5/Jul/2009

Morreu o Poeta José Rodrigues Vilhena

Amigo Zé Vilhena


Nunca mais acenderás no meu o teu cigarro!


Certamente onde estiveres continuarás com o teu riso franco e luminoso e contagiante, sempre optimista e bem disposto, "um construtor permanente de sonhos" e "um militante da Vida" onde "o Amor vence o ódio e o medo", como um dia escrevi.

Doeu-me a notícia do teu desaparecimento, mas doeu-me também pela forma como me foi dada, pelo jornal e... tantos dias depois.

E, fiquei parado no tempo, pensando se fará sentido o tempo que às vezes sou obrigado a perder com indivíduos medríocres que simplesmente não existem, em vez de estar a "gastar " o tempo com algo útil para a humanidade e.... há tanta coisa para fazer, e que está ao nosso alcance ou.... como, por vezes, se perde tanto tempo acomodados com o status e a mera e bizarra "felicidade" material e o "parecer bem" e se deixa a Vida passar ao lado, o Amor passar ao lado... quando somos assim confrontados com a morte como eu fui confrontado com a tua morte, Amigo Zé Vilhena, percebemos que cada minuto perdido é... a negação das belas teorias que faltam tornar-se realidade.

Recordo-me agora do prefácio que me pediste para o teu (último livro) A Essência da Raiz e da sessão de apresentação em Sines, em 2006, naquela bonita festa que a população te dedicou e da forma fraterna como me recebeste a mim e ao meu pai na tua casa.

Aqui deixo um excerto e...

até sempre, Companheiro Zé Vilhena!
Em Novembro de 2008, quando foi distinguido com a Medalha de Mérito Municipal


Carta a um Amigo

Pediste-me, Zé Vilhena, para escrever um prefácio para o teu novo livro A Essência da Raiz. Fiquei cheio de contentamento mas também receoso. E se não fosse o prefácio que tu esperavas? Mas como aprendi a não virar a cara às dificuldades, resolvi meter mãos à obra, o que me dava muita alegria, pois sentia-me honrado por este amigo - que conheci pela mão do Zé da Fonte Santa e ao longo dos anos aprendi a respeitar e a admirar - me ter destinado esta bonita tarefa.

Quando comecei a ler o livro percebi que tinha pela frente algo mais complexo. Mas comecei a sentir-me transportado para um tempo outro, da meninice. Um tempo das viagens de automotora desde a Funcheira, nesses dias sempre especiais. A Festa da chegada à praia. Sines. A Festa que era para o do menino o mar, o sol, o sal, as gaivotas. A liberdade do mar. E depois o regresso ao lusco-fusco no cântico dos insectos. A magia de ser livre, de ser um pássaro do Sul, aconteceu aí pela primeira vez. Só muito mais tarde compreendeu, quando se deu a perca da liberdade dos pássaros. A serenidade do seu mundo dos campos e da ribeira e da horta e dos pais, jovens belos e felizes e da avó que lhe dava toda a ternura do mundo e da menina distante mas ao seu lado, falando-lhe dos seus mistérios na soleira da porta do monte. E o menino rodopiando na estação, no seu pequeno palco do mundo. O menino feliz.

Depois deu-se a perca terrível. A chegada aos arredores da grande cidade num dia cinzento. E veio o medo. E o menino não mais dançou. E partia de regresso ao mar que lhe amenizava a dor. A ânsia da procura da felicidade. A praia estava diferente e partiu para a ilha e percorreu a costa. Antes de Rui Veloso e de “o primeiro beijo”. Tempo de vida, de amigos, de aprendizagem e de esperanças depois desfeitas. A Sofia chegou e levava-a a brincar no mar. Ainda hoje. Mas a inquietação mantinha-se. A falta da menina da sua infância deixava-o infeliz. Então deu-se o regresso da luz. O reencontro. A Felicidade. Plenitude do momento ou da eternidade. E de novo o mar. (...)

