31 de dez de 2007

A Mina do Lousal... e a renovação da VIDA!...


No dia 15 de Dezembro aconteceu em diversos espaços - no auditório, no museu, no restaurante, etc - um conjunto de iniciativas no âmbito do lançamento da Revista Memória Alentejana - nº duplo 21/22, com dois cadernos temáticos, respectivamente sobre as Minas do Alentejo e sobre os Cantores de Intevenção. Houve visionamento de imagens das Minas nos anos 50, relatos de histórias de vida de antigos mineiros - a cargo da socióloga Paula Rodrigues, autora da obra Vidas na Mina Memórias, Percursos e Identidades. Houve a visita ao Museu guiada pelo Dr. Fernando Fantasia, administrador da Fundação Frederic Velge e da SAPEC, e pelo Manuel João, antigo mineiro, filho e neto de mineiros, e grande animador do grupo coral local. Houve poesia popular pelo poeta José Carrilho Raposo. Houve diversos intervenções informais e fraternas e... terminou com um excelente recital de música e poesia, com a participação do Amigo de sempre Francisco Naia e do excelente diseur, o juiz e antigo actor Jorge Lino, que nos deliciou, entre outros, com um magnifico "Sermão aos peixes" do Padre António Vieira, recital que teve ainda a participação do escritor e poeta grandolense Costa Neves. Foi tão bonito ao ponto de a Nédia, esposa do companheiro Rogério de Brito , Presidente da MAG do CEDA , afirmar que nunca tinha assistido a uma sessão com um grau de interacção como esta no CEDA... nos não iriamos tão longe, houve outras, nesta ou provavelmente noutras áreas... mas ficamos contentes por se ter proporcionado momentos tão verdadeiros... a todos um grande abraço: aos amigos já referidos e tambem à Natália Nunes, ao Domigos Montemor, ao César Pires, ao José Matias, ao Luís Ferreira e.. a todos os presentes...















































































































Maria Sol de madrugada Flor de tangerina

Maria
Nascida no monte
À beira da estrada
Maria
Bebida na fonte
Nas ervas criada

É muito bonito este poema. É do Zeca. O Zeca gravou-o no disco “Cantares de José Afonso”, o EP que saiu em 1964. Um disco que fala do encontro do Zeca com o Sul. Um disco que fala do encontro do Zeca com o Amor. Um disco onde o quatros temas são da autoria do Zeca, letra e música. Onde encontramos a “Canção do Mar” ou “Ó vila de Olhão”. Sobre o Sul, sobre o Amor o Zeca escreveu:
“o conhecimento da Zélia, num lugar do Algarve, reconciliou-me com a água fresca e com os tons maiores. Passei a fazer canções maiores.”
Nesse mesmo ano o Zeca veio a Grândola cantar. Foi na “Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense”. Fê-lo a convite de seu amigo Hélder Costa, como este nos dá conta nestas páginas, num belo fresco da memória onde nos relata esse encontro do Zeca com Grândola, encontro que terá estado na origem do tema que depois foi a senha da revolução do 25 de Abril. Desse encontro com a “Vila Morena”, o génio maior da música popular portuguesa e mundial diz-nos também desta forma apaixonada:
“(…) e então fiquei extremamente impressionado com a colectividade: num local quase sem estruturas nenhumas com uma biblioteca de evidentes objectivos revolucionários, uma disciplina generalizada e aceite entre todos os membros, o que revelava já uma consciência e maturidade políticas”.
Talvez
Que Maria se espante
De ser tão louvada
Mas não
Quem por ela se prende
De a ver tão prendada

Mas o Zeca esteve também em Aljustrel, a vila mineira, como nos relata Francisco Naia, ao tempo aluno do liceu local, onde teve um professor diferente que falava aos alunos da dignidade e confraternizava com ele cantando fados e baladas de Coimbra. O Zeca, que soube aprender com os mais humildes, com o “pão que o diabo amassou”, nestas suas andanças de professor, antes da sua tomada de consciência social e política última, que se terá dado durante a sua estada em Moçambique. Popular e querido do povo, este vem em peso despedir-se do professor humano, humilde e fraterno à estação do comboio, momento protagonizado pelo pai do Naia, o chefe Tonicher. (…)
Maria
De todas primeira
De todas menina
Maria
Soubera a cigana
Ler a tua sina

