Continuando a saborear aquele primeira tarde soalheira em Madrid - que mais parecia Primavera e não uma tarde de Dezembro - a Anita fez-me uma proposta tentadora, irrecusável: visitar os últimos frescos de Goya. Assim apanhámos o metro na estação da Plaza de España a caminho do Príncipe Pio - junto à antiga Estação do Norte. Depoios percorremos uma longa avenida - Passeo de la Florida - e já nos antigos arrabaldes - assim seria nos tempos de Goya desembocámos numa ermida aparentemente pacata com uma réplica ao lado - que foi construída para se realizar normalmente o culto - pois a original alberga a sepultura de Francisco do Goya (1746-1828) e uma das obras primas da humanidades, os últimos frescos de Goya, considerados pela UNESCO Património da Humanidade. Aqui partilhamos algumas imagens destes magníficos frescos.
5 de jan de 2016
26 de dez de 2015
O Cante na Diáspora
Revista Memória Alentejana
tema da última edição, nº duplo 35/36
Alentejanos de Almada
Alentejanos do Mundo
É com emoção que fomos
recebendo dia após dia os testemunhos sentidos dos homens e das mulheres que sentem,
amam, vivem e cantam apaixonadamente o Alentejo através dessa forma
antiquíssima de colectivamente dizer Alentejo, porque - citando Pedro Ferro,
artesão do efémero da escrita, que nos dizia, da Vidigueira num texto
lindíssimo intitulado “Catedral” – “o Alentejo não canta com sentido de cantar:
o Alentejo diz. E põe alaúdes na voz para dizer.” E conclui: “Fá-lo ao
anoitecer, na hora subsolar e sublunar de um tempo que pára para o escutar. Ao
anoitecer. Quando envolvem o canto como naves de catedral.”
Esta edição é dedicada
a esses homens e essas mulheres que a vida difícil e a rudeza dos campos
obrigou à despedida da Terra amada, “Abalei do Alentejo”, com as saudades que
vão marcar as décadas, tantas, décadas demais longe da Terra, num vida, nem
sempre fácil, na grande cidade, nas margens do grande rio, o Tejo, que separa o
Alentejo do resto do país. Vida de muito trabalho nas fábricas, nos serviços,
na hotelaria, nos transportes, mas também de empenho no associativismo e de
luta pela democracia, antes e depois de Abril – agora também no Poder Local
Democrático. Homens e Mulheres que a rudeza da vida, não apenas suavizou alma como
aumentou a enorme capacidade, única de colectivamente, pelo Cante exteriorizar, partilhar esse
património genético, há muito o ex-libris da nossa região, que faz da Pátria
transtagana uma região única e do povo alentejano, um povo com um coração
imenso.
Nesta edição
propusemo-nos fazer o levantamento dos 30 grupos corais activos existentes na
diáspora e a diáspora alentejana, como o próprio Alentejo, é (quase) do tamanho
do mundo; começa aqui em Almada… e vai até Toronto.
Neste
rico e diversificado caderno que dá tema à edição “O Cante na diáspora”, ao longo de quase 70 páginas damos voz a uma
trintena de grupos corais existentes na diáspora, com base num exaustivo
levantamento, nem sempre livre de algumas dificuldades, onde Almada, que tem
cerca de 30 páginas, tem especial destaque:
Amigos
do Alentejo, do Feijó; Cantadeiras de Essência Alentejana; Recordar a Mocidade,
do Laranjeiro
Mas
também do concelho de Palmela, temos em destaque:
Ausentes
do Alentejo; Modalentejo;1º de Maio, Quinta do Anjo
Ainda
do Seixal onde encontrámos: As Papoilas, do Fogueteiro; Operário Alentejano,
das Paivas; Grupo Coral dos Serviços Sociais das Autarquias do Seixal e o Lírio
Roxo, Paio Pires.
Ops restantes grupos
corais existentes na diáspora estão sedeados: Amadora, três grupos; Albufeira,
um; Barreiro, dois; Cartaxo, um; Cascais, dois; Loures, um; Moita, dois; Porto,
um; Sesimbra, um; Setúbal, dois; Silves, um; Sintra, dois e um em Toronto,
Canadá. Propusemo-nos, com base neste exaustivo levantamento realizado, não
sempre livre de dificuldades, gravar um CD para ser acoplado a cada exemplar
desta revista com a participação dos 10 grupos corais alentejanos de Almada,
Palmela e Seixal; todavia constrangimentos motivados pela dificuldade de
adicionar todos os apoios previstos e, por outro lado, atraso na confirmação de
outros obrigaram-nos a adiar a edição dos CDs – onde, mesmo sem o apoio do
Município do Seixal incluiremos os grupos corais deste concelho – mas aqui o
compromisso de logo que seja financeiramente possível – talvez nos próximos
meses – realizarmos uma edição, ainda que mais reduzida em CD.
