26 de set. de 2019
25 de set. de 2019
Da Galiza a Sines Um alentejano de regadio na costa atlântica ibérica
Escassos dias antes da partida do Mestre chegávamos a Sines, depois de um percurso desde A Coruña, no Norte da Galiza.
Aqui deixamos o relato dessa viagem.
Assim iniciamos o registo das últimas crónica mensais publicadas na Folha de Montemor.
Aqui deixamos o relato dessa viagem.
Assim iniciamos o registo das últimas crónica mensais publicadas na Folha de Montemor.
Da
Galiza a Sines
Um
alentejano de regadio na costa atlântica ibérica
À chegada a A Coruña deparámo-nos com uma
cidade quase cosmopolita com um bom e diversificado comércio e um porto de mar
muito intenso, no extremo noroeste da Galiza. Diversamente de Santiago de
Compostela, pejado de turistas e o lixo consequente, a catedral em obras, muito
menos acolhedora que Pontevedra, com uma zona histórica concorrida mas muito
bem conservada – onde nos acolhemos num simpático hostal, “Casa do Marujo”,
situado numa bonita praça no casco histórico.
As Rías Gallegas
Como o objetivo era sobretudo conhecer a
costa e as suas gentes numa perspectiva identitária – e já tínhamos abandonado
a ideia de visitar Ferrol, mais industrial - metemo-nos à estrada em direcção à
Costa da Morte, indo aportar a Malpica de Bergantiños, uma vila piscatória,
sede de concelho, onde fomos degustar num restaurante típico pulpo com
chipirones, tinto Ribero e uma excelente vista para o porto. O espaço de
degustação - e convívio - era frequentado pelos locais, nomeadamente
pescadores, onde orgulhosamente exponham num painel as espécies piscatórias e
técnicas e apetrechos usados para a sua faina.
Depois de percorrermos a estrada que
bordeja a Ria de Corme y Laxe, deparamo-nos com uma extensa baía de areia suave
e convidativa a um banho de mar, paredes meias com a povoação de Laxe, porto de
mar com alguns restaurantes na marginal mais frequentados certamente turistas
nacionais, pois era sábado. Abastecidos de água e de café de “saco”, fizémo-nos
de novo à estrada. Ainda que estivéssemos perto da costa passamos por zonas de
floresta frondosa antes de bordejarmos o Rio Grande, que desagua na Ria de Camariñas,
outra povoação piscatória.
Após breve paragem e registos fotográficos
– o sol estava coberto de nuvens e estava vento forte – atravessamos o rio na
povoação Ponte do Porto, iniciando a última parte percurso a caminho do Cabo
Fisterra – como se pronuncia em galego. Próximo, na última dezena de
quilómetros uma via rápida, de construção recente, ajuda a percorrer
rapidamente a distância até à povoação homónima, próximo do famoso cabo, a que
se acede por uma estrada em mau estado. O mítico cabo, onde ao longo dos tempos
reis, nobres, eclesiásticos e outras pessoas deixaram o registo da sua
passagem, muito frequentado por peregrinos – os que não viramos em Santiago – simbólico
por ser o fim do caminho para os peregrinos e ainda que arrebatador, fica muito
aquém da grandiosidade dos nossos Cabo Espichel ou Ponta de Sagres.
A Illa de Arousa
Com o dia a aproximar-se do fim
restava-nos regressar ao hotel, em Santiago de Compostela, para depois de um
banho retemperador, jantarmos num arraial que celebrava o S. João – pouco
exuberante e muito católico, se comparado com as exuberantes festividades pagãs
que no dia seguinte, no Porto ou noutras terras lusas celebrariam o S. João,
assim como Lisboa celebra o S. António ou noutros locais o S. Pedro – que os
pescadores galegos não celebram, como soubemos em Malpica, quando abordados
pela Anita.
No táxi, a caminho do casco histórico de
Santiago percorremos com a memória o primeiro dia em terras galegas, tendo
partido cedo de Valença e após cruzar a fronteira, e deixarmos para trás Tuy e depois Vigo,
atravessamos a esplêndida ria homónima pelo elegante viaduto perto de Domaio e,
após passarmos junto a Pontevedra, nesta
região do litoral sul da Galiza densamente habitada, virámos em direcção à Illa
de Arousa, na magnifica ria de com o mesmo nome. Trata-se certamente da maior
ria da Galiza, mais extensa do que qualquer outra das chamadas Rías Baixas,
caso da de Vigo, de Pontevedra, ou a Ría de Muros y Noia, imediatamente a Norte,
ou no Norte, as chamadas Rías Altas – casos da grande Ría de Betanzos, entre A
Coruña e Ferrol, ou a Ría de Stª Maria de Ortigueira, no extremo Norte – ou as
inicialmente referidas, muito belas mas bem mais pequenas, conhecidas pelas
Rías Gallegas.
