2 de mar de 2007

Flores da Planície



É uma antologia de poemas e de flores. Ou de flores com poemas. Não que a hierarquia entre umas e os outros possa criar aqui qualquer tipo de constrangimento. Mas enfim, sempre serão elas, a beleza delas, a sua singular amabilidade, o deslumbramento que despertam, a razão fundamental para a existância deles. Para a existência dos poemas, destes poemas, que falam das flores porque primeiro foram as flores que falaram ao sentimento dos poetas. Destes poetas.


Assim inicia Paulo Barriga o texto de apresentação que intitulou "Uma Pequena Flor" desta antologia (editada pela Fundação Alentejo-Terra Mãe) onde encontramos um conjunto de 56 fotos de grande beleza, de João Francisco Vilhena, de plantas que florescem entre o Tejo e o Guadiana. Uma recolha de imagens, desde Marvão, Portalegre, passando por Bencatel (Vila Viçosa), Reguengos de Monsaraz, Serra de Ficalho, Évora, Mombeja, Praia da Comporta, Stº André, até Odemira, Mértola ou Almodôvar. Imagens bonitas, muito bonitas (aqui não tão bem reproduzidas) e 17 poetas... Florbela, Al berto, Raul de Carvalho, Eugénio, Armindo Rodrigues, José Gomes Ferreira, José Luis Peixoto, Martinho Marques... um livro suave, um grafismo com a subtileza.. o sabor... o cheiro... talvez... das Mil e Uma Noites de que vos falei a propósito de Silves... um livro bonito... a não perder...

entre poemas bonitos, de poetas... onde estão amigos... dois mais próximos... especiais... de quem vos cito,


A flor e o cerco
no amor de se dar
gesto de nada ser
fome no amanhecer
antes da morte chegar

(um excerto de "A Flor e o Cerco" de José da Fonte Santa)




Hoje escrevi o poema só com o olhar
o vermelho sangue das papoilas
na cama verde do chão

supremo fruir! sem dano sem perturbar


("Poema" de Maria Lascas)


... anunciando a chegada breve da Primavera...

2 comentários:

marialascas disse...

Obrigada pelo destaque. Mas belas mesmo são as flores! e a ideia de as reunir neste livro de belo aspecto gráfico, algumas em vias de extinção... guardando-as sem dano sem perturbar...

Paulo disse...

Caro Eduardo,
Muito obrigado pela lembrança desta antologia. Termo que é aqui duplamente consagrado. Primeiro, porque na sua acepção mais longínqua, a grega, quereria significar colheita ou colecção de flores - florilégio. Depois, porque a reutilização mais recente da palavra faz com signifique colecção de textos escolhidos em verso ou em prosa. De qualquer das formas, um belo pedaço da Primavera que é o nosso Alentejo, o ano todo! Abraços Rijos,
Paulo Barriga