8 de dez de 2008

Florbela

Às 2 horas da madrugada do dia 8 de Dezembro de 1894 uma mulher de condição humilde, de seu nome Antónia da Conceição Lobo, dá à luz, na Rua do Angerino em Vila Viçosa, uma menina. É um lindo bebé – tão lindo que alguém afirma mesmo: «É uma flor!», ao que a mãe terá respondido: «Flor se chamará…»




«Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura. Grave e metódica até à mania, atenta a todas as subtilezas dum raciocínio claro e lúcido, não deixo no entanto, de ser uma espécie de D. Quixote fêmea a combater moinhos de vento, quimérica e fantástica, sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida, num dom de mim própria que não acaba, que não desfalece, que não descansa!»

dirá, numa carta, datada de 27 de Julho de 1930, ao seu amigo italiano Guido Batteli

"És tu! És tu! Sempre vieste, enfim!
Oiço de novo o riso dos teus passos!
És tu que eu vejo a estender-me os braços
Que Deus criou pra me abraçar a mim!

Tudo é divino e santo visto assim …
Foram-se os desalentos, os cansaços …
O mundo não é mundo: é um jardim!
Um céu aberto: longes, os espaços!

Prende-me toda, Amor, prende-me bem!
Que vês tu em redor? Não há mim!
A Terra? – Um astro morto que flutua …

Tudo o que é chama a arder, tudo o que sente.
Tudo o que é vida e vibra eternamente
É tu seres meu, Amor, e eu ser tua!"

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