26 de mar de 2016

Pois é, cá estamos de novo na Páscoa. Só que desta feita sem papoilas e com noites muito frias... muito provavelmente estão relacionadas. Neste curto período - que pena ser tão curto - abrandamento de trabalho aqui ficam algumas imagens de eventos  em que participamos/assistimos nas últimas duas semanas:

O II Fórum Ibérico do Tejo, em Vila Franca de Xira, 19 e 20 de Março, com cerca de 20 oradores, metade deles castelhanos e andaluzes. Muito interessante, onde se realça a excelente intervenção de Carlos Teigas, investigador da U Porto e empresário - que não se limita a pôr questão mas arregaça as mangas e vai para o terreno apresentando resultados palpáveis, objectivos  e muito, muito positivos (este é cá dos meus não se limita a reflectir, age!). Só foi pena que nas conclusões  os aspectos patrimoniais identitários das populações ribeirinhas  ficassem relegados para segundíssimo plano, como se as mais valias se medissem apenas em termos turístico-economicistas.
Na imagem com os Profs Carlos Lopes Bento e (o Amigo) Vermelho do Corral

Mas na semana anterior já tínhamos estado no Feijó, no Clube Recreativo, onde os nossos "Amigos do Alentejo", organizaram , no dia 12 o "5º encontro de coros feminino alentejanos" com a participação de: "Grupo Coral Etnográfico As Ceifeiras de Entradas";As Papoilas" de A-do-Corvo, também do concelho de Castro Verde; "Grupo Coral Feminino Vozes de Barrancos"; "Grupo Coral Feminino de Viana do Alentejo"; "Grupo Coral Feminino Recordar a Mocidade, do CIRL", Laranjeiro e o grupo organizador.



































No dia 19 foi o grande dia.
O "Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó", assinalou, com grande grande festa o seu 30º Aniversário, momento de grande emoção a que tivemos o grato prazer de nos associar, oferecendo, em nome do CEDA e da Revista Memória Alentejana a última edição da Revista justamente "O Cante na Diáspora" e o CD "Cante na Diáspora" - patrocinado solidariamente pela Junta de Freguesia de Laranjeiro e Feijó, que ainda aguarda data de lançamento, mas que está a ser muito solicitado nesta fase inicial de distribuição aos grupos participantes, municípios alentejanos através das respectivas Comunidades Intermunicipais  e entidades apoiantes.

Foi uma festa bonita e fraterno de Cante e música popular que acabou com o tradicional jantar de grão, onde os valores da cultura alentejana marcaram orgulhosamente presença!


17 de mar de 2016

Em defesa do ensino responsável


 


Hoje no canal público, RTP1, o Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, deu uma lição de bom senso e respeito pela democracia e autonomia das escolas ao explicar que no cumprimento do Programa do governo acabara com os exames intercalares e implementara provas de aferição nos 2º, 5º e 8 º anos, salvo erro. E perante a insistência irritante do entrevistador Paulo Dentinho - que parecia não perceber as respostas e fez várias vezes as mesmas questões - lá foi calma e pacientemente explicando que depois de ouvir 700 directores escolares, resolvera deixar ao livre arbítrio das escolas e dos respectivos conselhos pedagógicos a decisão de realizarem ou não, em cada escola, as ditas provas de aferição: que afinal são isso mesmo; destinam-se a aferir o estado de aprendizagem dos alunos. Ao contrário dos exames que, enquanto avaliação externa levam a uma preparação dos alunos em função dessa avaliação externa. Opostamente, esta avaliação no ambiente onde os alunos mais saudavelmente poderão apreender e progredir - no meu tempo do "Ensino Unificado" designava-se por avaliação contínua - deixando que cada escola e os seus representantes no conselho pedagógico decidam o que e como fazer  é uma exercício de maturidade democrática e de responsabilidade. Em defesa do ensino responsável, em defesa o que é melhor para os alunos, afinal em prol de quem se devem direccionar todos os esforços por um ensino melhor!
 


16 de mar de 2016

Nico e o Alentejo

Nicolau Breyner, Alentejano de Serpa, cidadão do mundo, Actor do universo, partiu. Como dizia o mestre Almada Negreiros, "O importante é o espectáculo!" Nico deu-se todo, deu toda a sua alegria esfuziante, a sua vontade imensa de viver, de todas as formas possíveis e imaginárias, para a a arte de representar!

