20 de ago de 2015

Percurso pela Serra Algarvia a Bacia do Baixo Guadiana



Depois de mais um interregno demasiado longo que desejamos contrariar voltamos ao convívio com os nossos seguidores. E fazemo-lo partilhando o recente percurso realizado pela Serra Algarvia a Bacia do Baixo Guadiana.

1º dia

A semana passada concretizámos um projecto pensado há vários anos: percorrer a Serra algarvia pelos seus locais mais recônditos – porventura os mais belos do Algarve, à excepção da serra de Monchique, ainda que diferente - até Alcoutim, o oásis à beira do Guadiana; descendo de seguida pela margem direita do grande rio do Sul até à foz do seu afluente da Ribeira de Odeleite, que em pleno Agosto leva um forte caudal, atravessamos o Gaudiana na ponte internacional – a primeira que se encontra a seguir a Mertóla, fazendo uma breve incursão nas rias da vizinha Andaluzia, regressando depois e parando na magnífica Cacela Velha – parte do conjunto de castelos e fortificações da bacia do Baixo Guadiana.
Partimos de Lagos, com paragem em Alvor e passagem por Silves, Alte, Benfim Grande, Pena, Salir - a natureza é aqui de uma beleza deslumbrante - e paragem à saída de Barranco do Velho – onde piquenicámos debaixo duma albarrobeira, duma amendoeira e de um belo sobreiro, mesmo junto ao local onde passa a Via Algarviana. Estamos em plena Serra do Caldeira, a povoação resume-se a meia dúzia de casas à beira da estrada, aqui confluem a EN 124 que inicia em Portimão até Alcoutim ao longo de 150 Km, onde 12 são de serra e a EN 2 que, partindo de Faro, passa a S. Brás de Alportel segue para Almodôvar – percorremo-la há dois anos – atravessa o Alentejo – Castro Verde, Ervidel, Ferreira, Odivelas, Torrão, Alcaçovas, Escoural, Montemor, Ciborro, Brotas, Mora, Montargil, Ponte de Sôr e segue até Chaves, dividindo o país a meio.

A natureza é aqui esmagadora, a dois pés de Barranco do Velho nasce a Ribeira de Odeleite. Mal reiniciámos viagem encontramos, mesmo no cruzamento em agradável restaurante  - a Tia Bia - onde na ementa encontramos pratos regionais da serra como  “galo com vinho”, “javali” e logo resolvemos voltar em breve; depois de reabastecidos de combustível continuamos a característica estrada de serra, passamos por Feiteira, Almarginho, Cachopo – onde nos cruzamos com a EN 397 vinda de Tavira – Martim Longo – famosa pela saboroso pão que exporta, a povoação com mais habitantes do concelho, incluindo a sede, Alcoutim, que percorremos mas não nos sugere paragem – a aldeia de Pereiro – onde nos dessedentamos com água e cerveja bem frescas na única explana do único café “Central”, comemos, lemos – e finalmente chegamos parando na encosta sobranceira ao rio. Alcoutim é um paraíso, o oásis para o viajante que, como nós atravessa a serra ou, como o velejador que sobe o rio – e são alguns, sobretudo estrangeiros, encontramos uma família de franceses que o membro mais novo adorava gatos. Tem uma zona junto ao rio com um excelente mobiliário urbano de lazer.



































Ficámos extasiados embevecidos perante tamanha beleza e depois um banho revitalizador e de um jantar numa agradável esplanada com o Guadiana ao fundo assistíamos ao cair da noite ao som dum concerto de gosto duvidoso no simpático largo da vila.


28 de jun de 2015

A Festa no Solar dos Zagallos

um dia inesquecível!

A Festa no Solar dos Zagallos, sob o tema "Saberes Sabores e Memórias - os Ofícios de um Solar no século passado", realizada ontem, sábado, dia 27 de Junho, entre as 9 e as 21h, superou todas as expectativas. Terá ultrapassado os mil visitantes e, não obstante o calor de "ananases" que se fez sentir - a temperatura ao sol atingiu os 39 º na região de Lisboa - os espaços de gastronomia assegurados por entidades locais, a APPACDM - que antes do final levantou amarras por ter esgotado o stock de saladas, quiches e outros sedutores pratos leves - ou a Associação do Bairro de São João - que servia bifanas, caldo verde e diversos tipos de bebidas frescas - ou a Associação da Quinta do Bau Bau - onde a carismática D. Maria Joaquina  - servia uma deliciosa limonada, mais de uma dezena de tipos de doces e diversos tipos de licores -  quando uma pequena comitiva que acompanhava o Vereador do Pelouro da Cultura, António Matos, se deslocou ao local da gastronomia afirmava:
"Das acções realizadas fora das associação foi a que correu melhor; nunca tivemos tanto êxito!".
Aliás, essa era a opinião generalizada de várias pessoas com quem falámos, conhecedoras e participantes habituais de eventos, que não se coibem de apontar aspectos menos positivos, quando é o caso, tinham respostas rápidas e sinceras, com fraes curtas:
"Está delicioso!
Muito bonito!
Magnifico!