Os teus frescos desta tua terra de gaivotas levaram-me por esse (meu) tempo outro. São crónicas da vida onde por vezes se atingem momentos de grande beleza. O Amor, a Amizade, a Dignidade, a luta pela Liberdade, Abril, a construção da democracia, o movimento sindical, a esperança e a desilusão, a justiça, a solidariedade, a ironia, a festa do mar e do Carnaval…
És amigo, um carpinteiro multifacetado usando várias ferramentas, onde se destacam as imagens poéticas e uma investigação muito particular, onde houve até o cuidado de documentar o texto ou o poema com imagens da epóca. És, mas és mais do que o autoditacta, do que o historiador, do que o
antropólogo, do que o poeta.
És, amigo Zé Vilhena, um assumido poeta da vida, que os desencantos não conseguem desgastar, porque tu não desistes de deixar-te encantar pela magia da vida, pela capacidade de acreditar que a felicidade é possível, que existe. Não abdicas da luta pela Vida, pelo Amor.

És, Amigo, um construtor permanente de sonhos onde não há lugar para a tristeza, para o silêncio, sim para a partilha, para a comunhão, para o encontro. Deixas-nos momentos de grande beleza nas crónicas onde nos falas do Amor, onde o Amor vence o ódio e o medo. És um apaixonado, um militante da Vida, do Amor.

Obrigado Amigo Zé Vilhena, por partilhares comigo, com todos nós, a beleza da construção do sonho, da Felicidade, a razão afinal de estarmos aqui.



1/Jul/2009

Leolinda na Casa do Alentejo


Leolinda é Calipolense. É Poeta. É música – fez o curso complementar de acordeon, toca piano…. Leolinda é pintora...

Num dia mágico, depois de logo pela manhã termos visitado Florbela, presenteou-nos com uma visita guiada ao seu imenso espólio, das suas muitas dezenas de belas pinturas que preenchem todas as paredes e não só, duma antiga casa, bem alentejana, de muitas assoalhadas e vários pisos. Foi num dia mágico em Vila Viçosa…


Leolinda Trindade foi organista no paço Ducal de Vila Viçosa. Está representada em várias colecções particulares. Colaborou em vários jornais do Alentejo, foi premiada em diversos jogos florais e figura em Antologias de Poesia, como na Antologia de Poetas Alentejanos do século XX, realizada por Francisco Dias da Costa, provavelmente a mais importante Antologia feita até hoje sobre Poetas Alentejanos.



Leolinda tem uma exposição na Casa do Alentejo – Salão de Olivença.
Leolinda está feliz, pois cumpriu um dos seus sonhos: expôr na Casa do Alentejo, como me disse ao telefone com um grande sorriso. Fico contente, Amiga Leolinda!



Parabéns Leolinda!


Inaugurada no dia 19 de Junho, a exposição está patente até meados de Julho. A não perder!


Do seu livro o silêncio das palavras, com capa por si ilustrada, partilho dois belos sonetos


Momentos

Abriram-se as roseiras do jardim
ao vires à minha casa p’la tardinha,
e veio pousar-me à porta uma andorinha,
só p’ra te ver passar ao pé de mim!

Eu vi-me num palácio de marfim
como uma afortunada princesinha…
ciosa de uma jóia que era minha
e que eu guardei feliz até ao fim

Não era sonho não… que a tua imagem
enchia a minha casa como um grito,
e eras mesmo tu… e não miragem…

sentado ao pé de mim, de fronte erguida
à nossa volta estava o infinito…
já não contava o tempo, nem a vida


Júbilo

Chegaste ao pé de mim… como sorrias,
dir-se-ia que a terra estremeceu,
tinhas luz no olhar e não sabias
Que o mundo mais parecia ser só teu.

E as horas que passavam tão sombrias,
ficaram tão felizes como eu…
Se entrasses no meu peito tu dirias
Que até o coração me enlouqueceu.