O Zeca manteve a sua relação, inclusive física com Grândola e percorreu o Alentejo e lés a lés a cantar, nomeadamente durante o PREC.
“(…)Recordo-me de experiências extraordinárias vividas com o Francisco Fanhais, com o Vitorino e tantos outros companheiros por estas aldeias fora, em terras em que a população se juntava para resolver o problema da escola, para calcetar as ruas, resolver directamente o problema da higiene(…)”
o Zeca que terá cantado a “Grândola” pela primeira vez num recital em 10 de Maio de 1972, em Santiago de Compostela, o que não estava previsto, mas entusiasmou-se e aconteceu, como outra vez que tanto se emocionou num recital para mineiros asturianos, como refere Benedicto García Villar.
Não sei
Se deveras se engana
Quem demais se afina
Maria

Zeca Afonso, homem livre e liberto, fraterno e solidário com os humilhados e com os perseguidos. O Zeca, o poeta. Zeca aqui justamente recordado na Memória Alentejana, e também o Adriano, seu companheiro de canto, de postura e de dignidade, ambos com o poeta Alegre e o Luís Cília, percursores desse movimento bonito e tão importante que foi o Canto de Intervenção. Nesta edição onde são tema com as minas do Alentejo – Aljustrel, S. Domingos, Neves-Corvo, Lousal –, e onde se publica um estado de um investigador brasileiro sobre Florbela – continuando o CEDA a expandir-se e a chegar assim à América Latina. Neste número, onde se dá conta das actividades do CEDA, nomeadamente em terras de Montemaior - na Herdade do Freixo do Meio, à arte do Sobreiro pelo amigo pintor Casa Branca guiada, ou o percurso inesquecível pelo mel, rio, moinho do Ananil, ferrovia, e vinho de Plansel registado em palavras mas sobretudo imagens, belas, pelo Alex Pirata, amigo apicultor. E os livros, muitos, tantos, que nos chegam, que encontramos, e os discos e os acontecimentos, sempre mais, a revista a aumentar o número de páginas.
E ainda parafraseando o Zeca ...
“(…)Toda a perspectiva progressista é compatível com os aspectos conservadores da cultura que se pretende conservar(…)”
A defesa das nossas tradições, nomeadamente as gastronómicas, e a conservação dos espaços de convívio dos nossas cantadores, as tabernas, espaços ritualizados que é preciso preservar, assim como a forma peculiar de confeccionar os alimentos e os utensílios usados, os fornos de lenha; tudo o que nos dá o sabor único da nossa gastronomia, da nossa doçaria, que é preciso preservar com dignidade face a ventos algo fundamentalistas e adulterações várias, que sobre ela por vezes se abate. Porque há que saber que o futuro, o desenvolvimento do Alentejo está no encontro da tradição com a modernidade, como aliás acontece na Mina do Lousal, onde este edição será lançada, apresentada, nesta Mina renascida, onde a par da tradição mineira e sua paisagem surge uma centro de ciência viva, espaço cientifico único em Portugal.
Este é o caminho...

Maria
Sol da madrugada
Flor de tangerina


























2007 despede-se marcado pelo horrível assassinato de Benazir Bhutto...

































Não sabemos se o ano de 2008 será melhor... com menos guerras, com menos ódio, com menos fundamentalismos....





Sabemos, todavia, neste momento de renovação da Vida - dentro de cerca de duas horas começa o novo ano -porque de fim e de princípio, de noite e dia, de escuridão e luz se trata como os povos antigos o viam e sabiam - sabemos que daremos a nossa singela e desprentensiosa mas rigorosa participação para melhorar, porque seremos melhores amanhã do que ontem, seremos mais fraternos e mais justos, mais fortes e mais poderosos, com maior capacidade de Amar e ser Amados, com maior certeza que a Felicidade existe!...
Neste Mar que nos dá serenidade, paz e nos revigora encontraremos a Luz para o caminho!...




