10 de set de 2007

... regresso à Terra... ao Cante e ao Canto!...



"Através do teu coração passou um barco

Que não pára de seguir sem ti o seu caminho"



Sophia





Grão de Mar


Lá no meu sertão plantei

Sementes de mar

Grãos de navegar

Partir

Só de imaginar eu vi

Água de aguardar

Onda me levar

E eu quase fui feliz



E o mar ficou

Lá no sertão

E o meu sertão

Como o amor que encontrei

O amor de aguardar

Amor que existe em mim






Como no sertão de Bethânia o Mar ficou em mim... de regresso à Terra, ao Cante, ao Canto...






Foi em Montemor, no dia 31 de Agosto, na apresentação da 3ª edição de Canto de Intervenção 1960-974, na Feira da Luz, ouvindo palavras fraternas e justas de amigos presentes e o pensamento dos ausentes: Carlos Pinto de Sá, Manuel Casa Branca, Alexandre Pirata. Os meus agradecimentos à forma digna como o Município de Montemor me recebeu e tratou esta iniciativa, nomeadamente o seu Presidente, assim como o responsável dos Serviços Culturais, Luís Ferreira, e... ainda uma palavra de reconhecimento à Helena e à Catarina, da Fonte das Letras, e à enóloga Dorina Lindemann que teve a gentileza de oferecer champagne aos presentes, produzido pelo Adega Plansel... pois é já, há champagne alentejano: Alxam é seu nome.






























Foi assim na Herdade do Freixo do Meio - Foros de Vale de Figueira, Montemor - no dia seguinte num momento breve mas único em comunhão com a Terra... e os salgueiros desenhados na ribeira... no "Passeios pelo Montado", este sobre a "Arte do Sobreiro", guiado pela bióloga Ana Fonseca e pelo pintor Manuel Casa Branca... e o convívio gastonómio no Restaurante do sr. Martins com ensopado de borrego....




















Foi assim na I Feira do Livro do Alentejo, em Ervedal, Avis, no dia 2 de Setembro, iniciativa inédita, onde estavam presentes livros de muitos autores alentejanos, para além de muitas publicações periódicas: jornais e revistas editadas na Região e, não obstante as temperaturas altissimas aconteceu um acalorado debate sobre a comunicação social regional... seguindo-se a apresentação de Crónicas de Beja, do amigo Francisco do Ó Pacheco e do meu livro já referido....

Muitos amigos passaram por lá: Luis Afonso, João Mário Caldeira, António Luís, João Honrado, António Martins Quaresma e ... Francisco Naia, com os seus músicos - o Carita, o Ricardo, o Nuno, o Gil e o Jorge - que cantou ao anoitecer e nos recordou um poema, interpretado uma única vez, a solo, à cerca de um ano, na Sala Pablo Neruda , no Forúm Romeu Correia, em Almada, que tem justamente a introduzir uma frase do grande poeta andino...

amo-te como se amam certas coisas obscuras

secretamente, entre a sombra e a alma

(in Cem Poemas de Amor)

Entretanto, de novo em Montemor, Sérgio cantava "com um brilhozinho nos olhos... ", assim ficou o amigo Alex quando cheguei e lhe trouxe autografado pelo autor Miguel Urbano Rodrigues Etna no vendaval da Perestroika... e Sérgio cantava... cantava: "hoje soube-me a pouco/hoje soube-me a pouco/espera aí mais um bocadinho/estou quase a ficar louco..."





de novo Canto de Intervenção em destaque... na Feira do Livro da "Festa do Avante", na passada sexta-feira, dia 7... apresentado pelo amigo de sempre António Ramos...

















No dia seguinte rumava a Santarém, mais precisamente a Abitureiras, para descansar depois desta verdadeira "maratona", repôr energias, na agradável companhia dos anfitriãos, a Ana Vitória e o António...





























































































aqui, onde o silêncio só é entrecortado pelo vento e rodeado ao longe pelas serras de Montejunto, dos Candeeiros e de Aire, certamente o local perfeito para fazer um piquenique...

2 comentários:

Alexandre Pirata disse...

É compadre do Mar da Palha!

Isto é que foi uma maratona, ah! Freixo do Meio, Ervedal, Festa do Avante e finalmente uns mergulhos ás abas da serra dos candeeiros.

Que pena, que inveja eu tive de não poder partilhar convosco a visita aos campos da minha infância, ao Freixo do Meio, a Casa Branca onde vivi até aos 9 anos.
A "Charrete" que fotografaste, ia buscar a nossa professora Cecília á camioneta, o monte do Zambujeiro,...... a nostalgia destes lugarejos, faz-me voar aos anos de ouro da minha meninice, verdadeiramente livre a correr pelos campos, onde o relógio era simplesmente o sol, que saudades.

Foram uns dias em cheio como os meus, que culminou com a Festa Rainha, a Festa de todas as Festas, a Festa do Avante! Que moldura humana, tanta alegria e juventude a jorrar por todas as ruas e a desembocar no palco principal, que magnífico espectáculo na tarde de Domingo, que grande Comício, simplesmente grandioso!
Um abraço, Alexandre.

perfume de laranjeira disse...

Compadre Alex

Foi de facto um momento único aquela visita à Herdade do Freixo do Meio. E naqueles momentos que passamos junto à ribeira encontrei um pouco de paz, de serenidade, de força para a luta - por vezes difícil, mas quando acreditamos, quando sabemos da justeza, da dignidade, da beleza do caminho, sabemos que o futuro nos pertence!... reencontrei o menino que há quatro décadas brincava maravilhado na ribeira da Funcheira, afluente do Sado, que passa ali muito perto e é acompanhado pela via férrea até Ermidas. A propósito, gostei de me teres chamado de nómada, mas sou-o mais por opção de que por herança. Afinal quem busca a Verdade, o Santo Graal, tem que ser nómada....
Teria gostado muito que nos tivesses acompanhado naquele passeio tão bonito, tu e os amigos que ali viveram a infância mas... como diz o nosso povo "há mais marés que marinheiros" e eu que adoro o mar sei que é verdade!...
Espero postar em breve uma imagem da apresentação em Montemor - é que apaguei por engano uma imagem que me tinham enviado e depois não houve solução...
Um grande abraço
Amigo