Nicolau Breyner partiu.
Viva Nicolau Breyner!

Nicolau Breyner amava o Alentejo!
Tal como eu e como muitos e muitas Alentejanos(as)

A seguir publico um artigo que foi a crónica da última edição da Folha de Montemor, a propósito de um livrito muito badalado, quando a mim demasiado. Pôr os pontos nos iis sobre os valores do Alentejo é também a minha forma singela mas sentida de homenagear Nicolau Breyner, ele que foi um Homem do tamanho do Mundo, ao contrário deste rapaz  - Henrique Raposo, felizmente não me é nada - um rapazito que manda umas  "bocas", meras opiniões, mas convencido que têm alguma importância e tenta elevá-las a verdades científicas... lamentáveis equívocos...




intitulei: A liberdade de expressão e o direito à indignação

A propósito de um livro polémico, Alentejo prometido, de Henrique Raposo – editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos na colecção Retratos da Fundação - que escamoteia a realidade da ruralidade e alguns factos históricos no século XX português, iniciamos nesta edição de Março um conjunto de crónicas sobre os Alentejanos na Diáspora.
O autor situa as suas origens familiares no Litoral Alentejano, algures entre Alvalade-Sado e São Domingos – freguesias de Santiago do Cacém - em povoações nas imediações da Ribeira de Campilhas, afluente do Rio Sado, e da Barragem de Fonte de Serne; referimo-nos a Foros da Pouca Sorte – aldeia dos seus avós - vizinha do Foros da Casa Nova, onde, pela mão do meu pai, visitei diversas vezes os meus avós paternos, uns bons dez anos antes de o autor nascer. Todavia o mesmo apelido parece ser pura coincidência e para além do prazer da escrita, será porventura o único aspecto que temos em comum.
Parece-nos um absurdo o alarido provocado à volta da edição de um livro que tem previsto o seu lançamento para o final do dia de fecho desta edição sob inéditas medidas de segurança. Afinal trata-se apenas de um road movie, como o próprio autor se lhe refere. Toda a mediatização que lhe está a ser dada não faz qualquer sentido, pois concorde-se ou discorde-se, afinal a democracia é isso mesmo; é aceitar a opinião dos outros mesmo que diversa.
Curiosamente concordo com Rui Cardoso Martins, ex-jornalista do Público e escritor premiado - esteve em Montemor nas II Jornadas Literárias em 2012 – que declarou no passado dia 5 ao DN “Acho triste e estúpido que alguém queira proibir ou queimar um livro”, como já aconteceu com este livro. Diria mais; acho uma atitude quase inquisitorial, um perfeito disparate. Mas se Henrique Raposo tem o direito a expressar o seu ponto de vista, também acho que quem não concorda tem o seu direito a indignar-se; todavia, deverá fazê-lo usando os mesmos meios. Poderão contrapor-me dizendo que nem todos têm acesso aos que o autor tem… bem, também posso dizer que o livro último que lancei, há um ano em Montemor – Urbano, o Eterno Sedutor - e umas semanas depois foi apresentando na Casa do Alentejo por um dos escritores e intelectuais contemporâneos mais brilhantes como é o caso do Miguel Real – aliás o (editor) Fernando Mão de Ferro considera-o não apenas um dos mas o melhor, o mais brilhante – livro este que certamente não será um contributo menor, ainda que diferente, para conhecer o Alentejo e a sua cultura e identidade mas, por outro lado, não teve nem de perto nem de longe a visibilidade e a mediatização deste e é muito provável que toda esta polémica, este frenesim o transforme num best-seller.
É evidente que o autor denota frontalidade, irreverência e até uma certa coragem ao assumir que não se revê, não se sente alentejano nem pertença de um Alentejo que julgava prometido, ainda que mantenha memórias do cheiro do café quente e das fatias de ovos – as citadinas “douradas” – o cheiro dos candeeiros a petróleo, as corridas de bicicleta com o irmão em liberdade total, a alegria de apanhar tomate na horta – eu ainda me recordo de visitar as primas que iam trabalhar para a fábrica do tomate, em Alvalade, a viverem temporariamente naquelas casas de telha vã, ou de me deliciar na horta que o meu pai, ferroviário, tinha junto à estação da CP da Funcheira. Todos esses aspectos não me são indiferentes, de maneira nenhuma, pois estão presentes, fazem parte das minhas memórias da infância, do meu imaginário, facto que acaba por criar uma certa empatia com esta escrita. Mas isso não apaga, não atenua um conjunto de meias verdades a partir de uma leitura grosseira de factos históricos, apenas de pressupostos, ilações e meras suposições ao generalizar o que é a sua percepção pessoal, mas que o autor tem a ambição de elevar a verdades sociológicas devidamente comprovadas, o que acaba por redundar em verdadeiros disparates.