E tu estavas ali na minha frente,
sereno como um Deus… quase indiferente
À Primavera que brotava em mim…

Saíam estrelas lindas dos teus dedos
E vinham-me dizer estranhos segredos
Com pena de eu te amar, tão louca, assim!
Leolinda Trindade

23/Jun/2009

o primeiro Solstício do Roque

Chegou de novo o Solstício de Verão. A primeira vez, desde que o Roque veio, com um arsinho quase assustado de acabado de chegar, mas depois sorriu-me com serenidade.


Foi um dia especial. O Roque o conjunto de linho suave debruado a azul turquesa e calçado de pele macia a condizer com tom e motivos da mesma côr, trazido propositadamente de
Marraquexe, e eu o meu shi´lab de seda, próprio para ocasiões muito especiais, perfumamo-nos com jasmim e fomos, de mãos dadas tomar uma chávena do melhor chá do mundo - de menta com hortelã. Instalámo-nos num café simpático mesmo à entrada daquela que será sempre um lugar mágico, a Praça Jemaa el-Fna...

... li-lhe alguns dos meus poemas preferidos e falei-lhe dos canaviais de Aghmâte. De irmos um dia àquele lugar secreto prestar a nossa humilde homenagem a Almutâmide e a Itimâde. Falámos a linguagem dos deuses e entendêmo-nos. Sabendo que o Amor, tal como a Poesia, não é apenas possível e necessário; é urgente, é insubstítuivel, é imprescíndivel!
Parabéns Roque, pelo teu Primeiro Solstício!

Persegue sempre o Absoluto!

Não desistas nunca da Perfeição!

Assim saberás saborear o secreto sabor da Felicidade!


29/Mai/2009

Encontro com Lorca em Mértola "a las cinco de la tarde em puento"


De repente, quando procurava as águas calmas do Odiana num início de noite suave, sinto-me a esvair-me em sangue. Deixo a sua marca vermelha na pedra milenar ante a indiferença dos transeuntes que já perderam o olfacto do cheiro forte de sangue e o seu tom inebriante de vida suprema e de morte…

Releio “Dom Perlimplim com Belisa em seu jardim” a propósito de uma futura encenação de um amigo. E, reencontro, de repente esse universo de fogo e sangue, de jasmim e gazela, de água pura, de menino e anjo, de duende, de água pura dada a beber à boca da amada (como em "Yerma"), na tua boca, da fonte cristalina e milenar, que torna o momento pleno e o nosso Encontro perene, doce minha. Esta leitura renovou-me o sangue, deu-me sangue novo, agora quase agonizante, convalescendo de uma cirúrgia imprevista – a morte e os seus sinais não serão sempre imprevistos?! – para não me esvair de novo em sangue…
















Agora percebo como o sangue marcado na pedra foi um Encontro com Federico, desde que em 1985, ao conhecê-lo, estudá-lo, (até homenageá-lo no ano seguinte, em Setúbal, 50 anos depois)me levou a iniciar uma longa e difícil caminhada até Almutâmide. É como se Federico me tivesse vindo visitar às margens do Odiana, na pedra milenar de Mértola, assinalando com sangue, “vermelho vivo-sangue” o subir de mais um degrau… como acontecera com a visita ao mausoléu de Almutâmide… e as rosas vermelhas que levei na bagagem para o poeta de Beja e para a sua doce Itimade. Refiro-me à apresentação de “Papoila de Odiana – Dançar a Poesia de Almutâmide” no Cine -Teatro Marques Duque, no Festival Islâmico deMértola.






















E houve o Encontro com os amigos: o Eduardo Ramos e a sua singular e bela música, o João Mário Caldeira, o Paulo Barriga e a sua simpática família, o M. Passinhas, o Santiago Macias, a Nádia Torres... os amigos que foram propositadamente ver a "Papoila"e/ou jantar connosco -o José Orta, o João Cágado, a Teresa Cuco, o Carlos Alberto e a Maria de Albufeira e... uma noite diferente, na sexta-feira, a Noite da Dycra, com a Comunidade Islâmica do país vizinho, onde fui com o Tiago e conheci novos amigos, no característico jantar islâmico...






e, partimos por dentro do arco-íris...














ou como Federico escreve, no seu Gazel I, Do Amor Imprevisto (Diván del Tamarit)


Ninguém compreendia esse perfume

da escura magnólia de teu ventre.