E se a quantidade e a qualidade nem sempre andam de mãos dadas, nesta Festa no Solar, em 15ª edição, tal terá acontecido. Pouco passava das 17h. fomos surpreendidos, na agradável e refrescante  Casa da Água por se terem esgotado os Passarinhos de Barro - eram 200 - que com os balões ou os "Brinquedos de Antigamente", que o carpinteiro José construía ou os brinquedos realizados a partir de desperdícios - caixas de cereais, garrafas, rolos de papel, etc, do ao longo do dia deliciaram a criançada...

Momentos altos, esses foram muitos e nada que acabar o dia, já ao lusco-fusco, na entrada do jardim - onde se tocou piano durante a manhã e a tarde - a saborear a bela e inigualável voz de Selma Uamusse interpretando Gershwin, acompanhada ao piano, no concerto de encerramento, depois de um dia muito cheio que logo a meio da manhã assistiu ao recital, na capela de Santo António, pelo também excelente Quinteto Ensemble Clarinete Modus, com o Prof. Manuel Jerónimo e os seus companheiros(as).

Está de parabéns a Câmara Municipal de Almada, nomeadamente o Departamento de Cultura - Equipamento Culturais, os dirigentes, responsáveis, técnicos, que coordenados pela pequena mas eficaz Equipa do Solar dos Zagallos - sempre com um sorriso nos lábios - puseram de pé esta excelente realização que dignifica Almada, a Cultura e a participação dos cidadãos no aprofundamento da democracia como é apanágio dos actuais eleitos do Município de Almada.

Ficam imagens... que falam por si!...

não faltou o glamour dos anos 20... com a Susana, a Irene  com o motorista Zé Maria ao volante

26 de jun de 2015

 A Festa do Solar
 dia 27
Dia 27, no próximo sábado, é dia de Festa!
Convido-vos a passar um dia diferente, muito, muito agradável, no Solar dos Zagallos!
Durante 12 horas - entre as 9h e as 21h - em mais de 2 hectares do excelente património natural e construído muitas surpresas vos esperam! São 90 actividades muito diversas e interessantes que nos levam aos anos 20 do século XX!
- 9 ateliers
-13 concertos/momentos musicais
- 5 esposições
- 20 artesãos em trabalho ao vivo (fitoterapia, cortiça, velas ornamentais, calceteiro, latoeiro, etc)
- 22 bancas de venda de artesanato
- 12 actores/actrizes encarnam figuras da época
- Quinta pedagógica e baptismo equitação e arte equestre
- Jogos tradicionais, de sociedade, chinquilho e malha
- Visitas guiadas (2), dança, pilatos, sessões de histórias (3)
-  Diário gráfico, pintura paisagista, mural da festa
- Mandala, alfaias religiosas, trajes e ambientes da época (carro 1929, piano no jardim, gastronomia, pique nique e descanso na refrescante Casa da Água


A entrada é livre e autocarros, conforme itinerários indicados, com partidas de Cacilhas - barcos da Transtejo e passagem pela Estação Pragal, comboio da Fertagus - gratuitamente, fazem os percursos indicados, de ida e volta entre as 10h e as 21h - ver verso do flyer.
Cá Vos esperamos!
Não se vão arrepender!
Um abraço

22 de jun de 2015

Os 7 anos do Roque no dia do solstício

Pois é! já passaram 7 anos desde que o dia - o mais longo do ano - em que aquele ser  chegava. Hoje, depois de uma festinha com os Amiguinhos(as) num parque próprio para estes eventos - que ele adorou - teve um almoço em família, onde estive, claro  e onde estavam reunidas, num pequeno grupo, as pessoas mais importantes da minha vida - para além do aniversariante - o meu querido Roque, a crescer de dia para dia - de minuto para minuto, diria - a minha Anita, a minha Sofia e o marido, o Luís, a Isabel - mãe da Sofia e minha antiga companheira e a sua mãe Sofia, bisavó do aniversariante. Só não estavam os meus pais e os meus irmãos.