16 de dez de 2007

por Amor ao Alentejo



Uma rosa para Florbela



Depois de uma lamentável avaria informática, regressamos…


Regressamos de
Vila Viçosa, onde no dia 25 de Novembro estivemos no lançamento da Revista Callipole, nº 15, sessão bonita, no último dia das IV Jornadas de Património. Respondendo ao caloroso convite da Autarquia Calipolense transmitido em Badajoz pelo excelente dinamizador cultural, o amigo Licínio Lampreia, revimos velhos amigos: os autarcas, o presidente da edilidade, Manuel Condenado, o Vereador da Cultura, Joaquim Viegas, o director da publicação Joaquim Saial, o editor Fernado Mão de Ferro, e… entre callipolenses com quem nos temos cruzado e confraternizado em anos anteriores… a pintora e poetisa Leolinda Carvalho… com quem falamos de fotografia…
E visitamos Florbela…
Um rosa deixámos…
Nesse dia… pensando em 8 de Dezembro, dia de morte e nascimento!...

Nesse outro dia estávamos a percorrer a planície entre Évora e Beja, Serpa... novamente Beja e Évora... recordando a personagem dum conto candidato ao Prémio Literário Pedro Ferro…

E nesse dia passamos por lugares marcantes… e levamos o mel que o amigo Alex nos deixara nas bombas de gasolina, junto a sua casa, em terras de Montemaior…


E no final do dia cantaram-nos Elis…

18 de nov de 2007

tertulia do Zeca: "Maria/Sol de madrugada/Flor de tangerina

no primeiro sábado frio deste final de ano, 17, convidado pelo meu amigo Naia, acompanhei-o a Praias do Sado, uma antiga aldeia onde o sal tinha um importante papel na economia local, até que, a partir dos anos 60 foi substituído por grandes empreas industriais como a SAPEC e a Setenave. Rumámos a uma colectividade popular com quatro décadas de existência, onde em 1973 aconteceu uma grande sessão de canto e poesia, com muitas centenas de assistentes, interrompida abruptamente pela PIDE que obrigou à fuga dos cantores. Entre eles estavam Zeca Afonso, A. P. Braga, José Jorge Letria, José Fanha e o próprio Francisco Naia...

Estava a receber-nos o amigo Acácio, um "velho guerreiro" do associativismo e... qual não é o meu espanto quando vou (re)encontrar velhos amigos de há mais de 20 anos, músicos/cantores da "Banda do Andarilho": o Albano, o Jorge Patrício, o Paulo, a Helena Guerra - que interpreta, com uma excelente voz, alguns temas do Zeca e fez um bonito dueto com o Chico, ficou espantada por me ver, exclamando: "Raposo, já não te via há 20 anos", e na despedida: "quando contar ao Zé António (o seu companheiro) ele nem vai acreditar". Reencontri também o Víctor Serra, velho amigo das tertulias literárias setubalenses de inícios de 80 - 25 anos atrás. E quando o Jorge, depois do jantar me perguntava o que era feito de mim, dei por mim a recordar-me 25 anos antes. Tão diferente, tanto caminho percorrido, tanta luta, tanta força para continuar a caminhada, na certeza da justeza das convicções, do que quero e do que sou e ... serei... tão diferente do jovem quase adolescente ainda, de então, tão cheio de dúvidas e incertezas da concretização dos sonhos que então já começavam a existir. As mudanças físicas foram infinitamente menores, pois senão estaria irreconhecível... então não sabia que a felicidade era possível... que se constrói, por vezes numa luta que julgamos só estar ao alcance dos deuses... mas apenas depende de nós... da nossa luta!


