21 de mar de 2011

A Poesia chega na Primavera... entre o Amor e o Vinho...

Para assinalar o Dia Mundial da Poesia e a chegada da Primavera, que é uma e a mesma, vamos referir alguns poetas que se expressam em português ou castelhano ou os nossos antepassados, nomeadamente os poetas luso-árabes.
Temas em destaque: o Amor e o Vinho.
Ibne Amar, natural de Estombar, Silves, que terá nascido cerca de 1031 e é morto em 1086, talentoso poeta, que em muito nos recorda a lírica camoniana - que data de quase 500 anos depois. Ibne Amar, de famílias humildes, escreveu alguns dos mais belos poemas de Amor que brotaram fulgurantes nesta Terra abençoada pelos deuses, aqui no Ocidente da Península no Garbe al-Andalus. Ele foi o grande amigo do Príncipe e depois Rei Almutâmide, de quem foi governador em Silves, vizir em Sevilha e Embaixador. Terá sido nessa qualidade que, segundo a lenda, um dia bateu num jogo de xadrez o poderoso rei Afonso VI – pai da D. Teresa – que unificara pela 1ª vez os reinos cristãos da Península, e resolvera sitiar Sevilha, num “fossado”(ataque de surpresa) ao Sul. A astuciosa proposta de Amar era resolver-se a batalha no tabuleiro. Afonso VI acatou o resultado e retirou… afinal era um homem de palavra e… sabia jogar xadrez, devido ao desterro que tinha “sofrido” na Toledo muçulmana, quando foi vencido pelo seu irmão que o antecedeu no trono, e que acabou morto à traição.


Ibne Amar acabou morto às mãos do seu rei e amigo, fruto de uma ambição desmedida que o levou a rebelar-se contra Amutâmide…


Mas aqui fala-se de Poesia. Os poemas que queremos partilhar… entre o Amor e oVinho...

À bem-amada



minh’alma quer-te com paixão
ainda que haja nisso uma tortura
e alegre vai na ânsia da procura


que estranho ser difícil nossa ligação
se os desejos d’ambos concordaram!


que quereria mais meu coração,
ao desejoso te buscar em vão,
se meus olhos te viram e amaram?


Allâh bem sabe que não há razão
de vir aqui senão para te ver.


que o vigia não nos possa achar
se o nosso reencontro acontecer
p’ra os teus lábios doces eu provar.


folgarei no jardim da tua face,
beberei desses olhos o langor,


e mesmo que um terno ramo imtasse
o teu talhe grácil, sedutor,
valerias mais que o imitador.


não te ocultes, oh jardim secreto:
quero colher meu fruto predilecto!
                                                                       
                                                          (Versão de Adalberto Alves)



2 comentários:

Paulo Francisco disse...

Este espaço é muito bom!!!!!
Texto lindo...e que lua é esta?
Um abraço

Guaraciaba Perides disse...

Gosto demais de ler no seu blog todas as informações históricas e os lindos poemas que você pesquisa e gentilmente divulga.Obrigada .Um abraço