Esta bela ilha tem a particularidade de se
situar a escassas centenas de metros da costa e esta ligada a esta por uma
ponte contruída nos anos 80. Situada quase em frente à povoação costeira de
Vilanova de Arousa, ainda que parcialmente habitada, não perdeu a sua beleza
natural. Tem diversos cais, muitos pescadores e é densamente habituada na zona
mais estreita, formando duas penínsulas. Tem um miradouro, um farol e pequenas
praias rodeadas de pinheiros, convidativas para passar ou uma ou duas semanas
de férias. Depois de cruzarmos a ponte, junto a um cais avistámos o restaurante
”O Pescador”, onde nos deliciámos com os choquinhos com tinta em molho
acompanhado pelo melhor vinho bebido na Galiza: um magnífico branco Albariño
caseiro, sem rótulo. Foi um manjar de deuses. O primeiro dia iniciava-se da
melhor forma possível, com a visita à ilha que tinha falhado noutro estadia em
terras galegas, 22 anos antes.
No segundo dia visitamos Cambados e O
Grove, concelhos costeiros separados por um grande braço da ria, tendo
degustado, na primeira povoação, menos turística, um excelente almoço por 10 €
por comensal, onde não faltava o pulpo no respectivo recipiente de madeira.
De
regresso ao Sul cruzamos o Rio Minho mas não visitámos Caminha nem a Citania de
Santa Tegra, na sua foz, antes nos dirigimos a Ponte de Lima: tal como na ida degustamos
nesta bela vila minhota. A sala era exclusivamente composta por comensais da
região, escolha certa para saborear os rojões, o arroz de serrabulho e um
excelente vinho verde tinto caseiro em malga.
O regresso ao Sul e o FMM
Em
dia de festejar o S. João não parámos em Leça de Palmeira, na Granja, em Espinho,
ou na extensa costa banhada pela Ria de Aveiro – Ovar, Torreira, S. Jacinto,
Costa Nova, Vagueira, Praia da Mira, ou mais perto da Figueira, em Tocha, Buarcos.
Muito menos S. Pedro de Moel – que recordamos de finais de 70 – Nazaré, Peniche,
Berlenga, Areia Branca, Ericeira, Praia das Maçãs – onde passámos férias há 50
anos. Mas como as férias ainda não tinham chegado, atravessamos o Tejo e
rumamos a Almada onde entre 4 e 18 de Julho acontece a 36ª edição do
Festival Internacional de Teatro – que
demos conta na edição anterior. E, depois de um banho rápido na Costa de
Caparica, seguimos para Sul, para a cidade de Vasco da Gama, que recebe entre
18 e 27 de Julho a 21ª edição do FMM, o mais importante e premiado festival de
músicas do mundo realizado em solo luso. No derradeiro dia, inicia o programa,
no já lugar de referência que é o palco do castelo, com a famosa banda bejense
“Virgem Suta”.
Depois
deste percurso, desde o extremo noroeste ibérico, nas tardes tépidas e nas
noites marítimas de Sines, vamo-nos deixar envolver pelos sons de outras
latitudes, as músicas do mundo.
José António Salgueiro partiu O adeus do Mestre
Ainda não passará 12 horas sobre o término do FMM e recebíamos a triste notícia...
José
António Salgueiro partiu
O
adeus do Mestre
Há homens quem lutam um dia, e são
bons;
Há outros que lutam um ano, e são
melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e
são muito bons;
Porém, há os que lutam toda a vida
Estes são imprescindíveis
Bertold
Brecht
Ainda não passará 12 horas sobre o término do FMM e recebíamos a triste notícia...
José António Salgueiro, o Mestre das plantas, como era
conhecido, partiu fisicamente seis meses depois de ter completado 100 anos.
Deixou-nos dia 28 de Julho. Ficou mais pobre Montemor-o-Novo, ficou mais pobre
o Alentejo, ficou mais pobre Portugal. Salgueiro deixou um vazio difícil de
preencher nos muitos milhares de amantes da Natureza, nomeadamente os praticantes
de medicina natural e especialmente muitos(as) a quem José Salgueiro aliviou ou
curou das mais variadas maleitas. Deixou um vazio nos(as) homens e mulheres a
quem deu o privilégio da sua amizade.
Esse vazio é difícil de preencher para quem acompanhou
Mestre Salgueiro praticamente nas últimas duas décadas, fosse divulgando a sua
obra, fosse aqui nas páginas da Folha de
Montemor, na Revista Memória
Alentejana ou na Revista Tempo Livre,
do INATEL, só para citar três casos, ou ao termos viabilizado a sua
participação em inúmeros Passeios Campestres, mas também dizendo presente
sempre que o Mestre solicitou os meus singelos préstimos para escrever
prefácios para os seus livros. Por outro lado levando-o a participação em duas
sessões, em Almada na Festa do Solar (2015) e no 3º Aniversário do Cante
Património da Humanidade, “Almada homenageia o Cante” (2017) e as homenagens,
que por proposta nossa o Centro de Estudos Documentais do Alentejo-Memória
Colectiva e Cidadania (CEDA) - de que o Mestre era sócio honorário - e a
Revista Memória Alentejana
realizaram, tanto no passado dia 3 de Fevereiro a festa do seu centenário – aqui
referida nestas páginas - à semelhança do acontecido há dez anos, na Casa do
Alentejo – onde para celebrar tão importante e significativa data estiveram
presentes muitos admiradores e familiares do Mestre Salgueiro.