O Henrique Marques - amigo mais recente, representante da direcção da Associação José Afonso - que com o Rancho Folclórico de Praias do Sado e o Município de Setúbal, representado pelo amigo Daniel Ventura, organizaram esta tertúlia de homenagem a José Afonso -, referiu um facto que por vezes nos esquecemos: o Zeca "passa" muito pouco na rádio, acabam por "passar" mais outros interpretes que o cantam que o próprio Zeca. Outro aspecto evidenciado pelo Serra - poeta que disse poemas seus e que, com o Acácio e com o encenador e actor Luís Vicente, organizou a sessão de há 34 a nos atrás - o Zeca poeta, algo que é substimado e desvalorizado em prol do cantor e compositor inovador, genial, do homem livre, faterno, solidário... mas de que o poeta era, é também uma parte decisiva desta personalidade única. Porque esse é um aspecto extremamente importante como já referimos públicamente em locais diversos, deixamos um pequeno contributo, um dos seus mais bonitos poemas mas um dos temas menos conhecidos de José Afonso:



Maria

Maria
Nascida no monte
À beira da estrada
Maria
Bebida na fonte
Nas ervas criada
Talvez
Que Maria se espante
De ser tão louvada
Mas não
Quem por ela se prende
De a ver tão prendada
Maria
Nascida do trevo
Criada na trigo
Quem dera
Maria que o trevo
Casara comigo
Prouvera
A Maria sem medo
Crer no que lhe digo
Maria
Nascida no trevo
Beiral do mendigo
Maria
Nascida no trevo
Beiral do mendigo
Maria
De todas primeira
De todas menina
Maria
Soubera a cigana
Ler a tua sina
Não sei
Se deveras se engana
Quem demais se afina
Maria
Sol da madrugada
Flor de tangerina
Maria
Sol de madrugada
Flor de tangerina
José Afonso

10 de nov de 2007

a Rosa de Badajoz...

Há quem comemore o S. Martinho… eu também já o fiz. O ano passado resolvi passar algumas horas com as pessoas que me amam, que me continuam a amar mesmo sabendo que eu não sou perfeito… mas estava inquieto, sabia que algo de terrível ia acontecer … mas não tinha ainda encontrado a minha luz … estava para breve, muito breve e … fui protagonista dum acidente horrível … que me marcou muito … ainda faltava uma etapa para saber ler… as linhas da vida!...






Hoje, noite que a muitos inebria, acabado de chegar de uma viagem longa, olhei com a serenidade, com a paz, que a Vida nos ensina e sorri… cansado mas feliz…
Feliz por ter visto nascer o dia naquela cidade adormecida…

Feliz de ter vivido aquela noite única, onde no Restaurante do belo Hotel Zurbarán, com nome de pintor, chegaram cinco comensais famintos depois de primeiro recital em solo castelhano, ou melhor, extremeño, e como o Francisco Naia ao cantar a bela “Canção com Lágrimas” que eu tão bem conheço, de repente mudou o tom de voz, senti-o frágil, olhei-o e vi-lhe lágrimas nos olhos “ó meu irmão tão breve/nunca mais acenderás no meu o teu cigarro” e compreendi que ele não devia ter cantado aquele poema, e dei-lhe o meu braço, o meu ombro amigo… e ficamos os dois sós naquele Auditório cheio de público, da Diputación de Badajoz… não, naquele dia em que ele me tinha acordado com um telefonema triste: “ o meu irmão morreu” e mesmo assim percorremos 200 Km e fomos fazer o recital – e lembrei-me daquela actriz que perdeu um ente muito querido mas foi nessa noite para o palco fazer o espectáculo, porque a Vida não pode parar!
Feliz pela grandiosidade, pela coragem, pela grande estatura do Amigo, do Irmão Chico, menino, Irmão mais velho
!









