14 de set de 2007

Acabei de chegar. Uma nova apresentação do Canto de Intervenção... Casa da Música - Porto, S. Aleixo da Restauração, Feira da Luz - Montemor-o-Novo, I Feira do Livro do Alentejo - Ervedal, Avis, Festa do Avante.. agora Almada, FNAC... hoje houve canto, canto e poesia, houve pintura - do Manel Casa Branca, houve palavras fraternas - do João Paulo Ramôa, houve um breve recital sobre o Zeca, o Adriano , o Manel Freire, o Luís Cília, o Fanhais, o próprio Naia, que com as violas do Zé Carita e do Ricardo Fonseca cantou a beleza da poesia, dos poemas do Manel Alegre, do Zeca, da Sophia... Vieram amigos, muitos amigos, "estavam 100, disse-me o Ramos" vieram "Lá da Planície, lá da cidade", vieram ou... enviaram abraços porque queriam estar presentes mesmo não estando... E o Chico Naia, cantou... "Vemos, ouvimos e lemos"...

Vemos, ouvimos e lemos... um homem de Paz que está em Portugal. Dalai Lama, que perante a hipócrisia dos governantes deste país perante os actuais mandarins de Pequim, disse com aquele enorme simplicidade que o caracteriza:
"Não quero embaraçar ninguém. A minha visita não é política, é espiritual...vim com o meu sorriso. É tudo ."
e disse mais
"Precisamos de promover o diálogo espiritual. A paz é a solução, a não-violência."
Dalai Lama disse as palavras certas.
Recordei o lançamento 1 ªedição do Canto de Intervenção,em 2000, no Museu República e Resistência, onde consegui reunir dois amigos que andavam desavindos há muitos anos. Já disse várias vezes que foi o que me deu maior prazer, e os amigos que já me apresentaram o livro, que souberam conhecer a minha entrega e o meu gozo a este trabalho sabem do que estou a falar ...
Recordei o passado ancestral onde me revejo: a palavra, a beleza da palavra, o saborear da palavra escrita, o som da voz elevando-se ao encontro do Sol e da lua, a palavra certa, a palavra do olhar e do gesto, das mãos...
Há muito que recusei a inútil virilidade das armas... um dia, há mais de 30 anos quando um pardal me olhos nos olhos... preso numa armadilha... senti-me estranho... e resolvi enfrentar-me a mim próprio... devolvi-lhe a liberdade que nunca lhe devia ter tirado, não tinha esse direito!... o pardal partiu livre e feliz e eu com um sorriso... menino ainda senti-me um homem... um homem de corpo inteiro....
Neste mundo de guerras, ódios, destruição e hipócrisias, neste mundo, que "Vemos, ouvimos e lemos" há que lutar, lutar pela Paz, pelo diálogo, há que recusar a violência das armas, de todas as armas... com a beleza da poesia... com um sorriso!...

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