É de toda a justiça referir aqui dois nomes: o nosso
editor comum, o grande Alentejano – defensor acérrimo do nosso património
identitário, literário e não só – que é o Fernando Mão de Ferro - e a Manuela
Rosa, professora, poetisa e divulgadora de poesia e da literatura – Amiga que
connosco e outros amigos levamos a cabo o projecto “Nova Antologia de Poetas
Alentejanos” (2013), obra de referência com duas edições; a Manela Rosa teve um
papel ímpar, nomeadamente na preparação e redação, a partir de muitas centenas
de horas gravadas e de inúmeros dias de trabalho que possibilitou a edição do
último livro, biográfico, de José Salgueiro
A Minha Vida Dava um Romance.
Outros(as) há, e poderia referir nomes, inclusive os amigos desta Cooperativa
que edita a Folha e protagoniza o
jornalismo livre e regional, autarcas, cidadãos anónimos, mas quero aqui
registar este homem e esta mulher, alentejanos de corpo inteiro, que tal aconteceu
com o Mestre Salgueiro, me dão o privilégio da sua amizade. Sabemos que sempre
fizeram tudo o que estava ao seu alcance, tal como nós, com abnegação, para
divulgar e valorizar o Homem e a sua Obra. Nunca se escusaram, alegando falta
de tempo ou outro para não fazerem o que tinha de ser feito em vida de José
Salgueiro.
A obra de José Salgueiro reside não apenas nos seus
livros com o maior interesse quer literária quer a lucidez demonstrada e a
capacidade analítica de Homem culto - nomeadamente o livro mais vendido na
Colibri, Ervas, Usos e Saberes, em
cinco edições - mas sobretudo a sua postura ética e cívica pondo diariamente a
sua enorme sabedoria ao serviço dos outros, da comunidade. O seu desassombro
perante a vida e quem conheceu bem o Mestre sabe do que falamos: partilho aqui
uma sessão de autógrafos em que participamos os dois, na Feira do Livro de
Lisboa, como o Mestre abordava os potenciais leitores, dizendo que quem
comprasse [e praticasse os ensinamentos] o seu livro vivia até aos 100 anos… e
depois como abordou autores “consagrados” de editora em frente, com o mesmo
argumento…
José Salgueiro preparava-se para editor um tratado de
medicina natural. Visitei-o dia 10 de Maio, depois de um telefonema seu com
carácter urgente: queria que fosse eu a escrever o prefácio. Perante o meu
receio de não ser a pessoa indicada para aquela temática, Mestre Salgueiro
retorquiu: “Mas sabes falar de mim. Conheces-me.”
Quando no passado dia 28, vi no écran do telefone do
carro o nome da Isabel Meira, soube de imediato, o que segundos depois o filho,
Miguel, o neto mais velho de Salgueiro, confirmava: o Mestre havia partido.
Até sempre, Mestre Salgueiro!
Com a devida vénia reproduzimos esta sentida homenagem do Amigo Fernando (Mão de Ferro) à memória do nosso Querido Mestre Salgueiro!
27 de jul. de 2019
FESTIVAL
MÚSICAS DO MUNDO SINES 2019
Encontra-se
completo o programa de concertos da 21.ª edição do FMM Sines - Festival Músicas
do Mundo, que se realiza de 18 a 27 de julho de 2019.
Conforme
a nota de imprensa, o festival entre 1999 e 2018 recebeu cerca de 1 milhão e 200 mil
espectadores. Realizaram-se 589 concertos, em que atuaram mais de 3200 músicos,
oriundos de mais de 100 países e regiões.
Vencedor
do prémio de melhor grande festival nacional nos Iberian Festival Awards 2019,
além dos prémios de festival português com melhor programa cultural e de
festival ibérico que melhor promove o turismo, o FMM Sines apresenta-se como
uma experiência de descoberta e diálogo intercultural através da música.
Este
ano, estão programados 51 concertos de 31 países, distribuídos por 10 dias de
música: os primeiros três na aldeia de Porto Covo (18, 19 e 20 de julho) e os
restantes sete na cidade de Sines (21 a 27 de julho).
Em
2019, o festival sob o lema é "música com espírito de aventura" levam
os espectadores a viajar com músicos e músicas da África do Sul, Alemanha,
Angola, Argélia, Arménia, Bélgica, Brasil, Burundi, Cabo Verde, Colômbia,
Coreia do Sul, Costa do Marfim, Espanha, EUA, Finlândia, França, Gâmbia, Gana,
Índia, Jamaica, Líbano, Malásia, Marrocos, Moçambique, Nigéria, Palestina,
Portugal, Reino Unido, Síria, Togo e Tunísia. Burundi e Malásia são estreias no
festival.
A
21.ª edição do festival será também marcada pela afirmação da criatividade
feminina, com destaque para as artistas africanas da Gâmbia, Costa do Marfim, de
Cabo Verde grupo e da Coreia do Sul.
As
músicas da Europa e dos EUA programadas têm em comum a abertura a outras
culturas.
De
França, chegam três grupos com ligações à música das três margens do
Mediterrâneo; a Londres multicultural traz também uma delegação de peso;
As
duas bandas alemãs programadas são outro exemplo de uma Europa acolhedora; de
Nova Iorque, a metrópole cosmopolita por excelência, vêm ao festival duas
orquestras com matriz no afrobeat.
O
lado mais multicultural da capital portuguesa também estará presente, através
de três exemplos do novo "som de Lisboa", que recupera a ligação
africana: Dino D'Santiago, Branko e Batida apresenta: IKOQWE.
