19 de nov de 2008

Outubro e o arabismo português


No passado mês de Outubro, a par de um conjunto de interessantes iniciativas, como uma semana luso-marroquina que decorreu em Silves - “Marrakech visita Silves”, ou um colóquio na Faculdade de Letras sobre a Argélia –que contou com uma interessante exposição patente na átrio da dita faculdade, houve dois acontecimentos marcantes que gostava de destacar.


O Prof. António Borges Coelho, o arabista português da actualidade, que desde há quatro décadas foi o pioneiro do arabismo português contemporâneo, foi homenageado no passado dia 7, no Espaço Tejo, antiga FIL, pelo jornal Monde Diplomátique , que em tempos dirigiu, a que aderiram algumas centenas de figuras da cultura, do meio académico, literário, sindical e da política portuguesa, onde esteve toda a esquerda portuguesa, nomeadamente a informada e a culta, e ainda de cidadãos anónimos, como é o nosso caso. Numa Festa bonita e fraterna, Borges Coelho, o professor apaixonado, o homem fraterno e o cidadão empenhado foi, após uma introdução da Sónia, da direcção do jornal organizador, Cláudio Torres, a propósito da recentemente edição de Portugal na Espanha Árabe pela Editorial Caminho, essa obra pioneira e decisiva do encontro com o nosso passado mediterrânico – falou-nos de como o Mestre, também se, “associou um projecto político de reabilitação dos vencidos, enquanto legado da cultura mediterrânica, esse mundo activo e dinâmico, sociedade tributária por excelência em posição ao Norte feudal que acabou por vencê-lo devido à desagregação politica do califado. Falou-nos de como o que possibilitou Mértola se iniciou com esse livro e de como a geração que em 74 frequentava a Faculdade de Letras foi uma geração diferente, que iniciou a experimentação muito completa da liberdade. E de como esses jovens profs. levaram centros de apoio a estudantes em Beja, Algarve, e Açores, ou ainda como foi possível em Portugal, depositário dessa herança trazida do Mediterrânico pelo Islão, acontecer a Expansão, capitaneada por uma nova classe social que em Lisboa estava a tomar o poder, e de como ele e Borges Coelho aprenderam mutuamente”





O Mestre homenageado, visivelmente emocionado, passou em revista períodos decisivos da sua, não deixando de evocar a dignidade e a coragem de presos políticos com quem privou, pois foi um deles, mas teve sempre uma perspectiva de futuro, um olhar positivo e o encarar a vida com alegria, mas nas condições difíceis, e a necessidade de nos opormos ao medo e à violência. Uma mensagem poética de fraternidade e de humanismo nos deixou, ele o historiador-poeta.








Na semana seguinte Adalberto Alves, arabista que na esteira de ABC, tem-nos desvendado os grandes poetas luso-árabes, era distinguido pela UNESCO, o poeta, ensaísta e tradutor português, autor da obra emblemática, o Meu Coração é Árabe, vai receber 22 mil euros, o valor do prémio Sharjah para a Cultura Árabe, o mesmo acontecendo ao egípcio Gabel Asfour, director da Fundação Nacional no Cairo. Adalbero Alves, director do Centro de Estudos Luso-Árabe de Silves, revelou que a verba vai ajudar a financiar uma enciclopédia que aguardava apoios que se realizar.
Aos dois Arabistas, aos dois Amigos, as mais sentidas e fraternais saudações e um grande abraço.

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