Mas voltando a Almada, nas
30 páginas, apresentamos a entrevista com Joaquim Judas, Presidente da CMA, natural
de Évora, mas também entrevistamos o homem – e o Amigo - que personifica a referência
do Cante em Almada, Joaquim Afonso,
natural de Pias, bem como sentidos, apaixonadas textos do Vice-Presidente CMA,
fundador e antigo Presidente da Alma alentejana, José Gonçalves, nascido no
Torrão do Alentejo, de Luís Palma, Presidente da União de Freguesias de
Laranjeiro e Feijó, com fortes e assumidas raízes na Margem Esquerda do
Guadiana e José Moutela, Presidente da Alma alentejana, finalizando com um texto
de António Amaral sobre o Grupo de Trabalho
do Cante do Concelho de Almada,
que desde Fevereiro de 2015, com o objectivo de realizar iniciativas tendentes
a promover o Cante Alentejano e toda
a riqueza etnográfica a este associado tem vindo a debater e propor estratégias
tendentes à salvaguardar do Cante,
nomeadamente lançando projectos para fomentar o Cante nas Escolas.
Ainda sobre Palmela –
autarquia que desde a primeira hora teve uma postura francamente empenhada e
solidária, o que saudamos - apresentamos uma entrevista ao Presidente do
Município, Álvaro Amaro, se bem que não sendo alentejano é também um grande
apreciador do Alentejo. A entrevista pedido ao Presidente da Câmara Municipal
do Seixal, Joaquim Santos, acabou por não se vir a realizar .
Nesta edição,
registamos com agrado artigos de quem conhece bem o Cante, seja como investigador
e músico, caso do Jorge Moniz, seja enquanto um dos principais responsáveis
pela candidatura vencedora do Cante a
Património cultural Imaterial da Humanidade, como é o caso do presidente da
MODA – Associação do Cante Alentejano,
Francisco Teixeira, da socióloga Sónia Cabeça que nos fala do que o surgimento Cante no feminino representou uma
autonomia social do Cante Alentejano
ou a notícia das estratégias de salvaguarda “ deste cante que é nosso,
deste cante que importa preservar e potenciar”, que nos chega
do Campo Branco, em forma de prosa poética pela palavra escrita do Paulo
Nascimento. A Grande Entrevista, nesta edição ao Pedro Mestre, Mestre
o menino de oiro da salvaguarda e da transmissão do Cante e da viola campaniça.
António Chainho, desde
que nos verdes anos começou a toca guitarra portuguesa na moinho de vento do
seu avó, em plena serra na aldeia de S. Francisco, até 2015, quando completou 50 anos de
carreira fez um percurso que o guindou á genialidade, Chainho, o Amigo, o
companheiro solidário no CEDA; no mesmo CEDA em que Domingos Montemor – com
quem calcorreamos o Alentejo tantas vezes ao longo de mais de uma década – um
dos companheiros que mais trabalhou e contribuiu para ele, CEDA fosse o que é
hoje, o CEDA e esta publicação não receando e não voltando as costas aos
desafios; talvez seja por isso que se alcançou o respeito do Alentejo, como se
verificou no passado dia 10 na Casa do Alentejo onde esteve o Alentejo em peso,
as suas forças vivas, de Portalegre a Castro Verde, de Monforte a Santiago, de
Sousel a Beja, de Évora… a Almada, de Montemor a Odemira, a Ourique… e a
diáspora em peso…
Os 40 Anos Poder Local
Democrático não são esquecidos – esperamos fazer uma próxima edição sobre o
tema – com textos de quem mais experiência e saber tem do tema, até numa
perspectiva do futuro, Rogério de Brito – antigo deputado, eurodeputado e
autarca e Fernando Caeiros, de desde 1976 e durante mais de 30 anos foi edil e
é hoje um dos mais conceituados consultores da Associação Nacional dos
Municípios. E a Feira de Castro é visitado com o João das Cabeças e o Encontro
do Cante ao Baldão e da Viola
Campaniça.