E naquela noite saboreávamos iguarias subtis, quase soberbas, saboreadas com o requinte e parcimónia de quem aprendeu a preferir a qualidade… à quantidade, porque o espírito também se alimenta do bem estar físico… e foi muito espiritual aquela noite, de uma grande força espiritual… com o Amigo e Mestre Cláudio Torres sentado a meu lado contando, recordando 1961 e a sua viagem com mais 4 amigos num barquinho de 5 metros para Marrocos, e durante horas recordando cada pormenor de como foram recolhidos no mar alto, quase náufragos, por um navio de bandeira liberiana e como viveram depois em Rabbat, a Nádia nascida em 62, já a caminho, nessa viagem única e quase impossível, e as lutas e a vida da resistência, depois Paris, Praga - Primavera, Bucareste, ele o Mestre com a modéstia e a simpatia e o entusiasmo e amizade que ele tem, que ele é, ele… a quem horas antes eu tinha dedicado o recital quando eu falava dos jovens que, coerentemente fugiam à guerra, os exilados e … sugeria que teria começado aí o início de procurar entender o Outro, afinal o irmão do outro lado do Mediterrâneo, que se teria iniciado aí o caminho do Sábio que nos devolveu, mais tarde em Mértola, a nossa Identidade, a nossa História, escrita “nos cacos” – como ele gosta de dizer – esperando pacientemente para ser redescoberta. Foi uma noite mágica!



E logo ali senti-me tocado pela luz e disse-lhe: Cláudio, isso não pode ficar esquecido… e ao alvorecer, no quarto do suave hotel a ideia tomou forma e… nasceu um projecto bonito!
Feliz por ter reencontrado amigos, muitos amigos: o Licínio de Vila Viçosa, o director da Biblioteca de Olivença, o Joaquim Saial, director da Revista Callipole, o anfitrião director da Revista Estudios Extremeños Moisés Caytano Rosado e o seu secretário Faustino Hermoso – que no seu castelhano cerrado tinha dificuldade em nos compreender e em ser compreendido, e tantos outros amigos…
Feliz pelo debate e a reflexão com colegas directores de publicações tão diversas, estremeños e andaluces e… o Cláudio, director da Arqueologia Medieval, publicação única na Península por todas as razões…
Feliz me ter perdido com o Chico em pleno Badajoz, esfomeados, e os outros à nossa espera no restaurante…
Feliz pelas novidades sabidas do “Centro de Estudos Mediterrânicos e Islâmicos de Mértola” e os ensinamentos sobre as línguas dialectais usadas no Garb e o debate vivo sobre a terminologia “poesia luso-árabe” que eu proponho...






Feliz pelo passeio nocturno , com o Chico, o Zé Carita, o Ricardo Fonseca – os companheiros músicos – no casco viejo e… de repente parei maravilhado! O Chico olhou para mim e disse do fundo da alma: que bonito, que lindo, como é possível?!... Eu estava rodeado de pétalas de rosa… iluminado os meus passos… surgidas da noite…



Feliz, muito Feliz!


9 de nov de 2007

...o regresso dos pássaros...



os pássaros regressam na Primavera...

ou,
quem sabe,

talvez no Verão de S. Martinho...





Cheiro de Laranjeiras
Será alguém um dia
levado a pensar em mim
pelo cheiro de laranjeiras
quando eu também já for
«alguém há muito tempo»?


SHUNZEI, Rosa do Mundo - 2001 Pemas para o Futuro































Um Caudal Vagaroso


a minha casa é o repouso
onde a colina cede ao rio
que abraça
Strímon visto de Antípolis seris assim
um caudal vagaroso
atravessando
a desolação da tua alma.


MANUEL AFONSO COSTA, Os Últimos Lugares














e... para os pássaros que não conhecem fronteiras, aqui fica o convite... da
Diputación de Badajoz

