado disse umas breves palavras de agradecimento.
Francisco Naia cantou de improviso poemas do livro lançado e temas ligados aos caminhos-de-ferro, como um tema que não cantava há mais de 10 anos, desde que o cantou ao seu pai poucos dias antes deste falecer, que emocionou a assistência.
 Manuel Lagarto falou com emoção da importância da poesia na vida das pessoas e da sua relação com o autor, seu antigo colega de profissão, desde os tempos do namoro com a sua mulher. 
 
Mª Vitória Afonso elucidou a assistência da definição da poesia popular conforme Fernando Pessoa, intervenção que complementou muito bem as restantes.
 
Vítor Paulo maravilhou com a sua bela voz e a sua exemplar postura de músico profissional, interpretando temas do Zeca Afonso, do Cancioneiro Alentejano e terminou com um bonito tema que musicou de uma autora contemporânea, Alda Couto, “Desarrumaram-me a casa”.


Nesta animada sessão onde marcaram presença muitos familiares – filhos, noras, netos e bisneto - muitos amigos, nomeadamente dirigentes do CEDA – de que o autor é associado e foi grande activista – ou o Presidente Alma Alentejana, José Moutela que presenteou o autor com uma lembrança comemorativa dos 20 anos desta associação
Finalizou com todos os intervenientes em palco a cantar a “Grândola” e depois da habitual sessão de autógrafos seguiu-se um convívio enogastronómico com o autor, familiares e alguns dos intervenientes e amigos. 

                                          Fotos de João Santos
Também outros amigos, que pelas mais diversas razões não lhe foi possível estarem presentes, não quiserem mesmo assim deixar de enviar mensagens como foi o caso do académico e antigo DR do Ensino no Alentejo - e companheiro vice-presidente da MAG do CEDA - Bravo Nico, ausente em São Tomé e Principe, do Constantino Cortes - também dos Órgãos Sociais do CEDA - de Portalegre, do Ferraz da Conceição - secretário da MAG do CEDA - tal como José Francisco Colaço - ambos do Castro Verde e este também associado do CEDA tal como José Ventura Cruz Pereira, antigo Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Odemira, em Milfontes, também antigo DR do Ensino no Alentejo e no Sul, ou do Augusto Lança, de Sines, da edil de Montemor-o-Novo, Hortênsia Menino, do Armando Correia ou da Ana Massas, de Almada ou do grande Amigo de infância, Mário João Ferreira, no Porto,

O autor e o livro

Como refere na contracapa, o autor nascido em 1936 em Foros de Vale Lobos, Alvaladade-Sado - no extremo dos Concelhos de Santiago do Cacém, Aljustrel e Ourique - filho e neto de trabalhadores rurais iniciou a labuta nos campos a part-time aos nove anos, enquanto tirava a 4ª classe e foi sucessivamente guardador de gado, trabalhador rural e servente de pedreiro a partir dos 12 anos.
Idas prolongadas a Sines, na infância, onde o tio era limpador de máquinas da ferrovia, levou-o a sonhar ser maquinista.
Ingressou nos Caminhos-de-ferro - CP aos 20 anos, depois fez estágio para factor, na Funcheira, então uma Estação modelo, onde conheceu a Esmeralda, o grande amor da sua vida e onde nasceu o filho Eduardo. Com a promoção a 2ª classe rumou à diáspora, estabelecendo-se no Pinhal Novo e posteriormente na Venda do Alcaide, onde nasceram os filhos mais novos, Carlos e Ricardo. Trabalhou nas estações de Setúbal, Pinhal Novo e Palmela. Perto dos 50 anos fez um novo estágio para Regulador e terminou a carreira a chefiar o Posto de Regulação do Barreiro, das linhas Sul-Sueste.
Foi activista e dirigente associativo – Comissão de Moradores da Venda do Alcaide, director da Associação de Reformados do Pinhal Novo, representante do MURPI na ARS de Setúbal, secretário da MAG do CEDA - militante do PCP desde 1974, o seu partido de sempre. Ao longo da vida conjugou uma postura ética e poéticas ímpares com uma inteligência superior desaproveitada, nomeadamente na matemática, fruto do atraso proporcionado pelo ultramontano consulado salazarista.
Desde cedo teve o gosto pela escrita. Este livro reúne uma parte das muitas centenas de quadras, sonetos, quintetos, estilhas que, enquanto poeta popular repentista escreveu ao longo da vida – em papéis soltos, guardanapos, grande parte deles irremediavelmente perdidos - sobretudo a partir de 1992, quando se aposentou.
Aqui encontramos ecos de uma tradição milenar mediterrânica de fazer da palavra falada arte do improviso, onde o amor, o sonho, as questões sociais e políticas, o trabalho e a natureza, mas também elegias ao 25 de Abril, aos Encontros do CEDA, às conquistas académicas do filho Eduardo e a muitos passeios, convívios de grupos de reformados e idosos - que sempre animava com a sua poesia.