E aqui fica a promessa... de voltar a postar com regularidade, de voltar a V/ convívio, para partilhar muito do aconteceu desde o último poste, em Outubro passado... e aconteceu tanta coisa....

14 de out de 2014

Lançamento da Revista Memória Alentejana. O Montado a Património da Humanidade




O Montado em Revista
No passado dia 10 de Outubro foi lançada a nova edição da revista Memória Alentejana, na Direcção Regional de Cultura do Alentejo, em Évora, especialmente dedicada ao Montado, no âmbito da Candidatura do Montado a Património da Humanidade da UNESCO - projecto de grande envergadura liderado pela Entidade Regional do Turismo do Alentejo e Ribatejo - que patrocinou a edição.

Na cerimónia do lançamento usaram da palavra, a anfitrião, Ana Paula Amendoeira, o Presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, António Ceia da Silva, o Vereador da Cultura do Município de Évora, Eduardo Luciano, O Director do Campo Arqueológico de Mértola, Cláudio Torres, o pintor Manuel Casa Branca e nós, enquanto Director da publicação.

 


Perante uma assistência de quase uma centena de pessoas, que foram brindadas com belas actuações do Grupo Coral Etnográfico Cantares de Évora – liderado pelo Amigo Joaquim Soares – onde pontuavam muitos amigos e autores de textos nesta revista – entre eles os Amigos montemorenses Alexandre Pirata e Manuela Rosa – alguns vindos de Lisboa – Eugénio Sequeira, da Liga  de Protecção da Natureza, o nosso editor e Amigo Fernando Mão de Ferro, da Colibri, Rita Vaz e Cláudio Santos da Finepaper, empresa gráfica que produziu a revista – de Almada - dirigentes associativos, entre eles o Presidente da Alma Alentejana, José Moutela – de Sines – o Amigo Augusto Carvalho Lança – de Coruche - o artesão Arlindo Pirralho – de Mora - Maria da Graça Saraiva - ou José Luís Tirapicos Nunes, da Universidade de Évora, bem como representantes de entidades como a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Alentejo, a Directora da Biblioteca Pública de Évora, Zélia Parreira ou o Director da Casa do Cante, Paulo Lima.

Também de registar a presença de muitas Amigas e Amigos de Évora como a Margarida Morgado, a Xana, o Adel Sidarus, o Nuno do Ó e claro o Amigo Director do Diário do Sul, Manuel Madeira Piçarra, que ao contrário do que é usual, pois escusa-se a este tipo de sessões públicas, compareceu com familiares, jornalistas, nomeadamente do Diário do Sul – que fizeram a 
reportagem. E, claro, os Amigos(as) da equipa editorial que estiveram na sessão, que connosco asseguraram  a realização desta edição -  a Ana Pereira Neto (a minha Anita), a Maria Vitória Afonso, o Amadeu Afonso, simpáticos casal de Amigos e companheiros no CEDA e na Memória Alentejana - que inclusive partilharam o transporte dos 600 exemplares da Revista para distribuir pelas diversas entidades já referidas, mas também a CIMAC, Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, que solidariamente distribui para os 13 concelhos do Alentejo Central – ou o Francisco Naia, Presidente da Direcção do CEDA, bem como os outros companheiros da equipa, que por razões profissionais ou outras não tiveram possibilidade de estar presentes: o Francisco Pinto – Director Financeiro – o João Santos – Editor de Imagem - e os Editores Alberto Franco e António Ramos. 
As intervenções, de grande rigor e qualidade, puseram em destaque, a importância que a Memória Alentejana tem tido desde o seu surgimento após a fundação, em 2000, do CEDA – Centro de estudos Documentais do Alentejo-Memória Colectiva e Cidadania – que a edita, focando especialmente, nesta edição a diversidade de abordagens – o que é ímpar neste tipo de publicação, o trabalho de rigor realizado pelos responsáveis da revista não tendo por objectivo qualquer tipo de compensações, como referiu Ceia da Silva, o contributo que a revista e o CEDA têm dado à Cultura no Alentejo, Paula Amendoeira, a importância deste lançamento acontecer em Évora, Eduardo Luciano, ou o contributo que a revista tem vindo a dar através da riqueza e diversidade das abordagens à valorização patrimonial Alentejana, os Amigos Cláudio Torres e Manuel Casa Branca.
Mensagens recebidas de congratulações dos autarcas, entre várias – os montemorenses Hortênsia Menino e António Danado – José Gonçalves, Vice-Presidente do Município de Almada,  Luís Gil, da Redecor, a Bibliotecária Fernanda Figueiredo ou Luís Palma – antigo companheiro na direcção do CEDA e da Revista e actual  Presidente da União de Freguesias de Laranjeiro e Feijó, que tem a particularidade de nos seus cerca de 40 mil habitantes contar com um parte considerável, provavelmente metade ou mais de Alentejanos e seus descendentes, o que faz desta freguesia uma das maiores, se não a maior do Alentejo e da diáspora.
Na nossa intervenção destacámos ainda a presença – na sessão e na “Grande Entrevista” - de Manuel Madeira Piçarra, Director de jornais há 57 anos – Jornal de Évora e Diário do Sul – o mais antigo director de jornais no activo figura incontornável do imprensa e do Alentejo, uma referência para todos nós.
Aqui fica o editorial

