14 de ago de 2007

A fraternidade vem S. Aleixo ou... o odor das estevas de Maio...

«O berço alentejano deu-lhe para sempre a necessidade da liberdade desmedida, infinita mesmo, associada à planície e à lonjura do horizonte, uma liberdade natural, parca de bens matérias mas perfumada e apaixonada em que “só o sonho comanda a vida.”», assim iniciei a intervenção derradeira daquela tarde fraterna, citando uma amiga que ao apresentar esta 3ª edição do Canto de Intervenção 1960-1974" livro no dia 25 de Abril usou as palavras certas como nunca acontecera (há que não ter medo das palavras!) e... acrescentei (pensando nas palavras, momentos antes, da amiga Autarca Isabel Balancho ("sensível, amigo verdadeiro, honesto, um pouco louco... loucura que lhe permite realizar com determinação muitos dos sonhos que parecem irrealizáveis)... acrescentei que a realização dos sonhos é a minha razão de ser, em cada dia porque "a magia é lutarmos. Por um sonho que é a própria Vida." (como escreverá dois anos antes na Nota à 2ª edição).











E o amigo João Paulo Ramôa (que apresentou o livro), de entre muitas coisas certas, disse algo muito bonito: "Une-nos o grande amor que ambos temos pelo Alentejo".





E o Manuel Casa Branca falou-nos da magia dos seus dois trabalhos, que juntou, nascidos com mais de 10 anos de distância.









E reencontrei amigos: o Santiago Macias, o Domingos Breyner (sempre acompanhado pelo seu cavaquinho, a sua disponibilidade e simpatia).






E aconteceu a beleza do Cante... depois, num terraço bordejando os montes ao anoitecer o Manel, após matar a sede, fez desenhos em folhas de mesa das nossas colegas da sessão (não sem ainda tarde dentro saborearmos um belo gaspacho)









e... o convívio continuou pela noite dentro, sempre com uma grande fraternidade das gentes de S. Aleixo; irmãos, como lhe chamei, e...



ao terminar dediquei-lhes um poema de Pablo Neruda...

Pablo, o Poeta do Amor!



"Sou a testemunha que vem

visitar a vossa morada.


Oferecei-me a paz e o vinho.



Amanhã cedo partirei.

Espera-me em toda a parte

a primavera"


Mas antes de partir falei da Poesia, da importância da Poesia no Canto de Intervenção, de como parti da Poesia para a Intervenção, pois "o que me importa é primeiro a Poesia" ... como poderia ser de outra forma se "A Poesia é mais verdadeira do que a História"(Aristóteles). E falei dos temas que prevalecem no Cante e também, de certa forma, no Canto: o Amor, a Natureza, o Trabalho.



... e depois parti... parti, não sem antes revisitar a Torre da Moura Salúquia











e depois de muito andar, cheguei junto às muralhas do mágico Monsaraz de figueiras sagradas, a Horta da Moura e a sua abóbada, lugar certo para pernoitar, para Amar....













































































e parei junto aos salgueiros do rio Degebe...





...uma viagem pela minha Pátria amada com o odor das estevas... que ofereci enfeitei em Maio no reguengo de montemaior...

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