Ninguém sabia que martirizavas

um colibri de amor entre teus dentes.


Mil eram os potros persas que dormiam

na praça com luar da tua fronte,

enquanto eu quatro noites enlaçava

tua cintura, inimiga da neve.


Entre gesso e jasmins, o teu olhar

era um pálido ramo de sementes.

Eu busquei, para dar-te, no meu peito

as letras de marfim que dizem sempre.

(...)






Convalesço, reencontro o sangue novo, renovado, sabendo que, em breve

“Voltarei
no meu cavalo de fogo
voando entre pessegueiros em flor
e campos de papoilas
pleno de vida
rejuvenescido
voltarei
ao teu encontro.”


21/Mai/2009

"Papoila de Odiana - dançar a Poesia de Almutâmide" no Festival Islâmico


13/Mai/2009

"Cantigas do Maio" - tributo maior ao Amor... e ao Alentejo


8 de Maio

Na RTP Memória, Programa "Pontos nos íis"
"A nossa canção de protesto"
por Mário de Figueiredo
Mesa-redonda com José Jorge Letria, Viriato Teles e Eduardo M. Raposo


Recebi uma simpática mensagem, de que publico um excerto.
Intitula-se:

O Poeta chorou

"Caro amigo
Quero dizer-lhe algumas palavras sobre o programa “Pontos nos is”de ontem. Vi, com o meu marido do princípio ao fim até porque éramos no passado telespectadores assíduos do Zip.
Mas como tenho um sentimento profundo de partilha, avisei o meu amigo Fernando Reis Costa da hora do programa e ao intervalo aí estávamos nós a trocar impressões via net.
Ele é um poeta sensível e inspirado (pena n/ ser alentejano) mas é de Coimbra .Eu trato-o por meu irmão pois tem-me ajudado muito a crescer na literatura e na vida.
É uma pessoa incrível.
Ele gostou muito do seu depoimento e disse que quando o sr. Falou da Funcheira e de seus pais ,captando a sua sensibilidade(ele era da área da psiquiatria) ele chorou..
Finalmente digo que o programa foi extraordinário(...)"

Maria Vitória Afonso


Um abraço de agradecimento, extensivo a todos os amigos que viram ou gostaríam de ter visto o programa


e este belo Poema/canção, um dos meus preferidos do Zeca,
para a Mulher que eu adoro!...

Eu fui ver a minha amada
Lá p'rós baixos dum jardim
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para se lembrar de mim

Eu fui ver o meu benzinho
Lá p'rós lados dum passal
Dei-lhe o meu lenço de linho
Que é do mais fino bragal

Eu fui ver uma donzela
Numa barquinha a dormir
Dei-lhe uma colcha de seda
Para nela se cobrir

Eu fui ver uma solteira
Numa salinha a fiar
Dei-lhe uma rosa vermelha
Para de mim se escantar

Eu fui ver a minha amada
Lá nos campos eu fui ver
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para de mim se prender

Verdes prados, verdes campos
Onde está minha paixão
As andorinhas não param
Umas voltam outras não

Refrão:
Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu. Ai Deus mo levou
José Afonso (Poema e música sobre a letra de refrão popular)

25/Abr/2009

O Canto da Utopia - 35 anos de Abril



Cantor de Intervenção

Evocando! Sob uma azinheira
O menestrel compõe sua poesia

No montado, escondido da cegueira
Da ditadura feroz que o perseguia.

Grândola o protege e se esgueira
Faz o poema senha que dá magia
Ao cariz da revolução obreira
Que devolve a Liberdade, a Alegria.

Tu, sábio cantor de intervenção
Fizeste poema e musicalidade
A Grândola com tua gratidão

25 de Abril não será esquecido
Tu foste o arauto apetecido
Um Premonitor da Libertação


Maria Vitória Afonso




Qual não foi a surpresa, na madrugada de 24 quando fui ver as mensagens, cansado de viajar e deparo-me com este soneto, - “Cantor de Intervenção” - que acima publico, com a devida vénia, e transcrevi a (exageradamente) simpática mensagem da poetisa Maria Vitória Afonso.