O Montado e a Identidade
No Outono de 2012 propusemos para título das Jornadas literárias em Montemor-o-Novo, realizadas em Maio seguinte, o tema “Entre o Cante e o Montado”, que coordenámos. Se ainda não tínhamos a confirmação da realização da edição da Memória Alentejana sobre o Cante lançada em Castro Verde, em Julho de 2013, patrocinada pelo respectivo município, muito menos imaginávamos a concretização desta edição dedicada ao Montado. Chamemos-lhe rasgo identitário; mas são, de facto, os aspectos identitários em que nós, Alentejanos nos revemos e mais caracterizadores do Alentejo são para o resto do país e para o mundo.
Congratulamo-nos pela contribuição, ainda que indirecta, à candidatura do Cante a Património Imaterial da Humanidade e é com o maior prazer que produzimos esta edição, dando um passo, esperamos que firme, para levar ao conhecimento público o processo, em curso, da Candidatura do Montado a Património da Humanidade, concretizando assim um círculo, isto é, a outra metade de nós: o Montado, espaço da nossa alma e do nosso imaginário, nosso enquanto gentes do Sul ibérico e mediterrânico – alentejanos, mas também ribatejanos, algarvios, extremeños, andaluzes – mas que tem a chancela da ERT Alentejo/Ribatejo, a Entidade Regional de Turismo mais conceituada de Portugal, devido ao excelente trabalho que tem vindo a desenvolver divulgando a região nacional e internacionalmente. Daí as nossas saudações ao seu Presidente, António Ceia da Silva, extensível a toda uma equipa de excepção, onde fazemos especial realce a José Manuel dos Santos, Director de Departamento e nosso interlocutor na aprovação e realização desta edição. É assim que, com orgulho, pusemos as páginas da Memória Alentejana e todo o nosso empenho e dedicação para contribuir para a solidez e o futuro êxito desta candidatura, que tal como a do Cante não deixa indiferente cada Alentejano(a) esteja na pátria transtagana ou radicado na diáspora.

Vai para 14 anos que vamos prosseguindo na Memória Alentejana e no CEDA o combate, diário e permanente, em prol da defesa e valorização do património identitário do nosso Alentejo. Queremos com esta edição dar mais um passo, sempre com a ambição de melhorar, a vários níveis, a prestação deste nosso serviço público – como em 2011, João Cordovil, anterior presidente da CCDR Alentejo, nos referiu na “Grande Entrevista” – passa aqui por apresentar aos nossos leitores artigos técnicos e científicos de alguns dos mais conceituados homens e mulheres que pensam, estudam, investigam, produzem, materializam, divulgam e valorizam o Montado e alguns dos seus aspectos mais relevantes que nos colocam na vanguarda mundial, quer seja a cortiça, o porco alentejano, o habitat, a paisagem, os sabores e os ancestrais saberes associados ao nosso espaço geográfico e mental. A começar pela actual Directora Regional da Cultura do Alentejo e Presidente da Comissão Portuguesa da ICOMOS, Ana Paula Amendoeira que, em 2004, foi precursora da ideia, abraçada depois pela ERT Alentejo/Ribatejo, concretizada em 2010. Nesse sentido publicamos trabalhos de que têm responsabilidades em entidades como a Confraria do Sobreiro e da Cortiça, Escola Superior Agrária de Santarém, LPN, Universidade de Évora, Sociedade de Geografia de Lisboa, LNEG, ISCEM, ISEC, Campo Arqueológico de Mértola ou APCOR como José Mira Potes, João Posser de Andrade, Eugénio Sequeira, Luís Tirapicos Nunes, Ana Fonseca, Vermelho do Corral, Ana Pereira Neto, Luís Gil, Natália Teixeira ou Cláudio Torres. Surgem também actores, especialistas e vivenciadores do Montado como Rogério de Brito, Alberto Franco, João Pereira Santos, Augusto Carvalho Lança, Manuela Rosa, José António Salgueiro ou o artesão Arlindo Pirralho e o reconhecimento internacional pela inovação que Sandra Correia imprimiu no design tendo a cortiça como matéria-prima, mas também, no espaço lúdico, como António Galvão, Graça Saraiva, o inglês – apaixonado pelo Montado ibérico – Rob Miller, ou Manuel Casa Branca – autor da capa desta edição, ou ainda as imagens de quem capta, fotografando, filmando, descrevendo o Montado: casos de António Cunha, Alex Gadum, Pedro Soares, Daniel Pinheiro, Mário de Carvalho – solidário, publica um conto inédito – Florbela Espanca, Francisco Bugalho, Maria Vitória Afonso, ou as respostas de Cláudio Torres e João Serrão ao inquérito endereçado a todos os membros da “Comissão dos Sábios” e as entrevistas, gentilmente cedidas, por Ceia da Silva e Roberto Grilo, Vice-Presidente da CCDRA.