O autor participou na colectânea Os dias do Amor, Um poema por cada dia do ano, dirigida Inês Ramos, que reúne 365 poetas de todas as épocas e latitudes que escreveram sobre o Amor (2009) bem como nas 12 edições da Colectânea Encontros de Poetas Populares editadas pela Junta de Freguesia de Pinhal Novo e viu ainda diversas poesias suas publicadas na Revista Memória Alentejana, entre 2001 e 2015.


Em breve queremos deixar aqui a partilha do último aniversário do Roque, a 21 de Junho, do espectacular fim de semana passado no Porto, 10 dias antes, nós e a Anita com os Amigos Mário João e Fátima e ainda, breves pinceladas de duas viagens, ainda em Maio, uma delas no início do mês, nós - com o Roque a Almourol, Constância e Rio de Moinhos e outra, mesmo no fim do mês, só com a Anita ao mar de papoilas que então cobriam o chão dos  castelos de Juromenha, Terena e as flores de esteva na Serra d' Ossa.


21 de mai de 2016

Partilha de emoções e gerações - momentos de excelência na Oficina de Cultura

Mais uma vez, hoje, sexta-feira, dia 20 de Maio, a Oficina de Cultura protagonizou partilha de emoções e gerações - momentos de excelência - entre antigos alunos e professores, ou melhor, professores-alunos e alunos-professores.
Tal como aconteceu na quarta-feira, dia 18, o melhor que Almada tem, os seus melhores criadores - então da geração dos 20 anos, hoje da geração dos trinta deixaram o seu testemunho em momentos inolvidáveis, conforme programa anexo.
Com uma excelente moderação, este vasto programa com direcção e coordenação do docente  e Amigo António Sales - que está de parabéns e a quem envio um abraço fraterno - o Agrupamento de Escolas Emídio Navarro mostrou mais uma vez o seu potencial com esta "4ª Mostra de Vídeo em Meio Educativo. 60 Anos a Educar Almada", nesta ano que assinala 60 anos, em que os alunos que têm participado activamente são os grandes destinatários.
referência ainda à presença, na inauguração, dia 13 dos Amigos António Neves,  - Director do Agrupamento e que também esteve na exposição anterior - e Rui Baltazar - Presidente do Conselho Geral.
É caso para dizer, o melhor da grande Comunidade Educativa de Almada desta cidade Educadora apresentou na Oficina de Cultura a excelência dos(as) criadores(as) deste concelho Até domingo, dia 22, entre as 14h  as 19h e as 20h e as 22h.



Mais um momento alto da vasta programação que o Equipamento Municipal com maior centralidade em Almada como a aconteceu com anterior "Todos Têm... A Constituição da Liberdade", a já habitual Exposição Comemorativa do 25 de Abril de 1974 que se realizou na Oficina de Cultura entre 23 de Abril e 9 de Maio, onde mais uma vez. Entre os 21 projectos dos 11 agrupamento e duas Escolas Secundárias não agrupadas, se destacaram os Agrupamentos Emídio Navarro - António Sales - Anselmo de Andrade - Rui Silvares - Francisco Simões , onde há ainda a destacar as Secundárias Cacilhas-Tejo - António Moreira - e Fernão Mendes Pinto - Francisco Henriques e equipa.
Para que conste!

 Aqui, no encerramento com Paula Sousa (DEJ CMA) a usar da palavra, António Sales (AE Emídio Navarro), Américo Jones (AE Francisco Simões) e António (Sec. Cacilhas-Tejo)

3 de mai de 2016

Quando a mãe nos dá um beijo

Quanto é Doce
Quanto é doce quanto é bom
No mundo encontrar alguém
Que nos junte contra o peito
E a quem nós chamemos mãe
Vai-se a tristeza o desgosto
Põe-se a um ponto na tormenta
Quando a mãe nos dá um beijo
Quando a mãe nos acalenta
E embora seja ladrão
Aquele que tenha mãe
Lá tem no meio da luta
Ternos afagos de alguém

                                                                 José Afonso


 Meados dos anos 60, na casa onde nasci, na Funcheira. Sou o menino da direita. Estou frente à minha mãe, Esmeralda. Estou com o meu Amigo - há mais de 50 anos - Mário João e a sua mãe, D. Mariazinha. Ambas já partiram. Certamente onde estiverem olharão com ternura - como sempre o fizeram - para os seus meninos , ambos filhos primogénitos, hoje Homens fraternos e íntegros. Aqui fica a memória de um tempo sereno e eterno... e a Saudade, sempre.