Trazem
música do Brasil ao FMM Sines. Ainda da América do Sul, recebemos um grupos
ponta-de-lança da nueva cumbia colombiana, Frente Cumbiero.
Promovem
regressos às origens: ao som clássico de Lomé, no caso de Vaudou Game; e ao
highlife do Gana, no caso do grupo Santrofi. Para o nigeriano Keziah Jones,
África é indissociável da grande música afro-americana, dos blues ao funk.
Entre
a Europa, a Ásia e África, o Levante tem um libanês - a banda de blues-rock The
Wanton Bishops - e dois palestinos, Le Trio Joubran e Zenobia.
Da
Índia, o festival recebe música ainda próxima ao folclore, para quem as raízes
no sul do país são apenas uma das matérias-primas de muitas viagens e experimentações.
A
música folk, sempre presente no alinhamento do festival, com as bandas
portuguesas Ronda da Madrugada, Gaiteiros de Lisboa e Tranglomango e os galegos
Davide Salvado e Banda das Crechas.
O
jazz com componente vocal, tem na belga Melanie di Biasio a grande figura desta
edição do FMM.
Também
da Bélgica, embora com raízes portuguesas e cabo-verdianas, estreia-se em Sines
a revelação Blu Samu, artista entre a soul, o jazz, o funk e o rap.
A
juntar ao novo som afro de Lisboa e à folk, o retrato da diversidade da música
feita em Portugal completa-se com a experiência de música e dança Ethno
Portugal, o grupo de pop-rock alentejano Virgem Suta e o projeto Montanhas
Azuis, que junta três artistas de personalidade artística vincada - Marco
Franco, Norberto Lobo e Bruno Pernadas.
Para
além dos muitos concertos, a 21.ª edição do FMM Sines - Festival Músicas Mundo
oferece um programa de iniciativas paralelas, com animação de rua e dos palcos,
exposições, ateliês e espetáculos para crianças, encontros com artistas do
festival, oficinas de música, visitas guiadas, feira do livro e do disco,
encontros com escritores, ciclo de cinema e sessões de contos.
Rute Gonçalves
Aqui vos deixamos algumas notas da alguns dos excelentes concertos de ontem, sexta-feira, dia 26.
De Sines para o mundo, todas as músicas deste mundo, inteirinhas no castelo de Sines! O Alentejo no seu melhor! É bom ser alentejano de regadio...
Depois de um longo ano for do V/ convívio, regressamos, de novo em Sines, no melhor festival de música do mundo, o FMM. Antes da reportagem, que se segue, aqui vos deixamos um texto publicado na Revista Memória Alentejana, nº 41, acabada de sair.
FESTIVAL
MÚSICAS DO MUNDO SINES 2019
Encontra-se
completo o programa de concertos da 21.ª edição do FMM Sines - Festival Músicas
do Mundo, que se realiza de 18 a 27 de julho de 2019.
Conforme
a nota de imprensa, o festival entre 1999 e 2018 recebeu cerca de 1 milhão e 200 mil
espectadores. Realizaram-se 589 concertos, em que atuaram mais de 3200 músicos,
oriundos de mais de 100 países e regiões.
Vencedor
do prémio de melhor grande festival nacional nos Iberian Festival Awards 2019,
além dos prémios de festival português com melhor programa cultural e de
festival ibérico que melhor promove o turismo, o FMM Sines apresenta-se como
uma experiência de descoberta e diálogo intercultural através da música.
Este
ano, estão programados 51 concertos de 31 países, distribuídos por 10 dias de
música: os primeiros três na aldeia de Porto Covo (18, 19 e 20 de julho) e os
restantes sete na cidade de Sines (21 a 27 de julho).
Em
2019, o festival sob o lema é "música com espírito de aventura" levam
os espectadores a viajar com músicos e músicas da África do Sul, Alemanha,
Angola, Argélia, Arménia, Bélgica, Brasil, Burundi, Cabo Verde, Colômbia,
Coreia do Sul, Costa do Marfim, Espanha, EUA, Finlândia, França, Gâmbia, Gana,
Índia, Jamaica, Líbano, Malásia, Marrocos, Moçambique, Nigéria, Palestina,
Portugal, Reino Unido, Síria, Togo e Tunísia. Burundi e Malásia são estreias no
festival.
A
21.ª edição do festival será também marcada pela afirmação da criatividade
feminina, com destaque para as artistas africanas da Gâmbia, Costa do Marfim, de
Cabo Verde grupo e da Coreia do Sul.
As
músicas da Europa e dos EUA programadas têm em comum a abertura a outras
culturas.
De
França, chegam três grupos com ligações à música das três margens do
Mediterrâneo; a Londres multicultural traz também uma delegação de peso;
As
duas bandas alemãs programadas são outro exemplo de uma Europa acolhedora; de
Nova Iorque, a metrópole cosmopolita por excelência, vêm ao festival duas
orquestras com matriz no afrobeat.
O
lado mais multicultural da capital portuguesa também estará presente, através
de três exemplos do novo "som de Lisboa", que recupera a ligação
africana: Dino D'Santiago, Branko e Batida apresenta: IKOQWE.
Trazem
música do Brasil ao FMM Sines. Ainda da América do Sul, recebemos um grupos
ponta-de-lança da nueva cumbia colombiana, Frente Cumbiero.