"Caro amigo:Venho por este meio agradecer a oportunidade de assistir à apresentação do seu livro que já comecei a ler.O senhor é um alentejano brilhante . Comoveu-me o prefácio da terceira edição quando fala de sua casa no Sul na Funcheira. Eu tb adoro o concelho de Ourique. Os meus avós viviam em Santa Luzia e eu vivi lá. E um lugar mítico para mim . Eu tenho a paixão do Alentejo . Não sei descrevê-lo como o senhor. Os meus parabéns. Envio-lhe um soneto que acabei de escrever há 5 minutos e que o seu livro me inspirou. Um bom feriado.
Maria Vitória Afonso"


A minha casa, é o Alentejo todo, é o Mediterrâneo, é o universo... é onde o meu Amor estiver!


E, a propósito:
Onde é que estavas quando foi o 25 de Abril?
(frase que se celebrizou pela voz do Baptista Bastos…)

Bem, eu recordo-me de estar a andar de bicicleta - não numa ecopiosta, claro - com um amigo da altura, o Carlos, que há muito lhe perdi o rasto. Andávamos no Ciclo Preparatório. Recordo de termos comentado com a ingenuidade e a ignorância da idade e da altura que talvez os espanhóis tivessem invadido Portugal…



E o outro poema, tambem inédito, julgo, com a devida vénia, a que a autora lhe chamou (Rimas) Canto de Intervenção, foi lido na apresentação que fez deste livro (Canto de Intervenção 1960-1974) no lançamento desta 3ª edição, há exactamente dois anos, na Casa da Música, - quando, ao se referir a mim, o fez como nunca ninguém o tinha feito, de uma forma muito especial … única – e já tenho tido o prazer e o orgulho de excelentes apresentações –mas daquela vez encontrou as palavras certas, pois teve a sabedoria de exprimir em poucas palavras o que caracteriza o melhor de mim… de que não resisto a citar um trecho.



"Trabalho árduo e persistente, feito com paixão.
A fraternidade e a persistência foram as primeiras qualidades que conheci do Dr. Eduardo Raposo no final de 2002 pouco antes da apresentação a 30 de Novembro do meu segundo livro de poesia “ o meu Amor é Árabe”no Páteo Árabe na Casa do Alentejo em Lisboa de que era Vice-Presidente pelo Ceda-centro de estudos documentais do Alentejo, de que foi fundador e era e é [foi]Presidente.


Hoje posso dizer,
como De Gaulle ao receber as credenciais de um diplomata sírio
“ Conheço-vos as areias e os sonhos”


Eduardo Manuel da Conceição Raposo nasceu a 8 de Dezembro de 1962, dia em que nasceu e faleceu Florbela Espanca e dia de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal. Nasceu na Funcheira, concelho de Ourique, distrito de Beja.

O autor tinha assim 11 anos quando aconteceu 25 de Abril.
O berço alentejano deu-lhe para sempre a necessidade da liberdade desmedida, infinita mesmo, associada à planície e à lonjura do horizonte, uma liberdade natural, parca de bens matérias mas perfumada e apaixonada em que “só o sonho comanda a vida.”
Lugares parcos de palavras, em que só as necessárias são ditas, mas por isso mesmo as ditas são sentidas e com sentido. O Alentejano quando fala “não desvia a cabeça nem baixa nunca o seu olhar” palavras do Poeta Manuel Alegre em Alentejo e Ninguém."




Canto de Intervenção

Tempo em que a Canção foi arma
apontada à raiz do pensamento
Quando os Capitães avançaram
ao som de Grândola, Vila morena
As Gentes da rua se lhes juntaram
Com o cravo vermelho, a sua arma
e os canos das espingardas taparam
O ventre aberto a Catarina bastara!
…e as lágrimas de tantas mulheres!
sobre caixões regressados da guerra


Maria Lascas