31 de dez de 2007

A Mina do Lousal... e a renovação da VIDA!...


No dia 15 de Dezembro aconteceu em diversos espaços - no auditório, no museu, no restaurante, etc - um conjunto de iniciativas no âmbito do lançamento da Revista Memória Alentejana - nº duplo 21/22, com dois cadernos temáticos, respectivamente sobre as Minas do Alentejo e sobre os Cantores de Intevenção. Houve visionamento de imagens das Minas nos anos 50, relatos de histórias de vida de antigos mineiros - a cargo da socióloga Paula Rodrigues, autora da obra Vidas na Mina Memórias, Percursos e Identidades. Houve a visita ao Museu guiada pelo Dr. Fernando Fantasia, administrador da Fundação Frederic Velge e da SAPEC, e pelo Manuel João, antigo mineiro, filho e neto de mineiros, e grande animador do grupo coral local. Houve poesia popular pelo poeta José Carrilho Raposo. Houve diversos intervenções informais e fraternas e... terminou com um excelente recital de música e poesia, com a participação do Amigo de sempre Francisco Naia e do excelente diseur, o juiz e antigo actor Jorge Lino, que nos deliciou, entre outros, com um magnifico "Sermão aos peixes" do Padre António Vieira, recital que teve ainda a participação do escritor e poeta grandolense Costa Neves. Foi tão bonito ao ponto de a Nédia, esposa do companheiro Rogério de Brito , Presidente da MAG do CEDA , afirmar que nunca tinha assistido a uma sessão com um grau de interacção como esta no CEDA... nos não iriamos tão longe, houve outras, nesta ou provavelmente noutras áreas... mas ficamos contentes por se ter proporcionado momentos tão verdadeiros... a todos um grande abraço: aos amigos já referidos e tambem à Natália Nunes, ao Domigos Montemor, ao César Pires, ao José Matias, ao Luís Ferreira e.. a todos os presentes...















































































































Maria Sol de madrugada Flor de tangerina

Maria
Nascida no monte
À beira da estrada
Maria
Bebida na fonte
Nas ervas criada

É muito bonito este poema. É do Zeca. O Zeca gravou-o no disco “Cantares de José Afonso”, o EP que saiu em 1964. Um disco que fala do encontro do Zeca com o Sul. Um disco que fala do encontro do Zeca com o Amor. Um disco onde o quatros temas são da autoria do Zeca, letra e música. Onde encontramos a “Canção do Mar” ou “Ó vila de Olhão”. Sobre o Sul, sobre o Amor o Zeca escreveu:
“o conhecimento da Zélia, num lugar do Algarve, reconciliou-me com a água fresca e com os tons maiores. Passei a fazer canções maiores.”
Nesse mesmo ano o Zeca veio a Grândola cantar. Foi na “Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense”. Fê-lo a convite de seu amigo Hélder Costa, como este nos dá conta nestas páginas, num belo fresco da memória onde nos relata esse encontro do Zeca com Grândola, encontro que terá estado na origem do tema que depois foi a senha da revolução do 25 de Abril. Desse encontro com a “Vila Morena”, o génio maior da música popular portuguesa e mundial diz-nos também desta forma apaixonada:
“(…) e então fiquei extremamente impressionado com a colectividade: num local quase sem estruturas nenhumas com uma biblioteca de evidentes objectivos revolucionários, uma disciplina generalizada e aceite entre todos os membros, o que revelava já uma consciência e maturidade políticas”.
Talvez
Que Maria se espante
De ser tão louvada
Mas não
Quem por ela se prende
De a ver tão prendada

Mas o Zeca esteve também em Aljustrel, a vila mineira, como nos relata Francisco Naia, ao tempo aluno do liceu local, onde teve um professor diferente que falava aos alunos da dignidade e confraternizava com ele cantando fados e baladas de Coimbra. O Zeca, que soube aprender com os mais humildes, com o “pão que o diabo amassou”, nestas suas andanças de professor, antes da sua tomada de consciência social e política última, que se terá dado durante a sua estada em Moçambique. Popular e querido do povo, este vem em peso despedir-se do professor humano, humilde e fraterno à estação do comboio, momento protagonizado pelo pai do Naia, o chefe Tonicher. (…)
Maria
De todas primeira
De todas menina
Maria
Soubera a cigana
Ler a tua sina

O Zeca manteve a sua relação, inclusive física com Grândola e percorreu o Alentejo e lés a lés a cantar, nomeadamente durante o PREC.
“(…)Recordo-me de experiências extraordinárias vividas com o Francisco Fanhais, com o Vitorino e tantos outros companheiros por estas aldeias fora, em terras em que a população se juntava para resolver o problema da escola, para calcetar as ruas, resolver directamente o problema da higiene(…)”
o Zeca que terá cantado a “Grândola” pela primeira vez num recital em 10 de Maio de 1972, em Santiago de Compostela, o que não estava previsto, mas entusiasmou-se e aconteceu, como outra vez que tanto se emocionou num recital para mineiros asturianos, como refere Benedicto García Villar.
Não sei
Se deveras se engana
Quem demais se afina
Maria