Promovem
regressos às origens: ao som clássico de Lomé, no caso de Vaudou Game; e ao
highlife do Gana, no caso do grupo Santrofi. Para o nigeriano Keziah Jones,
África é indissociável da grande música afro-americana, dos blues ao funk.
Entre
a Europa, a Ásia e África, o Levante tem um libanês - a banda de blues-rock The
Wanton Bishops - e dois palestinos, Le Trio Joubran e Zenobia.
Da
Índia, o festival recebe música ainda próxima ao folclore, para quem as raízes
no sul do país são apenas uma das matérias-primas de muitas viagens e experimentações.
A
música folk, sempre presente no alinhamento do festival, com as bandas
portuguesas Ronda da Madrugada, Gaiteiros de Lisboa e Tranglomango e os galegos
Davide Salvado e Banda das Crechas.
O
jazz com componente vocal, tem na belga Melanie di Biasio a grande figura desta
edição do FMM.
Também
da Bélgica, embora com raízes portuguesas e cabo-verdianas, estreia-se em Sines
a revelação Blu Samu, artista entre a soul, o jazz, o funk e o rap.
A
juntar ao novo som afro de Lisboa e à folk, o retrato da diversidade da música
feita em Portugal completa-se com a experiência de música e dança Ethno
Portugal, o grupo de pop-rock alentejano Virgem Suta e o projeto Montanhas
Azuis, que junta três artistas de personalidade artística vincada - Marco
Franco, Norberto Lobo e Bruno Pernadas.
Para
além dos muitos concertos, a 21.ª edição do FMM Sines - Festival Músicas Mundo
oferece um programa de iniciativas paralelas, com animação de rua e dos palcos,
exposições, ateliês e espetáculos para crianças, encontros com artistas do
festival, oficinas de música, visitas guiadas, feira do livro e do disco,
encontros com escritores, ciclo de cinema e sessões de contos.
Rute Gonçalves
31 de jul. de 2018
Festival de Sines em 20 º edição ou... 20 anos a dar-nos Música(s) do Mundo
Depois de (mais uma) longa ausência, regressamos ao V/
convívio por uma causa justa. Aqui vos deixamos
a reportagem , publicado ao minuto no nosso face - Eduardo Manuel – relativamente a alguns dos
espectáculos que tivemos oportunidade de acompanhar na 20ª edição do FMM, em
Porto Covo e em Sines. Dos cinco concertos a que assistimos no primeiro
fim-de-semana em Porto Covo, vos damos conta de três deles, os nossos
preferidos.
Dos 14 concertos a que assistimos no segundo fim-de-semana,
quinta, sexta e sábado, dias 26, 27 e 28, aqui vos deixamos foto legendas de
seis deles.
Sobre esta excelente festival, para além do artigo aqui
publicado na íntegra – inicialmente previsto para sair no Diário do Sul, também publicamos no mensário Folha de Montemor, edição de Julho, o artigo Festival de Sines. 20 anos a dar-nos música(s) do mundo.
Saboreiem. Esperamos que seja do V/ agrado.
Sábado, dia 21
No primeiro fim-de-semana do Festival Músicas do Mundo de
Sines, aqui em Porto Covo, foi assim no passado sábado, a excelente vocalista
húngara Anna Maria Oláh da banda "Meszecsinka".
Seguiu-se-lhe Viex Farka Toure, do Mali, com o fulgor de seu
blues do deserto, conhecido pelo "Hendrix do Sahara".
E no calor da noite a banda turca de Istambul "Baba Zula", entre a
poesia e o rock psicodélico, com a sua performativa postura de "animais de
palco" - "O importante é o espetáculo", conforme o Mestre Almada,
encheram as medidas aos melómanos presentes. O FMM no seu melhor e... segue
dentro de momentos...
FMM de Sines
20 anos de excelência
20 anos de excelência
Na próximo sábado, dia 28 [de Julho], termina o festival
Músicas do Mundo, este ano em 20ª edição. A decorrer desde dia 19, 5ª feira da
semana anterior, significa que em 2018 se realiza durante dez dias
consecutivamente aquele que é considerado um dos mais importantes festivais
internacionais da “World Music” e seguramente o mais importante festival
musical que nesta área se realiza em Portugal. Nesta edição que assinala os 20
anos o FMM tem o maior alinhamento de sempre, com 59 concertos previstos, a que
se adiciona um conjunto vasto de iniciativas paralelas em várias áreas de
expressão artística. Organizado pela Câmara Municipal de Sines, tem vindo a
crescer e a afirmar-se, desde a 1ª edição, em 1999 como a grande referência
nacional para o que de melhor acontece musicalmente fora dos circuitos
comerciais.Nos últimos anos várias vezes premiado, recebeu em 2017 o EFFE
Award, atribuído pela European Association a “seis dos mais influentes
festivais europeus, tendo o júri destacado o papel deste festival na promoção
de “uma diversidade real – não uma diversidade cosmética” e por constituir uma
“celebração da arte, da vida e do espírito cosmopolita”, conforme
disponibilizado em Nota de Imprensa pela organização do certame.
