25 de jun de 2007

Quando três Alentejanos levaram o Alentejo ao Bairro Alto

Eu fui ver a minha amada
Lá p'ròs baixos dum jardim
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para se lembrar de mim

Eu fui a minha amada
Lá nos campos eu fui ver
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para de mim se prender


Ouviu-se naquela noite Francisco Naia, na sua voz potente e bem timbrada de tenor . Foi um encontro entre a poesia do Zeca e as modas populares ou de raiz popular, por ele musicadas e interpretadas, cantadas pelo Chico Naia, cantor dos campos do Sul, num viagem pelo imaginário desse grande génio da música popular , a conferência José Afonso - o canto da Utopia, e a coreografia da paisagem humanizada do Sul - os sobreiros e menires, personagens vivas que dançam e contracenam - a pintura de Manuel Casa Branca, exposição justamente intitulada "Paisagem/Personagem".











Foi no Bairro Alto, Galeria Matos Ferreira, Rua Luz Soriano, 14-18, no passado dia 14, noite chuvosa... três alentejanos .. e outros presentes... e o pensamento presente nos ausentes...
Quando os amigos se encontram acontecem coisas destas...




Na altura estiveram ainda em destaque a 3ª edição do livro "Canto de Intervenção 1960-1974", apresentado recentemente na Casa da Música, no passado dia 25 de Abril e o último disco de Francisco Naia "Cantes d'Além tejo"




Exposição de pintura
"Paisagem/Personagem",
de Manuel Casa Branca
Até 29 de Junho.

























24 de jun de 2007

Cantares do Sul

" Fui colher uma romã
Estava madura no ramo
Fui encontrar no jardim
Aquele mulher qu'eu amo

Aquela mulher qu'eu amo
Aquele mulher qu'eu adoro
(...)"



Este e outros temas do Cancioneiro Popular e Tradicional foram entoados pelo Grupo Coral e Etnográfico os Amigos do Alentejo, pelo Grupo de Cantares da Serra de Amoreiras-Gare, na imagem de baixo

pelo Grupo de Música Popular Portuguesa Os Malteses, de Amodôvar, ou pelo Grupo Cantares da Meia Noite, também do mesmo concelho. Estes e muitos outros grupos corais trouxeram o Cante ao Feijó e a outros palcos do concelho de Almada, durante a 9ª Semana Cultural Alentejana, de 2 a 9 de Junho. E porque esta semana, com cante, com viola campaniça, com cante baldão, com artesanato, com debates, com o calor fraterno das gentes do Sul, e bem do Sul, pois era dedicado a Almodôvar, referência ainda ao Grupo Coral "As Vozes de Almodôvar" - que com uma subtileza e dignidade assombrosa marcavam o ritmo das vozes, ou ainda ao grupo Coral "As Cigarras de Aljustrel".









A todos bem hajam!
Pela dignificação da cultura das gentes do Sul, as nossas gentes.
Ao amigo Afonso, dinamizador incansável desta semana e do grupo anfitrião, "Os Amigos do Alentejo", um abraço caloroso, extensivel a todos os amigos do grupo.
Ao amigo Antero, grande dinamizador da viola campaniça, fundador do Grupo de Cantares da Serra de Amoreiras-Gare e da Associação de Desenvolvimento de Amoreiras-Gare - talvez a mais importante do Concelho de Odemira - um abraço fraterno, que espero faça chegar aos seus companheiros. Obrigado pelo envio dos seus livros, contributos para a memória e para a história local, nomeadamente sobre a Estação das Amoreiras-Gare. Recordou-me a minha Estação da Funcheira de à quatro décadas onde eu dançava e adormecia ao som dos comboios, onde eu me maravilhava com o coaxar das rãs na ribeira e voava com as cegonhas e as andorinhas para outras paragens mais a Sul onde ía à venda ao lusco-fusco fazer um recado à minha mãe e desafiava os grilos e os insectos onde eu apanhava a camioneta da carreira e via os moinhos de vento... onde eu era Livre...
Obrigado Amigos!