E o Acontecendo,
necessariamente no gerúndio, onde o Destaque vai para livros Actas MODA e CD Os Ganhões,
mais de 30 recensões, referências: livros, discos e outros eventos,
nomeadamente o recente trabalho de Orlando Pereira, e as suas reflexões
estratégicas desenvolvimento local para preservar a identidade da sua aldeia de
Penedos – Mértola, terminando com o “Programa Almada Homenageia o Cante”, iniciativa fruto de parceria
entre a CMA e o Grupo de Trabalho do Cante
do Concelho de Almada – projecto que o CEDA e a Revista Memória Alentejana assumiram deste o primeiro dia
Mesmo quase a fechar, o
companheiro solidário, António Galvão, o artista plástico que ofereceu ao CEDA
a serigrafia que é capa desta edição – e capa do caderno e poucos dias depois
partiu.
Uma palavra de apreço e
agradecimento às entidades que viabilizaram financeiramente esta edição: Câmara
Municipal de Almada, Câmara Municipal de Palmela, Entidade Regional de Turismo
Alentejo/Ribatejo, Junta de Freguesia de Laranjeiro e Feijó.
Aqui fica o nosso
contributo para a salvaguarda do Cante!
Alentejanos de Almada,
Alentejanos do Mundo; podem contar com o (vosso) CEDA, podem contar com a
(vossa) Revista Memória Alentejana.
“Voltarei
ao Alentejo
Nem
que seja no Verão”
Eduardo M. Raposo
(Presidente da Direcção / Director)
(Presidente da Direcção / Director)
CEDA / Revista
MEMÓRIA ALENTEJANA
(do Editorial)
22 de dez de 2015
ainda "Almada Homenageia o Cante"
A mais importante iniciativa realizada em Portugal
" Almada Homenageia o Cante foi a mais importante iniciativa que se realizou em todo o país, quer em termos de conteúdo, de mensagem e de adesão da população. Este acontecimento dignificou o Cante. Num segundo acontecimento Almada poderá vir a reafirmar -se como Capital do Cante até pela sua situação geográfica pois Almada está perto de tudo, acessível a todos, nomeadamente na diáspora."
Francisco Teixeira
Presidente da MODA - Associação do Cante Alentejano
" Almada Homenageia o Cante foi a mais importante iniciativa que se realizou em todo o país, quer em termos de conteúdo, de mensagem e de adesão da população. Este acontecimento dignificou o Cante. Num segundo acontecimento Almada poderá vir a reafirmar -se como Capital do Cante até pela sua situação geográfica pois Almada está perto de tudo, acessível a todos, nomeadamente na diáspora."
Francisco Teixeira
Presidente da MODA - Associação do Cante Alentejano
13 de dez de 2015
Acordar em Madrid!...
Acordar em Madrid!..
Nesse mesmo dia 8 de Dezembro, ao fim da manhã aterrava no aeroporto de Lisboa - como aliás acontecera no ano passado.
Portugal é, por várias razões, um dos países mais bonitos do mundo. Um país onde eu quero estar, onde quero trabalhar, onde quero dar o meu contributo para a construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Mas conhecer, conviver, aprender, apreender torna-nos mais fraternos, mais tolerantes, ajuda-nos a trilhar o caminho, certamente inatingível, da sabedoria, ou como dizia Vladimir Ilitch Ulianov:
Aprender, aprender sempre!
Ao longo dos próximos dias gostaria de partilhar imagens desse enriquecedor e frutuoso fim de semana alargado, nomeadamente o (re)encontro com algumas obras-primas da Arte universal.
Começo pelo nascer da bela aurora, ainda em plena viagem:
mais fotos
o primeiro dia:
Depois de umas tapas saborosas e muito diversificadas no agradável Mercado de San Miguel, ali mesmo ao lado da Plaza Mayor e da dois passos de famoso e centenário Restaurante Sobrino del Botin deambulando ao acaso visitámos, no exterior, a Catedral de la Almudena e a Plaza de la America com o seu imponente Palácio Real e saboreámos o sol - estava uma tarde soalheira que parecia de Primavera - com o Teatro Real em fundo.