Nesta edição o FMM apresenta músicos de 41 países
e/ou regiões de todos os continentes: e nomeadamente os estreantes Bahrein,
Bielorrússia, Chipre, Eslovénia, Sudão e Zimbabué. No alinhamento para esta
edição encontramos artistas e grupos de referência, como Bulimundo,
Huun-Huur-Tu, Kimmo Pohjonen, Kroke, Maravillas de Mali e Oliver Mtukudzi, mas
também novos valores como são o caso de BaianaSystem, Elida Almeida, Sofiane
Saidi, Sons of Kemet e Vieux Farka Touré.
Do Porto
Covo ao Castelo de Sines
O FMM Sines 2018 teve o espectáculo inicial, como
já vem sendo tradição, cantado em português pois Aldina Duarte, inaugurou em
Porto Covo, dia 19.
No dia seguinte depois de espectáculos menos interessantes, a excelência voltou a encher as medidas aos milhares de melómanos que na segunda quinzena de Julho inevitavelmente viajam para o Sines e, neste caso para a antiga aldeia piscatória de Porto Covo, agora densamente urbanizada mas ainda envolta na beleza natural do mar e dos campos fronteiros. Foi aí, na noite de sábado, 21, nos foi dado saborear intensamente a prestação única da banda húngara de fusão folk psicadélica de Budapeste, Meszecsinka - “pequena lua”, em búlgaro – formação multinacional com membros com origens da Hungria, Bulgária, Polónia, Croácia e Arménia, em que a vocalista, Annamária Oláh, que características vocais ímpares e uma formação no folclore búlgaro, se apresentou apoiada por um naipe de quatro músicos de excepção – teclas, guitarra, baixo, percussão, douduk e flauta - nos trouxe uma mescla musical onde o experimentalismo rockeiro conviveu com o folk búlgaro e húngaro, o flamenco e músicas orientais, o que empolgou a assistência. Seguindo-se-lhe Vieux FarkaTouré, do Mali – filho do mítico Ali Farka – conhecido pelo “Hendrix do Sahara”, que no seu estilo pessoal onde blues do deserto se apresenta com influências musicais de rock, funk, reggae, música latina e sons de outras latitudes africanas, nos trouxe a avassaladora punjança musical centro-africana – que tão bem saboreamos em vários momentos no dia derradeiro da edição de 2017. Logo após a meia-noite soar, Baba Zula, banda turca, com o seu registo de rock psicadélico de Istambul - que teve os seus anos de ouro em sessenta - esta formação que mistura instrumentos de raiz tradicional - a darbuka, o saz eléctrico – com colheres de pau e electrónicos, onde, para além do rock psicadélico, também o dub, numa reinterpretação oriental, são interpretados por este quarteto composto por verdadeiros “animais de palco”, que galvanizaram completa a assistência: Esta levada ao rubro, neste concerto que foi um verdadeiro ritual com poesia, teatro, dança, figurinos elaborados e artes plásticas, tendo os músicos interagido na perfeição – tal como os dois agrupamentos anteriores – e onde a máxima do nosso Almada Negreiros: “O importante é o espectáculo” aconteceu plenamente, nomeadamente quando se deram ao luxo de descer do Palco Inatel e vir tocar para o meio da assistência, mais de 10 minutos, no apinhado Largo Marquês do Pombal enquanto o quarto elemento, o baterista, concertava calmamente um prato que se soltara.
Já em Sines, onde o festival está a decorrer desde segunda-feira, dia 23, deixamos o convite para, a iniciar o programa na 5ª feira, dia 26, pelas 17horas, no Centro de Artes, uma artista de língua portuguesa, Susana Travassos, uma voz com ligações à América do Sul, enquanto nesse dia inicia as “hostilidades no palco do Castelo o grupo Timbila Muzimba, de Moçambique, seguindo-se-lhe artistas/grupos do Gana, França, Tuva-Rússia, Argélia/França e na Avenida da Praia da Etiópia e da França/Paquistão. Sexta-feira, 27, dia grande para a participação brasileira o programa no Castelo começa com a cantautora paulista Tulipa Ruiz, seguindo-se-lhe, lá mais para o final da noite e três concertos depois – dois no palco do Castelo e um na Avenida da Praia – Cordel de Fogo Encantado, uma banda em destaque na nova música urbana brasileira que vai beber nas raízes da tradição. Na madrugada do dia seguinte, o último concerto, na Avenida, fica a cargo da banda Scúru Fitchádu, lisboeta de raízes africanas. No último Sábado, a língua portuguesa está presente em quatro dos dez concertos (leu bem, dez concertos!) previstos para o derradeiro dia do FMM, a saber: Live Low, grupo que apresenta experimentações eletrónicas sobre música tradicional, toca no Centro de Artes e Sara Tavares abre o programa no palco do Castelo. Depois de bandas da Austrália, Líbano e Zimbabué, que certamente nos vão fazer delirar, e quando a noite já estiver ao rubro actua a formação Bulimundo, lenda viva de Cabo Verde e segue-se a encerrar a programação do FMM de Sines de 2018 no palco do Castelo uma das duas bandas que estão na dianteira da nova música urbana atenta às raízes do outro lado do Atlântico, BaianaSystem. O Brasil encerra esta 20ª edição do festival no palco principal no Castelo - ainda que a seguir actuem mais três bandas no palco da Avenida Vasco da Gama, respectivamente da Jamaica, Senegal/Alemanha e Colômbia, certamente que se vão prolongar até ao romper da manhã de domingo. Aliás, esta é a maior delegação brasileira que o festival alguma vez recebeu e não deixa de ser curioso este final, certamente apoteótico, em português, por artistas de outras paragens do planeta neste festival de Sines, terra milenarmente ligada ao mar, Sines que é uma das mais populosas cidades alentejanas, cidade e concelho com características excepcionais e únicas de beleza natural, consequentemente lugar de férias estivais de todo o Alentejo no século passado, antes das praias algarvias estarem na moda. Este festival em que a escolha dos artistas ergue pontes entre culturas e promove a igualdade da circulação de artistas, dando ao público a oportunidade de conhecer músicos com origem em geografias ou propostas estéticas que encontram menos espaço no circuito comercial da música ao vivo, é algo de que nos orgulha enquanto alentejanos, nós para quem o Alentejo, com a sua diversidade e riqueza é uno e indivisível desde Belver- Gavião ou Nisa, nas margens do Tejo ao às margens do rio Mira ou Pomarão-Mértola, ou de Barrancos até… precisamente Sines. A realização deste que é o mais importante festival de músicas do mundo que se realiza em Portugal é a prova provada da capacidade de acontecerem realizações únicas na pátria transtagana, seja na raia, no Alto, no Baixo, no Central ou no Alentejo Litoral. Saibamos unir-nos nos objectivos comuns e exigir as estruturas viárias, marítimas e aéreas que potencializem as nossas capacidades, o que existe, pode e deve ser desenvolvido...