Afinal o autor desconhece o mundo rural, todo o mundo rural de Norte a Sul, que certamente teria – ou terá muitas semelhanças àquelas que aponta ao Alentejo, a saber: a discriminação das mulheres que só o 25 de Abril alterou por força da lei e dos costumes nas décadas seguintes e que até então estava generalizada especialmente a todo o mundo rural e que mesmo nas grandes cidades só encontramos alterações significativas em classes sociais elevadas a partir de sessenta. É evidente que as gerações mais jovens, com outros horizontes, encontram nas cidades uma certa libertação - “ só tive sexo em Lisboa… “(p. 31)  à claustrofobia das terras do interior, mas certamente de todo o interior, desde o Minho ao Algarve. Admira-se o autor, por outro lado, como os habitués dum café em Alvalade-Sado, em 2010, que estavam embasbacados com a tatuagem que a empregada tinha “…entre o rabo e as costas”(mesma p.). Não fazendo juízos de valor sobre o propósito eventualmente sedutor da tatuagem, que a proprietária desta tinha o direito de ter, as “bocas” e a desatenção ao futebol que provocava, situações dessas são similares em todo o lado – dou num ápice meia dúzia de exemplos na “libertadora” cintura industrial para onde os alentejanos migraram às centenas de milhar. Até nos bairros populares de Lisboa, Porto. Excepções serão os locais frequentados pelas elites de Lisboa e Porto… e pouco mais
Como não percebo por que razão seria quase revolucionário a aproximação à religião católica – convívio e amizade próxima dos seus primos de Santiago para com o pároco local – e tenho que voltar a concordar com o Rui C. Martins, quando refere que a pouca religiosidade dos alentejanos – para ele e para mim - é um motivo de elogio, ao contrário do autor que a apelida de amoral… não sei se é desconhecimento mas o autor devia ter presente que o Alentejo tem na sua génese cultural um território marcado pelo encontro de todas as culturas urbanas - e  religiões - que, nos últimos cinco mil anos alicerçaram o espaço indo-europeu – não foi só a romanização, nem só o Garbe al-Andalus e o seu apogeu civilizacional, ou  a 1ª dinastia e sobretudo a segunda que estabeleceu a corte itinerante quase sempre em cidades e vilas alentejanas: D. João II ou D. Manuel que casou em primeiras e segundas núpcias em Alcácer do Sal… a guerra civil no século XIX os resquícios nas décadas seguintes trouxeram muita violência a todo o país, nomeadamente ao mundo rural e não só ao Alentejo… mas nada que obstaculiza-se a que D. Carlos que tanto gostava de estar em Vila Viçosa não tivesse ido beber ao montado alentejano a inspiração para as grandes obras que pintou e que fez dele um dos grandes pintores portugueses da época… afinal, ainda hoje a grande religiosidade do alentejano baseia-se na sua relação ancestral com a terra!...
No que concerne à questão da violência versus honra, aconselhava o autor a documentar-se melhor sobre a Comuna da Luz, o pensamento tolstoisiano de António Gonçalves Correia – que protegia formigas do afogamento eminente e libertava pássaros no Jardim público de Beja, dando vivas à Liberdade. A importância da palavra – que marca o nosso mundo mediterrânico – e do seu valor como factor de exteriorização da Honra e talvez perceba a razão porque José Júlio da Costa – natural de Garvão, como eu - matou Sidónio Pais, facto que terá que merecer a respectiva contextualização histórica tanto quanto a morte dos cunhados – que conjuravam para o matar – às mãos do Príncipe Perfeito… e recordar-lhe que até pelo menos meados do século XX os contratos era selados com um aperto de mãos…
O Alentejo foi a região mais politizada do país fora dos grandes centros urbanos – Brito Camacho, foi o 1º deputado republicano eleito antes de 1910, pelo círculo de Beja -  daí que enfrentar a PIDE durante o Estado Novo, como o autor refere, não é uma questão propriamente de “masoquismo” mas sim de consciencialização política.
Quanto à questão dos filhos ilegítimos, que tanto incomoda o autor, gostaria de lhe recordar que a segunda dinastia foi fundada na bastardia – o Mestre de Avis era filho da criada de Inês de Castro e foi um seu filho bastardo, ao se unir à filha do Condestável, que deu originem à poderosa Casa de Bragança que ainda hoje perdura…
Quanto à acusação dos Alentejanos serem individualistas, serem hostis ou terem orgulho de analfabetismo ou querer que Santiago seja representativo do universo Alentejo… meu caro leitor, estamos apenas perante um road movie. Termino desejando ao autor tanto êxito quanto as revistas que tem nome de mulher!