Adicionar legenda
Uma necessária palavra de apreço, nomeadamente à participação e apoio empenhado do Município de Coruche – Capital Mundial da Cortiça - através da Susana Cruz do Observatório do Sobreiro e da Cortiça, mas também do Município de Ponte de Sor – Carlos Manuel Faísca – ou Santiago do Cacém – o Presidente Álvaro Beijinha -  concelhos onde o Montado e a cortiça têm um papel na economia local e dão um enorme contributo para a nacional.  Os municípios participantes e apoiantes, assim como outras entidades, empresariais ou associações profissionais – ajudando a viabilizar o esforço financeiro na concretização – deram, mais uma vez, o exemplo ao contrário de algumas entidades representantes do sector que, tendo sido contactadas, ou não concretizaram a participação ou fazendo-o, esquivaram-se a apoiar. É caso para dizer: esta é uma bandeira de todos nós, em que estamos unidos no esforço e vontade abnegada inclusive do seu reconhecimento pela UNESCO; merece o esforço dos cidadãos, técnicos, cientistas, artistas, escritores, etc  e destas instituições públicas, a começar pela ERT Alentejo/Ribatejo,  responsável pela Candidatura - e pela vastidão de aspectos que esta envolve - enquanto algumas entidades empresariais se envolvem, mas até um certo ponto. É uma questão de solidariedade, de empenhamento social, de cidadania, pelo que mais uma vez há que realçar o papel de Ceia da Silva e da sua equipa neste empenhado objectivo de reforçar a visibilidade internacional do Alentejo.
Mas esta edição não descura a gastronomia, os 40 anos do 25 de Abril - nomeadamente a figura de José Afonso – onde António Nabo, Director da Folha de Montemor e Fernanda Eunice Figueiredo, Responsável pela Rede das Bibliotecas Municipais de Alma assinam textos; destaca, na “Grande Entrevista”, o mais antigo Director de jornais nacionais, o eborense Manuel Madeira Piçarra. Na rúbrica “Acontecendo”- pela primeira vez em 13 anos, atinge a meia centena de recensões e/ou referências a livros, discos, efemérides e realizações sobre ou que importam ao Alentejo. Em evidência, no destaque, O Montado no Portugal Mediterrâneo, o excelente livro de José Mira Potes, bem como a nossa homenagem ao camponês João Domingos Serra, do Lavre,  que com dignidade retratou para a posteridade as agruras da vida rural no século XX português em Uma Família do Alentejo. Mistérios da Natureza e da Política, testemunho tão valoroso que … inspirou o Prémio Nobel português, até o recentemente estreado Alentejo Alentejo, de Sérgio Tréfaut, vencedor do “Prémio de Melhor Filme Português IndieLisboa 2014”.
Neste país onde o sobreiro, felizmente, é a árvore nacional, para completar o círculo identitário, depois do Cante  e do Montado, espera-nos o Pão, o Vinho e o Azeite. Aqui fica a nossa vontade empenhada.
A terminar. São apenas 45 artigos e 50 recensões – sobre livros, discos e outros eventos
edição disponível on-line em:


Eduardo M. Raposo
eduardoepablo@gmail
Director
Fotos de Ana Pereira Neto





20 de jun de 2014

As palavras e os afectos




 As palavras e os afectos
 Cantores de Abril, apresentado no passado dia 9 Junho, no átrio da Academia Almadense

Perante uma assistência de mais de 100 pessoas, numa organização da Associação Amigos da Cidade de Almada, em parceria com a SCALA e o apoio de outras entidades associativas - CEDA, o Farol, Academia Almadense - com muitos associados presentes, ou de outras associações - como a IMARGEM - e dos AE Anselmo de Andrade e Emídio Navarro e ainda amigos dirigentes de outras entidades associativas - a Casa do Alentejo, a Alma Alentejana, a SFUAP - e o Município de Almada




























partilhou-se a fraternidade numa "noite maravilhosa... foi lindo, lindo! " - como o sr. Rodrigues, Director da Academia Almadense, no final, repetia maravilhado.


Foi uma noite passado ao som da voz de tenor do Chico Naia, acompanhdo pelo Zé Carita, fazendo malabarismo, saltitando de um excerto da "Trova" para outro dos "Vampiros"...






















ou o Coro de Incrível, que, por surpresa do maestro, o Amigo Carita, carinhosamente me dedicaram um tema, ou o "Grupo Coral Amigos do Alentejo" liderados pelo Amigo Afonso, que encerraram com o inconfundível nosso Cante... 













o  Hélder (Costa) que mal chegou lhe pedi, o que fez com satisfação, explicando o contexto sociopolítico em que fez o convite de que resultou na  celebração actuação do Zeca em Grândola



a 18 de Maio de ... 1964 e que foi a génese da "Grândola, Vila Morena". Foi uma noite onde a poesia marcou presença pela voz da Sofia, a minha Sofia, e da Rute, pelo ALPHA Teatro


 





















pela Isabel, que disse dois poemas do Fonte Santa, o seu pai, grande poeta e a Anita, a minha Anita, que leu  o texto sobre o espectáculo de 29 de Março de 1974, no Coliseu dos Recreios...

Aqui vos deixo excertos de intervenções de outros amigos, convidados para esta sessão, que usaram da palavra:

"Sérgio Godinho escreveu numa das suas canções «O passado é um país distante / que distante é a sombra da voz / o passado é a verdade contada / por outro de nós». Também este livro é uma incursão no passado, criando - não lhes chamaria entrevistas mas polaroids - de algumas figuras essenciais para compreender melhor esta época a que se refere o livro, algum tempo antes e depois do 25 de Abril."

(…)

“No seu “Fado da Tristeza”, José Mário Branco escreveu: Não cantes alegrias de encomenda / Que a vida não se remenda / Com morte que não morreu / Canta da cabeça aos pés / Canta com aquilo que és / Só podes dar o que é teu”. E eu acho que foi aquilo que tu fizeste com este livro, Eduardo…”

João Morales
Jornalista, programador literário

O livro “Cantores de Abril” de Eduardo M. Raposo, presta homenagem
aos Poetas e Cantores que fizeram os Cravos florir em Abril, mas também a todos os homens e mulheres que participaram voluntariosamente neste
movimento que tanto contribuiu para a Revolução de 1974 – dirigentes estudantis, jornalistas, críticos, editores de rádio e de televisão. A sua
ousadia foi paga muitas vezes com a prisão e com a tortura, mas nada os demoveu e mantiveram a chama acesa até às “portas
que Abril abriu”.
Este movimento cultural deu um novo rumo à nossa história recente e em tempos de crise de valores éticos e de injustiças sociais que nos fazem lembrar tempos de antigamente, apetece voltar às canções do Zeca Afonso e do Adriano Correia de Oliveira
 (Da badana)
Fernando Mão de Ferro
Edições Colibri



O Eduardo é um homem perseverante. Conheço o Eduardo há quase 30 anos e tenho acompanhado o seu caminho, por vezes com muitas dificuldades, mas ele tem sabido encontrar o caminho certo. Vou de novo usar a imagem que usei há dias no Feijó [no 27º Encontro de Grupos Corais]. Eu nasci num moinho, e para sair de lá o caminho tinha pedras que estavam sempre com água. Mais era o único caminho, não havia outra forma.
Parabéns, Eduardo, por mais esta vitória.

José Gonçalves
Vice-Presidente do Município de Almada
Créditos fotográficos, com a devida vénia, de Gena D´Sousa