No dia seguinte depois de espectáculos menos interessantes, a excelência voltou a encher as medidas aos milhares de melómanos que na segunda quinzena de Julho inevitavelmente viajam para o Sines e, neste caso para a antiga aldeia piscatória de Porto Covo, agora densamente urbanizada mas ainda envolta na beleza natural do mar e dos campos fronteiros. Foi aí, na noite de sábado, 21, nos foi dado saborear intensamente a prestação única da banda húngara de fusão folk psicadélica de Budapeste, Meszecsinka - “pequena lua”, em búlgaro – formação multinacional com membros com origens da Hungria, Bulgária, Polónia, Croácia e Arménia, em que a vocalista, Annamária Oláh, que características vocais ímpares e uma formação no folclore búlgaro, se apresentou apoiada por um naipe de quatro músicos de excepção – teclas, guitarra, baixo, percussão, douduk e flauta - nos trouxe uma mescla musical onde o experimentalismo rockeiro conviveu com o folk búlgaro e húngaro, o flamenco e músicas orientais, o que empolgou a assistência. Seguindo-se-lhe Vieux FarkaTouré, do Mali – filho do mítico Ali Farka – conhecido pelo “Hendrix do Sahara”, que no seu estilo pessoal onde blues do deserto se apresenta com influências musicais de rock, funk, reggae, música latina e sons de outras latitudes africanas, nos trouxe a avassaladora punjança musical centro-africana – que tão bem saboreamos em vários momentos no dia derradeiro da edição de 2017. Logo após a meia-noite soar, Baba Zula, banda turca, com o seu registo de rock psicadélico de Istambul - que teve os seus anos de ouro em sessenta - esta formação que mistura instrumentos de raiz tradicional - a darbuka, o saz eléctrico – com colheres de pau e electrónicos, onde, para além do rock psicadélico, também o dub, numa reinterpretação oriental, são interpretados por este quarteto composto por verdadeiros “animais de palco”, que galvanizaram completa a assistência: Esta levada ao rubro, neste concerto que foi um verdadeiro ritual com poesia, teatro, dança, figurinos elaborados e artes plásticas, tendo os músicos interagido na perfeição – tal como os dois agrupamentos anteriores – e onde a máxima do nosso Almada Negreiros: “O importante é o espectáculo” aconteceu plenamente, nomeadamente quando se deram ao luxo de descer do Palco Inatel e vir tocar para o meio da assistência, mais de 10 minutos, no apinhado Largo Marquês do Pombal enquanto o quarto elemento, o baterista, concertava calmamente um prato que se soltara.