A terminar cito um excerto com que me identifico, com a devida vénia, do blogue

A Gata Christie ,

"Como disse, são opiniões. Ele tem as dele, eu tenho as minhas. E, acima de tudo, há algo que me separa de Henrique Raposo: é que eu gosto muito do Alentejo, amo-o profundamente com todos os seus defeitos (e nisso não serei muito diferente das outras pessoas amam as suas terras, imagino). O meu olhar sobre o Alentejo é toldado por esta paixão, o olhar de Henrique Raposo é toldado pelo ressentimento por todo o sofrimento que os seus antepassados viveram e até, parece-me, por um certo desprezo por tudo aquilo. O percurso do autor tem sido, até aqui, de afastamento consciente de todos os sinais de alentejanismo que ainda pudessem restar nos seus poros, algo que o próprio assume neste livro.
Dito isto, o livro Alentejo Prometido pode até, de uma certa forma, ser interessante como exemplo da opinião de um forasteiro - o que será que eles pensam de nós? - e o livro está bem escrito, há que dizê-lo. Mas aquele não é o meu Alentejo. E, embora não me ofenda (pelo amor de deus, é só um livrinho de 107 páginas de um rapaz que gosta de dizer coisas), entristece-me. Eu, como boa alentejana que sou, gostava que toda a gente gostasse da minha terra e sentisse a alegria que eu sinto quando vou no meu carro e vejo a planície a aproximar-se, aquela imensidão, aquele cheiro, aquele desolamento, aquela sensação única de estar em casa."




Eduardo M. Raposo
eduardoepablo@gmail.com

5 de jan de 2016

Novamente Madrid...

Continuando a saborear aquele primeira tarde soalheira em Madrid - que mais parecia Primavera  e não uma tarde de Dezembro - a Anita fez-me uma proposta tentadora, irrecusável: visitar os últimos frescos de Goya. Assim apanhámos o metro na estação da Plaza de España a caminho do Príncipe Pio - junto à antiga Estação do Norte. Depoios percorremos uma longa avenida - Passeo de la Florida - e já nos antigos arrabaldes - assim seria nos tempos de Goya desembocámos numa ermida aparentemente pacata com uma réplica ao lado  - que foi construída para se realizar normalmente o culto - pois a original alberga a sepultura de Francisco do Goya (1746-1828) e uma das obras primas da humanidades, os últimos frescos de Goya, considerados pela UNESCO Património da Humanidade. Aqui partilhamos algumas imagens destes magníficos frescos.