Não foi possível visitar o Teatro Real pois estava fechado, mas a Anita contou que o seu primo M. Malta da Costa - conceituado instrutor e campeão hípico de Montemor-o-Novo - que morreu recentemente foi homenageado pela infanta Helena que teria sido sua apaixonada. Continuámos a caminhar e em breve estávamos na Plaza de España onde ficámos a saborear a tarde tão agradável - devia estar perto de 20º, só se via passar pessoas de manga curta e nós todos encasacados. Nunca é demais ficar a contemplar o magnifico monumento a Cervantes ... e as curiosas proximidades...

e o iconoclástico edifício madrileno...
Nesse mesmo dia 8 de Dezembro, ao fim da manhã aterrava no aeroporto de Lisboa - como aliás acontecera no ano passado.
Portugal é, por várias razões, um dos países mais bonitos do mundo. Um país onde eu quero estar, onde quero trabalhar, onde quero dar o meu contributo para a construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Mas conhecer, conviver, aprender, apreender torna-nos mais fraternos, mais tolerantes, ajuda-nos a trilhar o caminho, certamente inatingível, da sabedoria, ou como dizia Vladimir Ilitch Ulianov:
Aprender, aprender sempre!
Ao longo dos próximos dias gostaria de partilhar imagens desse enriquecedor e frutuoso fim de semana alargado, nomeadamente o (re)encontro com algumas obras-primas da Arte universal.
Começo pelo nascer da bela aurora, ainda em plena viagem:
o primeiro dia:
Depois de umas tapas saborosas e muito diversificadas no agradável Mercado de San Miguel, ali mesmo ao lado da Plaza Mayor e da dois passos de famoso e centenário Restaurante Sobrino del Botin deambulando ao acaso visitámos, no exterior, a Catedral de la Almudena e a Plaza de la America com o seu imponente Palácio Real e saboreámos o sol - estava uma tarde soalheira que parecia de Primavera - com o Teatro Real em fundo.
Não foi possível visitar o Teatro Real pois estava fechado, mas a Anita contou que o seu primo M. Malta da Costa - conceituado instrutor e campeão hípico de Montemor-o-Novo - que morreu recentemente foi homenageado pela infanta Helena que teria sido sua apaixonada. Continuámos a caminhar e em breve estávamos na Plaza de España onde ficámos a saborear a tarde tão agradável - devia estar perto de 20º, só se via passar pessoas de manga curta e nós todos encasacados. Nunca é demais ficar a contemplar o magnifico monumento a Cervantes ... e as curiosas proximidades...
e o iconoclástico edifício madrileno...
"O teu Alentejo" "A tua Canção" recordando o dia 8 de Dezembro
O teu Alentejo
A tua Canção
Para o Eduardo M. Raposo
O
Alentejo é a tua vida
Por nascimento e opção
Sentes-te bem no meio da gente
sofrida
Que tanto lutou e luta pelo pão.
Gente que nunca desistiu nem desiste
Na batalha que foi perdida
Porque sabe que é no fim que se ganha
A guerra
contra a exploração.
Embora o Alentejo seja
O epicentro da tua Revolução
A
Cultura é o teu território
O teu verdadeiro campo de acção
Felizmente,
Mesmo
sem seres um trovador
Escolheste a música e a canção
Para nos deixares a tua
marca de amor
Apenas movido pelo saber e pela paixão
E hoje és o nosso
magnânimo historiador
Do canto livre e da intervenção.
Luís Milheiro
No passado dia 8 de Dezembro assinalei a passagem de mais um aniversário com um encontro com amigos e familiares. Éramos perto de uma trintena. Mas, um dos Amigos que não pode estar presente, o Dirigente Associativo e Autor - historiador local, poeta, romancista - fotografo, não deixou de estar com este elucidativo poema que me enviou e que aqui, com a devida vénia, publico, enviando-lhe um abraço fraterno.
Na ocasião tivemos o prazer que todos tivemos de saborear - sobretudo eu, numa viagem à minha infância mais de meio século depois - a sua enorme sensibilidade e capacidade criativa, que em breve espero convosco compartilhar.
