1 de out de 2009

Sol de madrugada Flor de tangerina

Nestes dias decisivos, quase fatais, em que um gesto, uma resposta positiva ou não pode significar o êxito ou o fracasso de um trabalho longo de quase cinco anos, mesmo assim sinto uma estranha serenidade apoderar-se de mim - de aprendiz de feiticeiro - embora sabendo que o chegar a bom porto, se depende em muito de mim, não só de mim...

Manuel Amado



Dordio Gomes


Enquanto recordo uma ida breve a S. aleixo, Monforte, a uma apresentação informal da mais recente edição da Revista Memória Alentejana - que em breve divulgaremos - ou uma visita ao sumptuoso Palácio de D. Manuel, em Évora, onde está, até final do mês uma exposição itinerante de pintura sobre um século de pintura portuguesa, "arte partilhada millennium bcp", o espólio desta entidade bancária que origina uma excelente exposição, imperdível, com material de apoio para as escolas e um excelente catálogo da autoria da Prof. Raquel Henriques da Silva - que há muitos anos nos deu o grato prazer de ser a docente da cadeira de História de Arte que frequentamos na FCSH... - aqui, nesta cidade carregada de uma subtil arquitectura...



Júlio Pomar


Enquanto oiço L. Represas cantar como ninguém "Ser Poeta" em Florbela antes de com ele me encontrar ou saboreio a bela versão ao piano de"um redondo vacábulo" pelo João, sobrinho do Zeca, quando... de repente leio... de repente chega-me a voz do Zeca Afonso, talvez trazida pelo deuses, uma paz e serenidade imensa que me chega com...


Maria

Maria
Nascida no monte
À beira da estrada
Maria
Bebida na fonte
Nas ervas criada

Talvez
Que Maria se espante
De ser tão louvada
Mas não
Quem por ela se prende
De a ver tão prendada

Maria
Nascida do trevo
Criada na trigo
Quem dera
Maria que o trevo
Casara comigo

Prouvera
A Maria sem medo
Crer no que lhe digo
Maria
Nascida no trevo
Beiral do mendigo
Maria
Nascida no trevo
Beiral do mendigo

Maria
De todas primeira
De todas menina
Maria
Soubera a cigana
Ler a tua sina


Não sei
Se deveras se engana
Quem demais se afina
Maria
Sol da madrugada
Flor de tangerina
Maria
Sol de madrugada
Flor de tangerina

José Afonso






Um comentário:

milhita disse...

Vim desse Alentejo ainda quente, trouxe-o comigo vestido de castanho.
Serenidade envolta em vida.
Bom fim de semana