26 de dez de 2015

O Cante na Diáspora

Revista Memória Alentejana 
tema da última edição, nº duplo 35/36
 
Alentejanos de Almada


Alentejanos do Mundo



É com emoção que fomos recebendo dia após dia os testemunhos sentidos dos homens e das mulheres que sentem, amam, vivem e cantam apaixonadamente o Alentejo através dessa forma antiquíssima de colectivamente dizer Alentejo, porque - citando Pedro Ferro, artesão do efémero da escrita, que nos dizia, da Vidigueira num texto lindíssimo intitulado “Catedral” – “o Alentejo não canta com sentido de cantar: o Alentejo diz. E põe alaúdes na voz para dizer.” E conclui: “Fá-lo ao anoitecer, na hora subsolar e sublunar de um tempo que pára para o escutar. Ao anoitecer. Quando envolvem o canto como naves de catedral.”
Esta edição é dedicada a esses homens e essas mulheres que a vida difícil e a rudeza dos campos obrigou à despedida da Terra amada, “Abalei do Alentejo”, com as saudades que vão marcar as décadas, tantas, décadas demais longe da Terra, num vida, nem sempre fácil, na grande cidade, nas margens do grande rio, o Tejo, que separa o Alentejo do resto do país. Vida de muito trabalho nas fábricas, nos serviços, na hotelaria, nos transportes, mas também de empenho no associativismo e de luta pela democracia, antes e depois de Abril – agora também no Poder Local Democrático. Homens e Mulheres que a rudeza da vida, não apenas suavizou alma como aumentou a enorme capacidade, única de colectivamente, pelo Cante exteriorizar, partilhar esse património genético, há muito o ex-libris da nossa região, que faz da Pátria transtagana uma região única e do povo alentejano, um povo com um coração imenso.
Nesta edição propusemo-nos fazer o levantamento dos 30 grupos corais activos existentes na diáspora e a diáspora alentejana, como o próprio Alentejo, é (quase) do tamanho do mundo; começa aqui em Almada… e vai até Toronto.
Neste rico e diversificado caderno que dá tema à edição “O Cante na diáspora”, ao longo de quase 70 páginas damos voz a uma trintena de grupos corais existentes na diáspora, com base num exaustivo levantamento, nem sempre livre de algumas dificuldades, onde Almada, que tem cerca de 30 páginas, tem especial destaque:
Amigos do Alentejo, do Feijó; Cantadeiras de Essência Alentejana; Recordar a Mocidade, do Laranjeiro
Mas também do concelho de Palmela, temos em destaque:
Ausentes do Alentejo; Modalentejo;1º de Maio, Quinta do Anjo
Ainda do Seixal onde encontrámos: As Papoilas, do Fogueteiro; Operário Alentejano, das Paivas; Grupo Coral dos Serviços Sociais das Autarquias do Seixal e o Lírio Roxo, Paio Pires.
Ops restantes grupos corais existentes na diáspora estão sedeados: Amadora, três grupos; Albufeira, um; Barreiro, dois; Cartaxo, um; Cascais, dois; Loures, um; Moita, dois; Porto, um; Sesimbra, um; Setúbal, dois; Silves, um; Sintra, dois e um em Toronto, Canadá. Propusemo-nos, com base neste exaustivo levantamento realizado, não sempre livre de dificuldades, gravar um CD para ser acoplado a cada exemplar desta revista com a participação dos 10 grupos corais alentejanos de Almada, Palmela e Seixal; todavia constrangimentos motivados pela dificuldade de adicionar todos os apoios previstos e, por outro lado, atraso na confirmação de outros obrigaram-nos a adiar a edição dos CDs – onde, mesmo sem o apoio do Município do Seixal incluiremos os grupos corais deste concelho – mas aqui o compromisso de logo que seja financeiramente possível – talvez nos próximos meses – realizarmos uma edição, ainda que mais reduzida em CD.
Mas voltando a Almada, nas 30 páginas, apresentamos a entrevista com Joaquim Judas, Presidente da CMA, natural de Évora, mas também entrevistamos o homem – e o Amigo - que personifica a referência do Cante em Almada, Joaquim Afonso, natural de Pias, bem como sentidos, apaixonadas textos do Vice-Presidente CMA, fundador e antigo Presidente da Alma alentejana, José Gonçalves, nascido no Torrão do Alentejo, de Luís Palma, Presidente da União de Freguesias de Laranjeiro e Feijó, com fortes e assumidas raízes na Margem Esquerda do Guadiana e José Moutela, Presidente da Alma alentejana, finalizando com um texto de António Amaral sobre o Grupo de Trabalho  do Cante do Concelho de Almada, que desde Fevereiro de 2015, com o objectivo de realizar iniciativas tendentes a promover o Cante Alentejano e toda a riqueza etnográfica a este associado tem vindo a debater e propor estratégias tendentes à salvaguardar do Cante, nomeadamente lançando projectos para fomentar o Cante nas Escolas.
