A Exposição "PREC Cantar a Revolução no Alentejo" em itinerância vai estar na Biblioteca Municipal de Beja José Saramago de 10 a 22 de Maio.
No dia da inauguração acontece Canto, Música, Poesia conforme refere o programa.
Para os(as) amantes da Beleza e da Utópia aqui fica o convite!
À Memória de Federico García Lorca
I
Uma menina anuncia
num búzio limpo de tempo
que Federico vem chegando
num poema azul
dito por um cigano.
Vem sonhando,
mais leve que uma sombra,
infância seu regresso:
coração verde de pomba
feito verso.
Vem como se fosse:
flor, nascimento,
gesto fresco e puro
ternura encantamento.
II
Quem não é poeta
tenta
mas não inventa
o estar lá
não estando:
sortilégio dado
no momento
em que se mostra
o deslumbramento:
- criança debruçada
no rosto duma pomba
ouvindo uma guitarra
imaginada
ao sabor do vento.
(José da Fonte Santa, 1925-1998, in Magia Alentejana Poesia e Desenhos e Antologia Poetas Alentejanos do Século XX, Poema do cartaz oficial da Homenagem a Federico Garcia Lorca, realizada em Setúbal, em 1986, no cinquentenário da sua morte)
plenitude
Serenamente, tão serenamente
como a folha que cai da azinheira
no Verão sem brisa, ao fim da tarde
ponho as mãos no teu rosto
Chamas-me Plenitude!
não tenho mais que esse momento
(Maria Lascas, in plenitude)
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9 de mai. de 2010
9 de fev. de 2010
Se estivesses aqui era feliz! Festa da viola campaniça em Amoreiras
No passado dia 6, sábado, foi dia de festa em Amoreiras-Gare. O Grupo “Cantares da Serra de S. Martinho das Amoreiras” apresentou o seu novo CD As nossas modas Cante ao Baldão Cante ao Despique Violas Campaniças. A sessão teve lugar no Salão do Centro Social de Amoreiras-Gare e depois de um almoço de umas suculentas sopas de grão, iniciou-se com a intervenções de autarcas e dois especialistas em viola campaniça, José Alberto Sardinha e José Francisco Colaço Guerreiro, o Presidente do Município, apresentado pelo infatigável e alma da iniciativa, o amigo Antero Silva. Na assistência, estavam entre outros, o Presidente do Município de Castro Verde e o amigo António Camilo, que até Setembro liderou os destinos de Odemira.
Depois das intervenções seguiu-se a música, ou melhor o cante e o canto, isto é, desde o grupo anfitrião, o amigo Pedro Mestre e o seu Grupo de Violas Campaniças ou o Mestre Manuel Bento, entre outros, mas também Francisco Fanhais, que na sua voz inconfundível nos trouxe a magia de Sophia de Mello Breyner com“Porque”, ou o jovem Paulo Ribeiro, que com um registo diversificado e de grande subtileza cantou Almutâmide, Ibne Amar e temas de sua autoria.
o cante, o canto… e a poesia...
No meio de muito poetas, coube-nos a nós, em parceria com Maria Vitória Afonso, o seu esposo Amadeu e o amigo José Orta divulgar a futura “Nova Antologia de Poetas Alentejanos”, a nós e ao Paulo que disse um poema de José António Chocolate Contradanças. “Dissemos” oito poetas, para além dos presentes e do José António: Francisco Naia, José Luís Peixoto, Maria Lascas e Vítor Encarnação.
A festa entrou pela noite dentro e se pecou foi só por excesso pois alguns poetas populares já não tiveram oportunidade de dizer os seus poemas. Aconteceu com José Carrilho Raposo, que nos possibilitou a publicação das quadras feitas para o efeito - as últimas feitas no local, porque de um poeta repentista se trata.
A Estação das Amoreiras
É uma terra tão gira
É de todas as mais porreiras
Do concelho de Odemira
É terra de gente boa
Carinhosos e hospedeiros
Acolhem sinceramente
Todos os seus forasteiros
Nesta terra maravilhosa
Do nosso querido Alentejo
Toda a gente está vaidosa
Neste tão belo festejo
Aqui se canta alentejano
Seu belo grupo coral
Praticam todo o ano
Seu instinto cultural
E a viola campaniça
Nesta área é vital
Que o seu vibrar nos cobiça
A única em Portugal
E o despique e o baldão
Um cante que tinha pernas
Se cantava ao balcão
Aos domingos nas tabernas
O cante mostra a cultura
Dum povo, da sua terra
A humildade e bravura
Da vila, aldeia ou na serra
Tal como a poesia
Que o poeta em voz calma
Declama com ousadia
Aquilo que lhe vai na alma
Porque a cultura dum povo
Também se faz a cantar
Eu venho do Pinhal Novo
Com a poesia popular
O cante, o canto e a poesia no mesmo palco.
“Eu sou campaniço tal como vós. (…) podem contar connosco, os que partimos há mais de quatro décadas, mas estamos sempre presentes. Porque a nossa Alma é Alentejana”
Houve momentos de grande emoção, como este em que pisávamos o mesmo palco que os Amigos Fanhais, Pedro Mestre, Paulo Ribeiro…
Houve momentos de grande beleza!
Houve momentos em que pensei, gritei mentalmente a plenos pulmões:
Se estivesses aqui era feliz!
e termino com dois poemas de José Luís Peixoto. Dois poemas de Amor...
A Verdade
tu és bonita.
tu és feita de sol.
eu amo-te.
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este livro. Passa um dedo pela página, sente o papel
como se sentisses a pele do meu corpo, o meu rosto.
este livro tem palavras. esquece as palavras por
momentos. o que temos para dizer não pode ser dito.
sente o peso deste livro. o peso da minha mão sobre
a tua. damos as mãos quando seguras este livro.
não me perguntes quem sou. não me perguntes nada.
eu não sei responder a todas as perguntas do mundo.
pousa os lábios sobre a página. pousa os lábios sobre
o papel. devagar, muito devagar. vamos beijar-nos.
(in A Casa, a Escuridão, Temas e Debates, 2002)
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19 de jan. de 2010
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