Depois, na companhia dos meus familiares mais próximos - o que já não acontecia há anos - o meu pai, os meus irmãos Carlos, Ricardo, a minha filha Sofia, o meu Neto Roque, o meu sobrinho Ruben, o meu genro Luís, a minha cunhada Angelica e claro, a minha Querida Anita referi como foi difícil este ano de 2015 em que perdemos a nossa Mãe mas também a nossa vontade de continuar a luta permanente e constante para a construção do futuro, agora que surgem sinais, ainda que muito ténues, de que as coisas podem começar a mudar. E eu, como contei quando me apresentaram um autarca socialista no dia em que António José Seguro foi eleito Secretário-Geral e ele me perguntou se era seu camarada e eu, olhando-o nos olhos lhe disse:
Sou camarada da Grande Esquerda!
e que me conhece sabe que há vários, há vários anos, defendo essa solução para o nosso país, mesmo quando isso parecia perfeitamente irrealista. Agora percebe-se bem que é é possível, agora percebe-se bem que é esse o caminho que nos pode levar a retomar um futuro para Portugal que foi sugerido, entreaberto em Abril, em 1974 e mais de 40 anos depois começa finalmente a mostrar que é possível. Um caminho onde as dificuldades são muitas mas que é possivel! Por isso deixo uma palavras de simpatia aos dirigentes dos partidos da esquerda parlamentar que tiveram e têm tido a coragem, a dignidade e a responsabilidade nacional de trilharem o caminho da defesa da Nação Portuguesa.
Para que conste, neste jantar convívio tomaram lugar, para além dos Familiares referidos, os Amigos: Gil Marovas, Mário de Araújo, Francisco Naia, Helena e João Andrade da Silva, João Santos e Susana Horta, José Carita e Luísa Gonçalves, a Céu e a Marta, o António Ramos, o Constantino e o Ferraz da Conceição.
Aqui ficam alguns registos fotográficos deste momento da fraterna Amizade!
O Cante na diáspora - Almada homenageia o Cante
Almada homenageia o Cante
O Cante na
diáspora
O 1.º aniversário do reconhecimento do reconhecimento
pela UNESCO do Cante Património Cultural Imaterial da
Humanidade foi assinalado um pouco por todo o Alentejo, entre os dias 27 e 29,
com um vasto e diversificado conjunto de acções: desde Serpa – que iniciou o
processo da candidatura – Ourique, Odemira, Almodôvar, Mértola, Castro Verde,
Cuba ou Beja. Mas, fora do Alentejo, na diáspora, Lisboa – na Casa do Alentejo
– Setúbal ou Almada assinalaram a efemeridade com a importância e dignidade que
se impunha.
Neste contexto Almada realizou um conjunto de eventos
durante todo o dia 28 de Novembro – iniciou às 9 horas da manhã e terminou
perto da meia-noite – subordinado ao tema “Almada homenageia o Cante Alentejano” que constaram de um
colóquio que durou a amanhã e a tarde, terminado cerca das 19 horas e um
espectáculo à noite e que envolveram mais de duzentas pessoas no colóquio e
cerca de mil no espectáculo.
A Mesa de
Abertura esteve a cargo de:
- Joaquim
Judas - Presidente da Câmara Municipal de Almada
- Francisco
Teixeira - Presidente da MODA, Associação do Cante Alentejano
- Luis Palma
- Presidente da União de Freguesias do Laranjeiro e Feijó
- Carlos
Alves - Vice-Presidente da Câmara Municipal de Serpa
- Paulo
Nascimento – Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Castro Verde, sendo que
Ana Paula Amendoeira, por motivos de saúde não pode estar presente, moderada
por Ana Neto, que moderou também o 2º painel.
O 1º painel,
«Origens e História do Cante: Uma Perspetiva Antropológica», teve a
participação de - Alexandre B. Weffort – Músico/professor (EMCN) com a
comunicação “O ‘cante’ alentejano: questionamentos sobre a sua origem” e de José Rodrigues dos Santos – Professor jubilado/investigador
CIDEHUS-EU que falou sobre “História recente do Cante: lições a reter”, painel
este moderado por Eduardo M. Raposo.
O 2º painel
iniciou com - José Gonçalves - Vice-Presidente da Câmara Municipal de Almada e
fundador e antigo dirigente da Alma Alentejana, que com muita emoção nos falou
dos “Alentejanos do além Tejo, o seu papel e dinâmica social”, seguindo-se da
nossa intervenção apresentando a última edição da Revista Memória Alentejana. Joaquim Afonso - Presidente do Grupo Coral
Etnográfico Amigos do Alentejo do Feijó .- a grande referência da Cante e um pouco por todo o Alentejo, exteriorizando
a sua grande experiência de vida com a sua forma peculiar que o caracteriza,
sobre “O Cante Alentejano e as suas influências em Almada”.
