11 de ago de 2011

Torre das Águias




(Re)visito demoradamente a Torre das Águias – antigo palácio fortificado com mais de 60 salas, na então Vila das Águias, desanexada do concelho de Coruche em 1361, quando D. Pedro I a doou a Pedro Afonso, e que teve foral no reinado de D. Manuel, em 1519. Hoje propriedade privada, a imponente torre em estado de abandono, situada no extremo sudoeste do actual lugarejo, quase todo desabitado – embora se note uma ou outra tentativa de recuperação, uma ou outra parede caiada – marca a paisagem humanizada de uma forma tão desmesurada, que corta a respiração. Chegado perto afago a pedra centenária, depois afasto-me um pouco para melhor saborear cada pormenor, cada ameia, cada espaço do seu cimo, que vista cá de baixo traz-me a subtileza de abarcar o mundo com um simples e infinito gesto, numa carícia maior que o horizonte.


Revisito demoradamente a Torre das Águias como o berbere nómada que vai, de oásis em oásis, no deserto da vida, de alma simultaneamente calejada e terna, adoçando o olhar na doçura da solidão, no sofrimento que há mil anos lhe a linguagem do vento.

Rever a Torre das Águias é voltar a tempo antiquíssimo quando os homens assinavam com o sangue da honra. É voltar ao presente, é caminhar no futuro, no eterno e terno e efémero momento de plenitude sofregamente sorvido com o horizonte no olhar. É um novo degrau do caminho na certeza do longo caminho a percorrer, encontrado, consolidado em Agmat, quando há 2 anos levei rosas vermelhas para Intimade e Almutâmide. Aqui na Torre das Águias não há rosas (vermelhas) mas a estrada milenar de terra batida tem margens de suaves e imensas amoras roxas, vermelho sangue. Local perfeito para exorcizar o amor e continuar a caminhada rumo ao infinito.

É tempo de renascer!

Que bom é ser livre!

3 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Quando o tempo me "permite", viajo por essas bandas e absorvo o que me agrada. Primeiro, gostei do nome: "perfume de laranjeira".
Mamãe,no dia do casamento, usou flores de laranjeiras...Fui recuando, nos seus escritos, e gostei...Portanto, vou seguir, este perfume...e volto, com certeza...
Um abraço
Lúcia

Graça Pereira disse...

Os castelos e as suas torres fazem renascer em nós, esse vôo de liberdade de infinito...até renascermos num futuro que não sabemos se virá...não importa agora. Pelo menos, ficar-nos-á a Torre das Águias a falar-nos de um passado que, esse sim, foi glorioso e honesto!
Beijo amigo
Graça

José António Lourenço Martins Baptista disse...

Andando à procura de informação sobre a Torre das Águias, aqui pousei.

Gostei do post e da prosa.
Fiquei seguidor.

Votos de Boas Festas !

Inté.
J A Baptista