II ENCUENTROS DE TRANSFRONTERIZO DE REVISTAS DE CULTURA

TEMÁTICAS
Papel cultural, reflexivo y crítico de las revistas de cultura
Edición impresa y electrónica. Coexistencia e interrelaciones. Distribución e intercambios.
Portal Transfronterizo de revistas de cultura en Internet.
PROGRAMA:
Fecha: 10 de Noviembre del 2007.Lugar: Patio de Columnas de la Diputación de Badajoz.C/ Obispo, 6. Badajoz
09:30 h. Acreditación y recogida de documentación.10:00 h. Sesión oficial de Apertura.10:30 h. Primer Eje Temático.
Papel cultural, reflexivo y crítico de las revistas de cultura (públicas y privadas): "Mirando al futuro".
Ponentes:
- Eduardo M. Raposo (Revista "Memoria Alentejana")-
Antonio Martín (Revista QAZRIS)-
Jacinto o Paco Rebollo (Revista versión Original)-
Claudio Torres (Centro Arqueológico de Mértola)
11:30 h. Debate12:00 h. Pausa para el café. 12:15 h. Segundo Eje Temático: Edición impresa y electrónica. Coexistencia e interrelaciones. Distribución e intercambios.
Ponentes:
- Joaquín Aguirre Romero (Univers. Complutense. Madrid)
- Enrique Bustamante (Univ. Complutense. Madrid)
- Antonio Rodríguez de las Heras (Univ. Carlos III. Madrid).
-Mario Díaz Barrado (Univ. de Extremadura).
13:45 h. Debate14:15 h. Pausa para comer16:00 h. Tercer Eje Temático. Portal Transfronterizo de revistas de cultura en Internet.
Ponentes:
-Pedro Hipola (Universidad de Granada).
- Eloy Martos (Universidad de Extremadura. Revista "Puertas a la Lectura).
- Artemio Baigorri (Universidad de Extremadura).
- Joaquim Saial (Revista Callipole).

17:00 h. Debate
17:30 h. Pausa para el café.
17:45 h. Comunicaciones presentadas
19:00 h. Relatoría de conclusiones y compromisos. Moisés Cayetano Rosado (Revista Estudios Extremeños) y Faustino Hermoso (Diputación de Badajoz).
19:30 h. Acto de clausura oficial

ACTIVIDADES PARALELAS:(5 al 11 de noviembre de 2007. Lunes a domingo)
EXPOSICIONES:
En el Patio de Columnas de la Diputación: Planos, Guerras y Frontera, del Gabinete de Iniciativas Transfronterizas de la Junta de Extremadura.

En la Sala de Exposiciones "Vaquero Poblador" de la Diputación: Fotografías de temática transfronteriza, de dos fotógrafos españoles y dos fotógrafos portugueses (a cargo de la Agrupación Fotográfica Extremeña).

En medio de la Sala de Exposiciones: Vitrinas con revistas y publicaciones de los participantes.
Mesas a la entrada: Boletines de suscripción a revistas; publicaciones para "ofrecer".
En el Museo "Luis de Morales" del Ayto de Badajoz: "Planos históricos de Badajoz, ciudad amurallada". (PROPUESTA AL AYUNTAMIENTO).
ACTIVIDADES:
Día 5, lunes.- Inauguración de las exposiciones. Explicación del "comisario" y de los autores.
Día 6, martes.- Charla-coloquio: La Raya Abaluartada Ibérica: Patrimonio Cultural de la Humanidad.

Día 9, viernes.- Recital evocativa de José Afonso. Presenta Eduardo M. Raposo. Interpreta Francisco Naia, acompañado a la guitarra por José Carita y Ricardo Fonseca a la guitarra.

Día 10, sábado.- Recital de "fado y poesía". (Fadistas de Campo Maior. Poetas de un lado y otro de "la raya").

Nota: Las actividades darán comienzo a las 20'30 horas (de España), en el Patio de Columnas de la Diputación


20 de out de 2007

A partida dos Pássaros



A Poesia do Canto

Cascais – FNAC, dia 17, uma sessão de canto numa (mais uma ) apresentação do Canto de Intervenção 1960-1974, terminando com “Ronda Campaniça”, uma canção de amor ao som da viola daquela (minha) região do Alentejo onde a planície se encontra com a serra, tema do novo disco de amigo, irmão mais velho, Francisco Naia , de Sol a Sul, a sair em breve…

A Poesia da Palavra

Almada, dia seguinte, depois de um breve jantar mas caloroso com Hugo Santos, o mestre da poesia às vezes em prosa mas sempre poesia das secretas vivências da vida nos campos do Sul, tantas vezes na raia, o mestre e amigo Hugo Santos recebia 15 anos depois, de novo o Prémio Literário Cidade de Almada e… de súbito irrompe a voz e o gesto do seu amigo diseur Jorge Lino, fazendo a síntese da palavra, porque a poesia deve ser dita (e cantada) assim para se cumprir plenamente…

