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9 de jul. de 2010

António Chainho - a magia da Música ao vento


Começou a tocar guitarra aos 5 ou 6 anos e ao som do vento no moinho do seu avô em São Francisco da Serra:



“Lembro-me de levá-la e às vezes passar noites no moinho. Tinha uma irmã com mais um ano que eu. Ela também tocava guitarra. “


Este homem aparentemente frágil é o génio, o Mestre da Guitarra Portuguesa. A sua modéstia, simplicidade e simpatia estão a par com a sua genialidade.


Chama-se António Chainho e esteve recentemente no Auditório da FNAC de Almada a apresentar o seu mais recente CD LisGoa.


Fruto de um novo reencontro com a música de outras paragens – desde África ou o Brasil com Lisboa-Rio (2000) – nele pressentimos o reencontro com a Sitar, ou com a percussão executadas ou… saboreadas por músicos ocidentais, respectivamente Paulo Sousa e Raimund Engelhardt, um reencontro milenar de Portugal com o extremo oriental indo-europeu; afinal nós, pequeno país ponto de encontro, de chegada e de partida, de seres seduzidos irremediavelmente pelo Mar , miscigenando-nos, amando, inquietos, na busca terrivelmente permanente do infinito, da perfeição – que não existe – e o resultado …. é Almutâmide, é Camões, é Pessoa, é Florbela, é Sofia, é Alegre, é… Zeca Afonso, é Fausto, é Sérgio, é Veloso, é Janita, é Elis, é Caetano, é Chico, é…. esta Música suave e bela e sedutora que nos transporta pelo mar, na crista das ondas, é… o reencontro com a nossa genética ancestral.


E recordo o que Chainho contou sobre o que lhe aconteceu numa digressão recente pela China, quando um miúdo chorou de emoção por Chainho ter aceitado autografar o própia pauta… depois de aquele se ter apropriado dela. António Chainho soube recentemente que provavelmente descende de um viajante cines que se terá instalado na região de Sines há cerca de 500 anos.
                                            fotos de Pedro Roxo
LisGoa um disco luminoso que, para além dos músicos e instrumentos referidos é produzido pelo músico goês Carlos Barreto Xavier, no sintetizador, que também assina os arranjos nalguns temas, outros são de Jonathan Miler – responsável pela mistura e masterização -, na guitarra clássica o excelente músico Tiago Oliveira , as vozes sedutoras, suaves e bem timbradas de Isabel Noronha e da indiana Natasha Lewis e…, claro o Mestre António Chainho, o génio da Guitarra Portuguesa, que nos leva a percorrer o universo, a levitar… ao som do vento, como quando, porventura, em noites de luar ensolarado, passava o tempo tocando, no moinho do seu avô… em São Francisco da Serra, paredes meias com a serra de Grândola, talvez vislumbrando o Mar oceano ali tão perto, na extensa e doce costa Alentejana.

9 de mai. de 2010

"PREC Cantar a Revolução no Alentejo" em Beja

A Exposição "PREC Cantar a Revolução no Alentejo" em itinerância vai estar na Biblioteca Municipal de Beja José Saramago de 10 a 22 de Maio.
No dia da inauguração acontece Canto, Música, Poesia conforme refere o programa.
Para os(as) amantes da Beleza e da Utópia aqui fica o convite!

À Memória de Federico García Lorca




I


Uma menina anuncia


num búzio limpo de tempo


que Federico vem chegando


num poema azul


dito por um cigano.






Vem sonhando,


mais leve que uma sombra,


infância seu regresso:


coração verde de pomba


feito verso.






Vem como se fosse:


flor, nascimento,


gesto fresco e puro


ternura encantamento.






II


Quem não é poeta


tenta


mas não inventa


o estar lá


não estando:


sortilégio dado


no momento


em que se mostra


o deslumbramento:


- criança debruçada


no rosto duma pomba


ouvindo uma guitarra


imaginada


ao sabor do vento.


(José da Fonte Santa, 1925-1998, in Magia Alentejana Poesia e Desenhos e  Antologia Poetas Alentejanos do Século XX,  Poema do cartaz oficial da Homenagem a Federico Garcia Lorca, realizada em Setúbal, em 1986, no cinquentenário da sua morte)



 
 


plenitude

Serenamente, tão serenamente


como a folha que cai da azinheira


no Verão sem brisa, ao fim da tarde


ponho as mãos no teu rosto



Chamas-me Plenitude!


não tenho mais que esse momento


               
                (Maria Lascas, in plenitude)

20 de mar. de 2009

21 de Março - Dia Mundial da Poesia

"(...) dei por mim a tentar imaginar como seria (ou não seria...) a vida sem poesia e sem música... Por certo que a vida não seria vida, nem o mundo, tal como o vivemos, seria este mundo.
(...)"

"A poesia da terra"

José Alberto Alegria, arquitecto, Cônsul Honorário do Reino de Marrocos


"A música é meu arco, minha flecha, meu motor, meu combustível e minha solidão"


Elis Regina




Eu não sei se me salvo ou se me perco

ou se és tu que te perdes e me salvas

só sei que me redimo quando peco

e corpo a corpo ao céu vão nossas almas


"Sete Sonetos e Um Quarto"

Manuel Alegre