Já em Sines, onde o festival está a decorrer desde segunda-feira, dia 23, deixamos o convite para, a iniciar o programa na 5ª feira, dia 26, pelas 17horas, no Centro de Artes, uma artista de língua portuguesa, Susana Travassos, uma voz com ligações à América do Sul, enquanto nesse dia inicia as “hostilidades no palco do Castelo o grupo Timbila Muzimba, de Moçambique, seguindo-se-lhe artistas/grupos do Gana, França, Tuva-Rússia, Argélia/França e na Avenida da Praia da Etiópia e da França/Paquistão. Sexta-feira, 27, dia grande para a participação brasileira o programa no Castelo começa com a cantautora paulista Tulipa Ruiz, seguindo-se-lhe, lá mais para o final da noite e três concertos depois – dois no palco do Castelo e um na Avenida da Praia – Cordel de Fogo Encantado, uma banda em destaque na nova música urbana brasileira que vai beber nas raízes da tradição. Na madrugada do dia seguinte, o último concerto, na Avenida, fica a cargo da banda Scúru Fitchádu, lisboeta de raízes africanas. No último Sábado, a língua portuguesa está presente em quatro dos dez concertos (leu bem, dez concertos!) previstos para o derradeiro dia do FMM, a saber: Live Low, grupo que apresenta experimentações eletrónicas sobre música tradicional, toca no Centro de Artes e Sara Tavares abre o programa no palco do Castelo. Depois de bandas da Austrália, Líbano e Zimbabué, que certamente nos vão fazer delirar, e quando a noite já estiver ao rubro actua a formação Bulimundo, lenda viva de Cabo Verde e segue-se a encerrar a programação do FMM de Sines de 2018 no palco do Castelo uma das duas bandas que estão na dianteira da nova música urbana atenta às raízes do outro lado do Atlântico, BaianaSystem. O Brasil encerra esta 20ª edição do festival no palco principal no Castelo - ainda que a seguir actuem mais três bandas no palco da Avenida Vasco da Gama, respectivamente da Jamaica, Senegal/Alemanha e Colômbia, certamente que se vão prolongar até ao romper da manhã de domingo. Aliás, esta é a maior delegação brasileira que o festival alguma vez recebeu e não deixa de ser curioso este final, certamente apoteótico, em português, por artistas de outras paragens do planeta neste festival de Sines, terra milenarmente ligada ao mar, Sines que é uma das mais populosas cidades alentejanas, cidade e concelho com características excepcionais e únicas de beleza natural, consequentemente lugar de férias estivais de todo o Alentejo no século passado, antes das praias algarvias estarem na moda. Este festival em que a escolha dos artistas ergue pontes entre culturas e promove a igualdade da circulação de artistas, dando ao público a oportunidade de conhecer músicos com origem em geografias ou propostas estéticas que encontram menos espaço no circuito comercial da música ao vivo, é algo de que nos orgulha enquanto alentejanos, nós para quem o Alentejo, com a sua diversidade e riqueza é uno e indivisível desde Belver- Gavião ou Nisa, nas margens do Tejo ao às margens do rio Mira ou Pomarão-Mértola, ou de Barrancos até… precisamente Sines. A realização deste que é o mais importante festival de músicas do mundo que se realiza em Portugal é a prova provada da capacidade de acontecerem realizações únicas na pátria transtagana, seja na raia, no Alto, no Baixo, no Central ou no Alentejo Litoral. Saibamos unir-nos nos objectivos comuns e exigir as estruturas viárias, marítimas e aéreas que potencializem as nossas capacidades, o que existe, pode e deve ser desenvolvido...
Voltando ao FMM se quiser saber mais, consulte, www.fmmsines.pt …e viaje para Sines enquanto é
tempo.
Eduardo
M. Raposo
cedalentejo@gmail.com
cedalentejo@gmail.com
Publico aqui o artigo que estava previsto ter
"saído" ontem no "Diário do Sul" - o único jornal diário
publicado em solo Alentejano e um dos únicos da imprensa regional - onde tenho
o gosto de colaborar pontualmente, muitas vezes da Diáspora com reportagens sobre
temas artístico-literário-musicais. O meu apreço pelo "Diário do Sul"
reside no jornal em si mas também e nomeadamente por ser dirigido por um Homem
(com H grande) admirável, decano do jornalismo português, o mais antigo
director da imprensa escrita em funções e de idade: Manuel Madeira Piçarra, a
quem envio um fraterno e respeitoso abraço. O diferendo existente entre o
"Diário do Sul" e o Município de Sines, que não permitiu em 2017 a
publicação a reportagem efectuada, infelizmente ainda não foi sanado. Fazemos
votos para que em breve tal aconteça, em nome da valorização e da identidade
cultura Alentejana!
E.M.R.Quinta-feira, dia 26
Certamente um dos momentos altos
do FMM 2018 aconteceu na noite de sexta-feira com o mágico momento em que o
grupo "Huun-Huur-Tu", descendentes de pastores de Tuva, nos confins da Ásia -
entre o sul da Sibéria e a Mongólia, com o seu canto gutural e os instrumentos
tradicionais, um encontro com o sagrado da natureza que estes povos nómadas
divinizam... ao contrário de nós, ocidentais... é por momentos como este que o
FMM é justamente considerado o mais importante festival que acontece em
Portugal.
Sexta-feira, dia 27
Sexta-feira o FMM começou bem, as 17h, no agradável auditório do
Centro de Artes - onde há três anos apresentamos José Afonso - O Canto da
Utopia, no dia 25 de Abril - com o quarteto de Yazz Ahmed, britânica nascida no
Bahrein. Um bom momento de jazz, para começar musicalmente o dia...
Soberbo foi o concerto da banda do Reino Unido com raízes
caribenhas "Sons of Kemet", com o Castelo de Sines completamente cheio...
O FMM no seu melhor!
Sábado, dia 28
No derradeiro dia do FMM a noite começou no Castelo de Sines
em árabe com a libanesa Yasmine Hamdan.
A noite continuou no Castelo com os ritmos africanos do Zimbabué com
Oliver Mtukudzi e a sua banda “The Black Spirits” com música, dança e alegria.
Depois de um grande senhor da África Austral o grupo mítico
caboverdiano “Bulimundo” convidá-los a dançar ao som do funaná com a maior
enchente deste FMM no Castelo de Sines.
O FMM 2018 aproxima-se do fim com um excelente concerto! Dez
magníficos músicos em palco em língua portuguesa com os ritmos únicos de Cabo
Verde!
Em 2019 há mais!
Fica o encontro marcado… em frente à bela baía de Sines.
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