




um naco de pão, um pouco de água fresca,
a sombra de uma árvore e os teus olhos.
Nenhum sultão me excede em alegria,
nenhum mendigo é mais triste.
Omar Khayyam




Nesta viagem, sempre mais para o Sul convido-vos a seguir a estrada entre Évora e Beja, depois de um dia na universidade na subtil cidade manuelina-mudejar a falar sobre a poesia luso-árabe e a percorrer a excelente e única biblioteca do Centro de Estudos Árabes, dirigida pelo Prof. Abel Sidarus, na companhia do prof. Fernando Branco, colega no painel da manhã e com quem haviamos estado há sete anos a apresentar, em Mértola, o número zero, experimental, ainda em fotocópia, da revista Memória Alentejana... e estamos de novo na estrada, o Sol, iniciou o seu deitar, a estrada é secretamente percorrida com serenidade, não em desvario como aquela personagem dum conto do Prémio Literário Pedro Ferro em fiz parte do júri. Sereno, sem pressa, aprecio a suave beleza do horizonte, o Sol que continua a esconder-se. Há um programa na rádio, antena 3, sobre viagens. Falam de como é Alentejo é particular e único. Se estivessem onde eu estou...o Sol mesmo quase a pôr-se inevitavelmente...



É noite quando chego a Mértola. Para além de um bar em plena cidadela onde adolescentes bebem cerveja não se vê vivalma. Percorro as ruelas empedradas, as pedras segredam-me as histórias de Vidas e Amores, traições e lutas, de preserverança no caminho a seguir... volto na noite seguinte depois de um longo percurso a pé em redor da barragem em S. Domingos e de uma ida a saboerar o silêncio de um fim de dia no Pomarão, volto nessa noite e vou ao castelo, à mesquita, encontro-me com o Ibn Qasî, o mestre sufi, o guerreiro, o asceta, o diplomata... as pedras contam-me histórias, ali naquela encosta de ruelas estreitas onde o souk se instala quando acontece o Festival Islâmico...