27 de abr de 2016

Rainha de Copas pelo ALPHA Teatro com Sofia Raposo



Com a devida vénia publicamos, ainda que com quatro dias de atraso, citando as palavras breves mas sábias e certeiras do Amigo António Sales - com que assistimos juntos ao espectáculo - docente responsável, entre outros pelos Cursos Vocacionais de Educação Artística no Agrupamento de Escolas Emídio Navarro, um dos agentes culturais mais activos e decisivos de que Almada se pode orgulhar, enquanto Cidade Educadora que é:


O Reino do Teatro é em Almada, levado a cena pela companhia ALPHA-Teatro. Sofia Raposo dá corpo e vida à Rainha de Copas numa interpretação magistral encenada por Luis Menezes num misto de Teatro Físico com musica ao vivo com o duo MaiZé, e ainda com a participação de João Lisboa e Ruben Fernandes na manipulação da Marioneta"2"... estagiários do Curso Profissional de Teatro da Anselmo de Andrade


Parabéns ALPHA pela educação e exemplo artístico, Parabéns Almada pela política Cultural e Educativa.

Imperdível... Hoje, último espectáculo às 21.30h no Teatro Estúdio António Assunçã
o
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CD "Cante na Diáspora" disponível

Depois de na semana anterior ter sido objecto de divulgação no "Diário do Alentejo", acaba de sair na "Folha de Montemor", na rubrica "À soleira da porta" a crónica que temos o prazer de partilhar:



CD lançado recentemente

Cante na Diáspora

A edição deste disco surgiu há cerca de um mês, em complemento à publicação da Revista Memória Alentejana, número duplo 35/36, saído a 28 de Novembro, no âmbito das comemorações do 1º aniversário do reconhecimento pela UNESCO do Cante como Património Cultural e Imaterial da Humanidade – conforme referido na crónica de Dezembro. Em Almada, onde teve lugar o lançamento da Revista, realizou-se um conjunto de eventos com a denominação de “Almada Homenageia o Cante Alentejano” organizados pelo Grupo de Trabalho de Cante do Concelho de Almada – GTCCA - como sejam um colóquio – que coordenamos - movimentando mais de 200 pessoas e um espectáculo por onde passaram mil pessoas.



Revista O Cante na Diáspora

Esta edição da Revista, denominada “O Cante na Diáspora”, apresenta o levantamento dos 29 grupos corais alentejanos activos existentes no Diáspora, num espaço tão vasto que abrange toda área Metropolitana de Lisboa - Norte e Margem Sul, Península de Setúbal, onde existem a esmagadora maioria dos grupos, mas também Cartaxo, Porto, Tunes, Albufeira ou Toronto, no Canadá.

Julgamos que é a primeira vez que se faz um levantamento como este, pelo menos nestes moldes, de todos os grupos corais alentejanos existentes na Diáspora. Nesse sentido, tem um significado que não se pode olvidar enquanto factor de valorização da nossa cultura, por outro lado, é também revelador da vitalidade que caracteriza o cante existente na Diáspora.

O grupo coral alentejano mais antigo em actividade na Diáspora é o Grupo Coral Alentejano da Amadora, fundado em 1972. Todavia, anteriormente surgiram grupos na Diáspora que cessaram a actividade como o Grupo Coral da Casa do Alentejo de Luanda, que terá existido entre 1965 e 1971, ou os grupos corais que terão existido  na Casa do Alentejo, em Lisboa, respectivamente o Grupo Coral Engenheiro Martins Galvão, entre 1955 e 1968, ou mais recentemente, o Grupo Coral da Casa do Alentejo, activo entre 1968 e 1974. Também na emigração, em Paris, terá existido um grupo que terá cessado recentemente, mas não dispomos dados fidedignos. Por outro lado, se recuarmos aos anos 20, encontramos referência a um denominado Grupo Coral da Casa do Alentejo, ainda nas anteriores instalações desta associação regionalista, na Rua da Atalaia, que se reporta a 1926/27 e que teria sido um dos mais antigos grupos corais existentes não só na diáspora mas também no Alentejo, pioneiro na forma organizada de interpretar o cante.

Por outro lado, a existência destes grupos de que fizemos o levantamento, tem uma grande importância para a preservação e divulgação do cante, decisiva mesmo, pois a sua existência significa que o cante geograficamente não está apenas restringido ao Alentejo – Baixo, Litoral e parte do Central – mas antes estende-se a quase todo o país – desde o Porto até Albufeira – bem como a outros continentes – caso de Toronto, Canadá. Aqui reside também a universalidade do cante. 