E depois será o encontro com o mestre da síntese da civilização da nossa memória, identidade de gentes do Sul, Cláudio Torres, o sábio amigo. Será no próximo mês em Badajoz, no “II Encontro Transfronteiriço de Revistas de Cultura”, onde Portugal se faz representar por Cláudio Torres, Joaquim Saial, o amigo director da Calliopole e este vosso escrita, escravo, “senhor”…. onde também se realiza um recital evocativo de “José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e outros cantores de intervenção”, com base no livro referido, que apresento e, na voz plena de Francisco Naia e nas guitarras clássicas de José Carita e também campaniça de Ricardo Fonseca.
E será a redacção da tese… e
…e tempo para intervalo, aqui neste espaço de partilha de paixão pela vida e pela poesia… curto?… longo?… sem regresso?… quem sabe?...

é tempo…



da partida dos pássaros

são tão alegres os pássaros, rodopiam numa dança infinita, extasiados, tão cheios de vida, de contentamento.
felizes e libertos bebem sôfregos abençoados os momentos únicos, plenos, inimagináveis, efémeros, eternos! sublimes!... a felicidade!!!…
os pássaros não se deixam agrilhoar, engaiolar, prender, dominar, domar, pactuar!...
são tão felizes os pássaros!
tão parcos de haveres… tal ânsia de liberdade desmedida, infinita mesmo… liberdade perfumada, apaixonada!...
…e partem!
partem agora que se avizinha o fim das noites amenas
os pássaros partem!
os pássaros partem cheios de paz e harmonia…
o céu é o seu tecto…
o Sol e a luz seus irmãos … de viagem… de chegada…
talvez voltem
com a luminosidade dos campos de papoilas para nelas se banharem, lânguidos, sensuais, se amarem…
Talvez quando as laranjeiras florirem de novo… voluptuosos… apaixonados…no seu perfume…
…ou talvez não… não voltem mais… nunca mais!...
… a sua liberdade não é mensurável… não tem preço!…
São tão felizes
Os pássaros
São livres!
São os pássaros do Sul!...

17 de out de 2007

Não matem os Poetas!

Sento-me para tomar uma refeição leve num centro comercial algures em Lisboa. O espaço é agradável, não está a abarrotar de gente. Folheio o livro que saiu no Público sobre o Adriano. Um rapaz e uma rapariga conversam num mesa próxima. Ele de fato e gravata, ela de tailler; falam de como cair nas boas graças dos respectivos chefes, de como isso lhes ocupa as suas vidas, provavelmente de como isso os faz felizes.

Entro no carro, ligo o rádio e... oiço falar de Adriano. De como supostamente agora chegará aos mais jovens com as edições, tão tardias, da sua obra e de um projecto com jovens músicos e intérpretes, denominado Tributo. E fala da modernidade da sua obra, de como a sua voz limpida e bela levou a poesia de Manuel Alegre ao grande público e passam um tema belo, muito belo, da autoria de um poeta medieval, João Roiz de Castelo Branco, trovador como o Adriano foi, no dizer de Alegre, "Trovador dum tempo novo". Um tema que justamente dão como exemplo da modernidade em Adriano

Senhora, Partem Tão Tristes

Senhora partem tão tristes
Meus olhos por vós, meu bem
Senhora partem tão tristes
Meus olhos por vós, meu bem

Que nunca tão tristes vistes
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém
Outros nenhuns por ninguém

Partem tão tristes, os tristes
Tão doentes da partida
Partem tão tristes, os tristes
Tão doentes da partida

Da morte mais desejosos
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida
Cem mil vezes que da vida

E recordo, faz em Novembro 25 anos, numa sessão política, perante a estranheza da assistência, evoquei Adriano e li algo intitulado "Adriano, o Poeta", que terminava "Morreu de Amor, o Adriano". De Amor pela verdade, de Amor pela Vida, regressou à sua quinta de Avintes, a bordejar o Douro, partiu cansado... talvez de viver no meio da hipocrisia, da mentira, da ignomínia, da baixeza, da mediocridade, do espírito miudinho e tacanho que do Estado Novo perdurou e... hoje está de novo vivo empunhado pelos "Pequenos deuses caseiros", os pequenos títeres, que tentam sublimar as suas frustrações, as suas vivas pardas, desinteressantes e infelizes agrilhoando, pressionando, amordaçando quem almeja ser livre, tentando assim amedrontar, subjugar, fazer desistir... como se isso fosse possível!

