Uma Rosa para o Roque…
Chegou com o nascer do Sol. 7 horas e 3 minutos. 3, 530 Kilogramas. Noutras paragens como em Constância – onde a mãe, quase de colo ainda, deixou-se fotografar, abraçada a Luís Vaz – ou em Estremoz, que ele um dia saberá quanto eu gosto – preparavam-se para celebrar o Solstício.

Ele, o Roque, resolveu fazê-lo sozinho, celebrando com a sua chegada, a chegada auspiciosa da Luz, como me dizia hoje o amigo Fanhais, num abraço telefónico.


Poucas horas depois, inquieto pelo leitinho que tardava, agarrou-me um dedo com um tal vigor, e aquele ser frágil e delicado olhou-me com o seu olhazinho de acabado de nascer, como se me quisesse transmitir a sua necessidade, a sua vontade imensa, infinita de ser alimentado, como se me quisesse dizer: - meu velho, eu, como tu, também quero almejar o absoluto.


Depois eu fiz o que tinha a fazer, insisti junto da equipa médica para ele poder ser convenientemente alimentado e, ao fim da tarde, quando voltei, já dormia sereno depois de saborear o leite materno.



Hoje levei rosas para o Roque. Para o Roque e para a Sofia. Roubei rosas para eles e entrei de rompante com duas rosas, quando já não se podia entrar.. .Para o Roque e para a Sofia.
Dei-lhes a minha flor preferida. Rosas vermelhas. As rosas do Amor. Como as rosas que sempre dei a quem dou o meu Amor pleno, total, avassalador. Eu sei que é um Amor diferente, mas … hoje dei rosas ao Roque e à Sofia.
As rosas do Solstício.
As rosas da Luz.


Eras o primeiro dia inteiro e puro
Banhando os horizontes de louvor.
Eras o espírito a falar em cada linha,
Eras a madrugada em flor
Eras a brisa marinha.
Eras uma vela bebendo o vento dos espaços,
Eras o gesto luminoso de dois braços
Abertos sem limite.
Eras a pureza e a força do mar,
Eras o conhecimento pelo amor.
Sophia