Mesa-Redonda
O período da tarde foi dedicado ao tema: “Reconhecimento e Salvaguarda do Cante. Projetos de Futuro.” Também, tal como os outros painéis com excelentes intervenções de:
- Pedro Mestre – Músico / professor
Com “Cante Alentejano:
desafios na Transmissão”
de
- Jorge Moniz – Músico / professor (UL)
com “A tradição na linguagem musical do Cante”
e de
- Sónia Moreira Cabeça – Socióloga / CIDEHUS-UE
“Grupos corais femininos: contribuições para a autonomia social e
vitalidade do Cante Alentejano”, tendo-se seguido a
Mesa-redonda
Com: - José Francisco Colaço Guerreiro e Francisco Teixeira
- MODA - Associação do Cante Alentejano
-António Verdugo da Casa do Alentejo
(Lisboa)
- Representantes dos Grupos Corais do Concelho (Amigos do Alentejo, Recordar
a Mocidade e Cantadeiras de Essência Alentejana) e ainda
- João Monge - Autor
- António Amaral - Academia Ramiro Freitas
Mesa-Redonda
Todos os temas suscitaram acalorando debate e foram pontuados com apontamentos corais pelo grupo feminino “Cantadeiras de Essência Alentejana”.
Pormenor da assistência com autarcas, antigos autarcas, oradores e moderadores
Mesa-Redonda
Todos os temas suscitaram acalorando debate e foram pontuados com apontamentos corais pelo grupo feminino “Cantadeiras de Essência Alentejana”.
Pormenor da assistência com autarcas, antigos autarcas, oradores e moderadores
Este painel, moderado por Luís Palma antecedeu uma
simbólica mas sentida homenagem
ao Cante na pessoa de Joaquim Afonso
e terminou com uma também excelente intervenção de António Matos - Vereador da Cultura da Câmara
Municipal de Almada – que disponibilizou o apoio do Município para novos
projectos sobre o Cante.
o Cante na diáspora
Nós,
enquanto director da Revista Memória
Alentejana apresentamos a edição preparada e lançada na ocasião, número especial
em que a temática “O Cante na
diáspora” tendo-se baseado num levantamento dos 30 grupos corais alentejanos
activos existentes na diáspora, a saber: área metropolitana de Lisboa –
distritos de Lisboa e Setúbal – mas também no Cartaxo, Algarve – Tunes e
Albufeira – Porto – grupo coral do Orfeão Académico – ou Toronto, no Canadá.
Esta edição dedicou ainda com mais relevo os grupos corais alentejanos
existentes em Almada – “Amigos do Alentejo”, “Recordar a Mocidade” e “Essência
Alentejana”, bem como às associações de cariz existentes no concelho – Alma
Alentejana – e aos projectos que estão a ser iniciados de ensino do Cante nas escolas dos vários graus de
ensino. De notar que em Almada residem cerca de 50 mil naturais e descendentes
de alentejanos e só na freguesia mais alentejana – Laranjeiro Feijó – esse
numero ascende a mais de 20 mil. De referir entre outros aspectos a capa e capa
interior da edição feita propositadamente pelo artista plástico António Galvão
– de Moura- falecido recentemente.
- Associação Grupo Coral e Etnográfico Amigos do
Alentejo do Feijó;
- Grupo Coral Feminino Recordar a Mocidade do CIRL;
- Associação das Cantadeiras de Essência Alentejana;
- Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa;
- Associação de Cante Alentejano Os Ganhões de
Castro Verde;
- Grupo Coral Feminino Madrigal de Vila Nova de São
Bento.
A organização ficou a cargo do Grupo de Trabalho do Cante do Concelho de Almada - que
inclui os Grupos Corais - Amigos do Alentejo de Feijó, Essência Alentejana,
Recordar a Mocidade, MODA-Associação do Cante Alentejano, CEDA/Revista Memória
Alentejana, Alma Alentejana, Academia Ramiro Freitas e João Monge e a União
das Freguesias de Laranjeiro e Feijó – em estreita parceria com a Câmara Municipal de Almada que assumiu financiamento
e logística deste importante evento.
Este foi seguramente o grande momento, a mais
importante das comemorações que, na diáspora, assinalaram o 1º aniversário do Cante Património Cultural Imaterial da
Humanidade.
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