Zeca Afonso, homem livre e liberto, fraterno e solidário com os humilhados e com os perseguidos. O Zeca, o poeta. Zeca aqui justamente recordado na Memória Alentejana, e também o Adriano, seu companheiro de canto, de postura e de dignidade, ambos com o poeta Alegre e o Luís Cília, percursores desse movimento bonito e tão importante que foi o Canto de Intervenção. Nesta edição onde são tema com as minas do Alentejo – Aljustrel, S. Domingos, Neves-Corvo, Lousal –, e onde se publica um estado de um investigador brasileiro sobre Florbela – continuando o CEDA a expandir-se e a chegar assim à América Latina. Neste número, onde se dá conta das actividades do CEDA, nomeadamente em terras de Montemaior - na Herdade do Freixo do Meio, à arte do Sobreiro pelo amigo pintor Casa Branca guiada, ou o percurso inesquecível pelo mel, rio, moinho do Ananil, ferrovia, e vinho de Plansel registado em palavras mas sobretudo imagens, belas, pelo Alex Pirata, amigo apicultor. E os livros, muitos, tantos, que nos chegam, que encontramos, e os discos e os acontecimentos, sempre mais, a revista a aumentar o número de páginas.
E ainda parafraseando o Zeca ...
“(…)Toda a perspectiva progressista é compatível com os aspectos conservadores da cultura que se pretende conservar(…)”
A defesa das nossas tradições, nomeadamente as gastronómicas, e a conservação dos espaços de convívio dos nossas cantadores, as tabernas, espaços ritualizados que é preciso preservar, assim como a forma peculiar de confeccionar os alimentos e os utensílios usados, os fornos de lenha; tudo o que nos dá o sabor único da nossa gastronomia, da nossa doçaria, que é preciso preservar com dignidade face a ventos algo fundamentalistas e adulterações várias, que sobre ela por vezes se abate. Porque há que saber que o futuro, o desenvolvimento do Alentejo está no encontro da tradição com a modernidade, como aliás acontece na Mina do Lousal, onde este edição será lançada, apresentada, nesta Mina renascida, onde a par da tradição mineira e sua paisagem surge uma centro de ciência viva, espaço cientifico único em Portugal.
Este é o caminho...

Maria
Sol da madrugada
Flor de tangerina


























2007 despede-se marcado pelo horrível assassinato de Benazir Bhutto...

































Não sabemos se o ano de 2008 será melhor... com menos guerras, com menos ódio, com menos fundamentalismos....





Sabemos, todavia, neste momento de renovação da Vida - dentro de cerca de duas horas começa o novo ano -porque de fim e de princípio, de noite e dia, de escuridão e luz se trata como os povos antigos o viam e sabiam - sabemos que daremos a nossa singela e desprentensiosa mas rigorosa participação para melhorar, porque seremos melhores amanhã do que ontem, seremos mais fraternos e mais justos, mais fortes e mais poderosos, com maior capacidade de Amar e ser Amados, com maior certeza que a Felicidade existe!...
Neste Mar que nos dá serenidade, paz e nos revigora encontraremos a Luz para o caminho!...




16 de dez de 2007

por Amor ao Alentejo



Uma rosa para Florbela



Depois de uma lamentável avaria informática, regressamos…


Regressamos de
Vila Viçosa, onde no dia 25 de Novembro estivemos no lançamento da Revista Callipole, nº 15, sessão bonita, no último dia das IV Jornadas de Património. Respondendo ao caloroso convite da Autarquia Calipolense transmitido em Badajoz pelo excelente dinamizador cultural, o amigo Licínio Lampreia, revimos velhos amigos: os autarcas, o presidente da edilidade, Manuel Condenado, o Vereador da Cultura, Joaquim Viegas, o director da publicação Joaquim Saial, o editor Fernado Mão de Ferro, e… entre callipolenses com quem nos temos cruzado e confraternizado em anos anteriores… a pintora e poetisa Leolinda Carvalho… com quem falamos de fotografia…
E visitamos Florbela…
Um rosa deixámos…
Nesse dia… pensando em 8 de Dezembro, dia de morte e nascimento!...

Nesse outro dia estávamos a percorrer a planície entre Évora e Beja, Serpa... novamente Beja e Évora... recordando a personagem dum conto candidato ao Prémio Literário Pedro Ferro…

E nesse dia passamos por lugares marcantes… e levamos o mel que o amigo Alex nos deixara nas bombas de gasolina, junto a sua casa, em terras de Montemaior…


E no final do dia cantaram-nos Elis…