Acordai! É tempo de acordar almas livres e puras. É tempo de passar do pensamento aos actos. É tempo de enfrentar a mediocridade. É tempo de dizer, de falar, de fazer bem alto! aos velhos do restelo, aos que nos querem chupar o sangue apenas porque não abdicamos do absoluto: Não permitiremos mais que matem os Poetas!

9 de out de 2007

O Festival do Amor... a beleza da Amizade... a Sabedoria de saber subir a montanha!

Depois de mais um Festival do Amor, em segunda edição, na Praça da República em Beja, a partir do imaginário romântico de Mariana Alcoforada, realizado no último fim de semana de Setembro, quando captamos a imagem deste simpático par dançando à chuva - o aniversariante Carlitos e a sua amada Suzana , Outubro encontrou-nos de novo em deambulações pelo Alentejo.


No mesmo dia em que assinalava mais uma passagem do 5 de Outubro de 1910 fomos encontrar o nosso amigo Alex Pirata em mais uma sessão de divulgação do suave mel e das suas abelhinhas; deste vez foi na ARPI de Fazendas do Cortiço – o local certo – muito perto de Montemor, junto à estrada para Brotas, entre música, um aconchegante chá – das cinco – dança, convívio… este que se prolongou na sua casa, pela noite dentro, saboreando o divino licor de poejo com que a senhora sua mãe nos presenteia, a nós simples mortais, e sempre com a alegria contagiante desta amigo puro e ainda na companhia de outro grande amigo, o Manel Casa Branca - onde somos habituées no seu atelier/galeria 9ocre e… na sua casa.






































Depois, numa viagem breve nas muito agradável senti de novo algo que não acontecia há muito… os cheiros da minha infância na casa de uma sua amiga, do Manel, pintora, companheira de um alentejano com um belo sotaque e um cachimbo que também me recordou outros tempos… mas as recordações mais longuínquas levaram-me a Alvalade-Sado, uma casa de telha vã, finais de 60, onde cheguei a dormir, habitada sazonalmente por quem trabalhava na que era conhecida por “fábrica do tomate” – que depois encerrou –. Não houve registo de imagens como aconteceu no dia seguinte onde durante uma longa caminhada em comunhão solitária com a natureza e a paisagem humanizada recolhi algumas das imagens que vos deixo, algures no Alentejo… mas bem poderia ser Norte de África... quem sabe identificar?

























































Enquanto se vive intensamente o presente em cada momento neste fim de semana sereno e tranquilo as notícias que nos chegam do mundo não são nada animadoras. Os senhores das armas matam, destroem, desrespeitam impunemente os direitos humanas… o direito à Vida. Desde os mercenários americanos da Blackwater que lançam o pânico no centro de Bagdad, aos generais birmaneses que continuam a deter milhares de manifestantes, até ao assassinato da jornalista moscovita Anna Plotkovskaya, há um ano, que continua impune;entretanto em 60 países fora da União Europeia continua a vigorar a pena de morte, indiferentes à “Jornada Europeia contra a pena de morte” a realizar no próximo dia 10 de Outubro...
morte, destruição…
mas acabo agora mesmo de receber uma mensagem do amigo Alex, pensamentos que o grande mestre da realismo fantástico, Gabriel García Marquez, então em fase terminal, quis partilhar, ele que soube fazer da partilha a razão… a beleza da sua arte e... fez questão de partilhar a sabedoria última de quem parte… para nossa reflexão!

Aprendi que todo o mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa

Não serás recordado pelos teus pensamentos secretos. Pede ao Senhor a força e a sabedoria para os expressar