Ainda sobre Palmela – autarquia que desde a primeira hora teve uma postura francamente empenhada e solidária, o que saudamos - apresentamos uma entrevista ao Presidente do Município, Álvaro Amaro, se bem que não sendo alentejano é também um grande apreciador do Alentejo. A entrevista pedido ao Presidente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos, acabou por não se vir a realizar .
Nesta edição, registamos com agrado artigos de quem conhece bem o Cante,  seja como investigador e músico, caso do Jorge Moniz, seja enquanto um dos principais responsáveis pela candidatura vencedora do Cante a Património cultural Imaterial da Humanidade, como é o caso do presidente da MODA – Associação do Cante Alentejano, Francisco Teixeira, da socióloga Sónia Cabeça que nos fala do que o surgimento Cante no feminino representou uma autonomia social do Cante Alentejano ou a notícia das estratégias de salvaguarda “ deste cante que é nosso, deste cante que importa preservar e potenciar”, que nos chega do Campo Branco, em forma de prosa poética pela palavra escrita do Paulo Nascimento. A Grande Entrevista, nesta edição ao Pedro Mestre, Mestre o menino de oiro da salvaguarda e da transmissão do Cante e da viola campaniça.
António Chainho, desde que nos verdes anos começou a toca guitarra portuguesa na moinho de vento do seu avó, em plena serra na aldeia de S. Francisco,  até 2015, quando completou 50 anos de carreira fez um percurso que o guindou á genialidade, Chainho, o Amigo, o companheiro solidário no CEDA; no mesmo CEDA em que Domingos Montemor – com quem calcorreamos o Alentejo tantas vezes ao longo de mais de uma década – um dos companheiros que mais trabalhou e contribuiu para ele, CEDA fosse o que é hoje, o CEDA e esta publicação não receando e não voltando as costas aos desafios; talvez seja por isso que se alcançou o respeito do Alentejo, como se verificou no passado dia 10 na Casa do Alentejo onde esteve o Alentejo em peso, as suas forças vivas, de Portalegre a Castro Verde, de Monforte a Santiago, de Sousel a Beja, de Évora… a Almada, de Montemor a Odemira, a Ourique… e a diáspora em peso…
Os 40 Anos Poder Local Democrático não são esquecidos – esperamos fazer uma próxima edição sobre o tema – com textos de quem mais experiência e saber tem do tema, até numa perspectiva do futuro, Rogério de Brito – antigo deputado, eurodeputado e autarca e Fernando Caeiros, de desde 1976 e durante mais de 30 anos foi edil e é hoje um dos mais conceituados consultores da Associação Nacional dos Municípios. E a Feira de Castro é visitado com o João das Cabeças e o Encontro do Cante ao Baldão e da Viola Campaniça.
E o Acontecendo, necessariamente no gerúndio, onde o Destaque  vai para livros Actas MODA e CD Os Ganhões, mais de 30 recensões, referências: livros, discos e outros eventos, nomeadamente o recente trabalho de Orlando Pereira, e as suas reflexões estratégicas desenvolvimento local para preservar a identidade da sua aldeia de Penedos – Mértola, terminando com o “Programa Almada Homenageia o Cante”, iniciativa fruto de parceria entre a CMA e o Grupo de Trabalho do Cante do Concelho de Almada – projecto que o CEDA e a Revista Memória Alentejana assumiram deste o primeiro dia
Mesmo quase a fechar, o companheiro solidário, António Galvão, o artista plástico que ofereceu ao CEDA a serigrafia que é capa desta edição – e capa do caderno e poucos dias depois partiu.
Uma palavra de apreço e agradecimento às entidades que viabilizaram financeiramente esta edição: Câmara Municipal de Almada, Câmara Municipal de Palmela, Entidade Regional de Turismo Alentejo/Ribatejo, Junta de Freguesia de Laranjeiro e Feijó.
Aqui fica o nosso contributo para a salvaguarda do Cante!
Alentejanos de Almada, Alentejanos do Mundo; podem contar com o (vosso) CEDA, podem contar com a (vossa)  Revista Memória Alentejana.
“Voltarei ao Alentejo
Nem que seja no Verão”
Eduardo M. Raposo
(Presidente da Direcção / Director)
CEDA  / Revista MEMÓRIA ALENTEJANA
                                                                                    
                                                                        (do Editorial)