Cante na Diáspora em CD

Exemplificativa da pujança do Cante e da Cultura Alentejana na Diáspora é a edição deste CD e a forma entusiástica como os dez grupos presentes se disponibilizaram de imediato a integrar o projecto. Devido à resolução de aspectos autorais e outros – que requereu uma negociação morosa com a SPA – o CD, que apresenta 20 temas de dez grupos - de Almada, Palmela e do Seixal, saiu posteriormente à edição da Revista.

Estão presentes nesta colectânea os grupos corais alentejanos existentes nos concelhos de Almada: Grupo Coral e Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó, Grupo Coral Alentejano Recordar a Mocidade do CIRL e Cantadeiras de Essência Alentejana

de Palmela: Grupo Coral Ausentes do Alentejo, Grupo de Cantares Modalentejo e Grupo Coral 1º de Maio do Bairro Alentejano

e do Seixal: Grupo Coral Feminino As Papoilas da ARPI do Fogueteiro; Grupo Coral  Alentejano Lírio Roxo; Grupo Coral Operário Alentejano do CCD Paivas e Grupo Coral Alentejano da ASSTA do Seixal. Quatro são femininos – dois de Almada, um de Palmela e um do Seixal – e seis são masculinos.

O mais antigo é o Grupo Coral Operário Alentejano das Paivas, (masculino), surgido em 1975 - Seixal - e o mais recente é o Grupo de Cantares Modalentejo, (feminino), Quinta da Marquesa II, Palmela, fundado em 2011.
 

Neste CD encontramos uma diversidade de temas onde a saudade e a vontade de regresso à Terra amada, a importância da natureza, o trabalho, o amor e a religiosidade estão presentes, as modas, exclusivamente corais, são provenientes do Cancioneiro Popular. Houve, por outro lado, na preparação do CD, a partir do repertório de cada grupo em presença, o cuidado de apresentar essa pluralidade temática, que afinal no seu todo simboliza a alma do Alentejo e dos(as) alentejanos(as).

Está em curso a sua distribuição não apenas pelos grupos que surgem no CD como os que são apresentados na Revista, bem como a entidade que patrocinou a edição do CD, a Junta de Freguesia de Laranjeiro e Feijó, mas também pelas entidades apoiantes da edição da Revista – Municípios de Almada e Palmela ou Entidade Reguladora de  Turismo – ERT - do Alentejo e Ribatejo. Também a AMBAAL/CIMBAL, a CIMAC, que apoiam na distribuição aos 33 municípios associados – para as respectivas bibliotecas e associações culturais desses concelhos – como ainda a alguns municípios do Norte Alentejano, à DRCA, à Biblioteca Pública de Évora, grupos de Trabalhos do Cante, como o de Castro Verde, MODA – Associação do Cante Alentejano, Casa do Cante de Serpa, entre outros.

Este disco foi editado pelo CEDA – Centro de Estudos Documentais do Alentejo-Memória Colectiva e Cidadania – e a sua Revista Memória Alentejana, tem o patrocinada da Junta de Freguesia de Laranjeiro e Feijó e o disco virá a ter distribuição em livrarias de referência e quiosques em Lisboa, Margem Sul e nalgumas cidades Alentejanas, mas poderá ser solicitado para: cedalentejo@gmail.com, sendo que o preço de capa da Revista com o CD é de 5,00 €.

A edição deste CD pode ter um papel importante para a autoestima dos Alentejanos, nomeadamente os cerca de 500 mil existentes na Diáspora, pois o Cante representa a marca identitária mais poderosa do nosso património imaterial. Há outros aspectos muitos importantes como a gastronomia, o território - o montado – mas o Cante é o que  certamente revela maior sentido de pertença. Claro que pode não ter a mesma importância para todos os alentejanos, quer os da Diáspora quer os que vivem no Alentejo, mas para muitos, assistir, viver uma actuação de Cante – seja em palco, seja à roda de um tinto e um petisco como acontece na Venda do Engrola, em Serpa, e noutras locais, seja no Alentejo, seja na Diáspora, é como assistir a um ato litúrgico da terra transtagana, daí que para muitos, nomeadamente para os cantadores, seja como o ar que se respira.

Após a apresentação pública deste disco prevista para breve – que poderá vir a ter uma reedição visto a grande aceitação que está a ter -  poderá seguir-se um espectáculo ao vivo reunindo todos os grupos que nele participaram.
Eduardo M. Raposo
eduardoepablo@gmail.com